Uma adolescente de 14 anos com deficiência intelectual foi vítima de estupro coletivo em São Paulo. O crime aconteceu em fevereiro deste ano, mas só veio à tona nesta quarta-feira 27, depois que a mãe da vítima reconheceu a filha em vídeos que passaram a circular em aplicativos de mensagens e redes sociais.
Segundo a Polícia Civil, a mulher procurou a Delegacia da Mulher após assistir às imagens. A partir do registro da ocorrência, investigadores iniciaram diligências e identificaram 12 adolescentes suspeitos de participação nos abusos. Todos são menores de idade.

De acordo com as investigações, os próprios envolvidos teriam filmado as cenas de violência sexual e compartilhado os vídeos pela internet. Os adolescentes foram ouvidos pela polícia, mas os depoimentos não foram divulgados porque o caso corre sob segredo de Justiça.
Até esta quinta-feira 28, nenhum dos suspeitos havia sido apreendido.
Investigadores informaram que a vítima possui diagnóstico formal de deficiência intelectual e apresenta limitações na fala, condição que agrava a vulnerabilidade da adolescente.
O inquérito policial deve ser concluído ainda nesta quinta-feira e encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que irá analisar possíveis medidas socioeducativas e eventuais pedidos de apreensão dos investigados.
Além de esclarecer as circunstâncias do crime, a Polícia Civil também tenta identificar como os vídeos foram disseminados nas redes sociais e aplicativos de mensagens.
O caso ocorre em meio ao crescimento dos registros de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Dados do Atlas da Violência 2026 apontam aumento expressivo desse tipo de crime na última década.
Segundo o levantamento, os registros de estupro envolvendo crianças de até 4 anos passaram de 1.671 casos em 2014 para 7.845 em 2024, crescimento de 369,5%. Entre vítimas de 5 a 14 anos, os casos saltaram de 6.594 para 29.135 no mesmo período, alta de 341,8%.