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Alerta
Aglomerações políticas podem iniciar segunda onda de Covid-19 no RN
Comitê Científico Estadual de Enfrentamento à Covid-19 aponta que pandemia não foi controlada e pode piorar em decorrência das aglomerações da campanha eleitoral. Média de novos casos é de 200 por dia
Nathallya Macedo
28/10/2020 | 05:24

O período de campanha eleitoral começou oficialmente no dia 27 de setembro e, desde então, as cenas de aglomerações políticas são recorrentes nas cidades do Rio Grande do Norte. São carreatas, passeatas e encontros que reúnem centenas de pessoas em meio à pandemia da Covid-19. Mesmo munidos com álcool em gel e máscaras, o distanciamento social ainda é o único método efetivo de combate à contaminação pelo novo coronavírus, segundo autoridades de saúde. 

Agora RN conversou com a médica infectologista, professora da UFRN e membro do Comitê Científico Estadual, Marize Reis, sobre o atual cenário pandêmico. Para ela, as aglomerações de campanha podem causar o início da segunda onda de Covid no estado. “Nos municípios do interior, houve um disparo de novos casos porque a pandemia se expressou tardiamente nesses lugares, mas também porque as atividades políticas costumam ser de casa em casa”, avaliou.  

Os municípios de Grossos, Tangará, Montanhas e São José de Campestre, por exemplo, tiveram alta nos casos confirmados de Covid-19 durante as primeiras duas semanas de outubro. “Vivemos o pico entre junho e julho e agora estamos em uma fase de queda lenta, em um platô – já que a curva não desceu como deveria. Não controlamos a pandemia e é por isso que o Comitê está acompanhando com cautela a evolução local da doença”. 

A equipe do Comitê utiliza um indicador composto para observar a situação do coronavírus no estado: são analisados os números de internações, de óbitos, a proporção de exames positivos, a faixa etária dos pacientes e a taxa de transmissibilidade, mas o que define o início da segunda onda é o aumento no número de casos, de acordo com Marize.  

“No pico, tivemos cerca de mil pessoas infectadas por dia e chegamos a registrar 30 óbitos em 24 horas. Desde agosto, seguramos uma média de 6 óbitos por dia e 200 novos casos. Se esse número dobrar e se mantiver por duas semanas, será caracterizada a segunda onda. Como a Europa já está passando por isso, devemos ficar atentos. Esperamos mais contaminações em pessoas jovens, que voltaram ao trabalho presencial. Por isso, é importante que os idosos se mantenham protegidos”, sublinhou.  

Ação da Sesap

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde Pública informou que as aglomerações políticas chamam a atenção, “embora as recomendações devidas estão sendo seguidas, cabendo também aos municípios realizar o acompanhamento através da vigilância epidemiológica e sanitária”. Para a secretária adjunta Maura Sobreira, a oscilação da taxa de transmissibilidade em algumas regiões é um fator preocupante, mesmo com a ocupação de leitos críticos Covid inferior à 50%.

“A Sesap está atualizando constantemente o plano de contingência, monitorando e emitindo recomendações técnicas conforme cenário epidemiológico. Cabe destacar que está mantido considerável número de leitos Covid, e toda reversão de leitos é feita de forma planejada, observando as tendências, a taxa de ocupação e o índice de transmissibilidade. Temos um preparo em relação à rede hospitalar, com boa capacidade instalada, e estamos trabalhando com os municípios parcerias para fortalecimento de ações da atenção básica e da vigilância em saúde, atrelado a ampliação da oferta da testagem para a população”, destacou a secretária.

Ao todo, o Rio Grande do Norte dispõe de 244 leitos críticos voltados ao atendimento de pacientes com Covid-19, além de outros 303 leitos clínicos também voltados a pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

1° Região (Agreste) – Total = 11 

5 UTI | 6 clínicos. 

2° Região (Oeste) – Total = 147 

81 UTIs | 61 clínicos | 5 estabilização 

3° Região (Mato Grande) – Total = 22 

10 UTIs | 10 clínicos | 2 estabilização 

4° Região (Seridó) – Total = 61 

35 UTIs | 26 clínicos 

5ª Região (Potengi/Trairí) – Total = 12 

6 UTIs | 4 clínicos | 2 estabilização 

6° Região (Alto Oeste) – Total = 24 

10 UTIs | 12 clínicos | 2 estabilização 

7ª Região (Metropolitana) – Total = 294 

177 UTIs | 111 clínicos | 6 estabilização 

8ª Região (Vale do Açu) – Total = 6 

4 clínicos | 2 estabilização 

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