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Afastamento

Agente da PF é afastado da segurança de Janja após agressão à deputada Divaneide Basílio no RN

Deputada diz que episódio foi superado, mas reforça discurso contra violência e afirma que mulheres “não serão barradas nunca mais”
Por O Correio de Hoje
29/06/2026 | 13:48

Um agente da Polícia Federal que atuava na segurança da primeira-dama Janja da Silva durante agenda dela no Rio Grande do Norte foi afastado das funções, segundo o diretório municipal do PT em Natal. Segundo o partido, a decisão foi tomada pela primeira-dama após o agente ser acusado de agredir a deputada estadual Divaneide Basílio (PT) em um evento na capital potiguar na última quinta-feira 25.

Em nota divulgada no sábado 27, o PT afirmou que Janja repudiou imediatamente o ocorrido, assim que foi informada da situação, e determinou a retirada do agente dos demais compromissos.

Divaneide foto Eduardo Maia ALRN
Deputada estadual Divaneide Basílio (PT) foi agredida em empurra-empurra - Foto: Eduardo Maia / ALRN

O partido ressalta que “a agressão decorreu de agente externo à organização partidária do evento e que medidas foram e estão sendo tomadas pelo nosso Partido”. E que “a primeira-dama, assim que foi informada, prontamente repudiou o ocorrido e afastou o agente dos eventos seguintes”, além de afirmar que “os covardes que cometem esse tipo de brutalidade e os que propagam mentiras sobre a situação merecem todo nosso repúdio”.

O episódio ocorreu ao término do evento “Mulheres do Time de Lula pelo Fim da Violência”, realizado em um auditório da Arena das Dunas, em Natal, na quinta-feira 25. A atividade reuniu Janja da Silva, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a governadora Fátima Bezerra e outras lideranças do PT e de partidos aliados. Durante o ato, ocorreu a adesão do RN ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. A imprensa não teve acesso ao evento.

Após o encerramento do ato, houve um tumulto quando diversas pessoas se aproximaram da primeira-dama para tirar fotografias. Durante a movimentação, um dos agentes responsáveis pela segurança reagiu com truculência e passou a empurrar as pessoas para abrir passagem. Divaneide estava entre elas. Em seguida, uma porta foi fechada bruscamente e atingiu a parlamentar.

Após o incidente, a deputada apresentou um pico de hipertensão arterial, provocado pelo nervosismo, e precisou ser encaminhada a um hospital, onde recebeu atendimento médico. Em nota divulgada posteriormente, Divaneide afirmou que o episódio ocorreu durante “a intensa movimentação de saída do evento, quando houve grande aglomeração de pessoas”. Segundo ela, estava identificada e acompanhada de uma criança quando foi atingida pelo fechamento da porta “em meio ao empurra-empurra”. A parlamentar ressaltou, entretanto, que “felizmente, não houve ferimentos graves”.

Na mesma manifestação, Divaneide informou que recebeu apoio da primeira-dama e da ministra das Mulheres. “A primeira-dama Janja da Silva manifestou solidariedade à deputada, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, prestou apoio e acompanhou pessoalmente a situação”, registra a nota. A parlamentar também agradeceu “a atenção e a solidariedade da ministra, bem como as inúmeras manifestações de apoio, carinho e acolhimento recebidas de mulheres de todas as regiões do Rio Grande do Norte”.

Apesar da repercussão do caso, a deputada afirmou que o episódio foi resolvido entre os envolvidos. “O episódio foi esclarecido entre os envolvidos e está superado”, diz a nota. Segundo ela, também ficou reafirmado o compromisso de fortalecer “os protocolos de cuidado e organização em atividades institucionais e atos públicos, para que situações como essa não voltem a ocorrer”.

Mesmo considerando o caso encerrado, Divaneide aproveitou a manifestação para relacionar o ocorrido ao debate sobre violência de gênero. Integrante da Secretaria Nacional de Mulheres do PT, ela afirmou que “episódios como este demonstram que o machismo ainda se manifesta nos mais diversos espaços da sociedade”, defendendo o fortalecimento de políticas públicas, instituições e mandatos voltados à promoção da igualdade e do respeito às mulheres.

O mesmo tom foi adotado pela direção municipal do PT. Na nota de solidariedade, o partido declarou que “não naturaliza nenhum tipo de violência e foi criado para combater todo tipo de opressão”. A legenda acrescenta que “a luta pelo fim da violência contra mulheres e pessoas negras é parte fundamental da nossa razão de existir e diante disso jamais nos calaremos, sempre repudiaremos”, manifestando “pleno apoio e irrestrita solidariedade” à deputada, descrita como “uma militante incansável e dedicada ao nosso Partido”.

No compromisso seguinte da agenda, Divaneide voltou a abordar o episódio, sem citar diretamente o ocorrido. Em discurso, afirmou que a situação reforçou sua convicção de que as mulheres não aceitarão novos episódios de intimidação. “Nós, mulheres, temos dito, em todos os lugares, que não seremos silenciadas nunca mais aqui, mas hoje eu quero dizer que não seremos silenciadas, mas também não seremos barradas nunca mais. As portas não vão se fechar para nós, ninguém ouse bater uma porta na frente de uma mulher negra”, declarou, segundo relato do jornal Folha de S. Paulo.

A passagem de Janja pelo Rio Grande do Norte integrou uma série de agendas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Antes de Natal, a primeira-dama participou de eventos semelhantes no Pará e no Ceará. O tema ganhou espaço na atuação do governo federal desde a assinatura, no início deste ano, do pacto nacional de combate ao feminicídio e deverá permanecer entre as principais bandeiras da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, diante do aumento dos indicadores de violência contra as mulheres no país.

Procurada, a primeira-dama Janja da Silva não comentou o assunto oficialmente.