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Entrevista
“A crise está no nosso DNA”, diz publicitário Pedro Ratts
Na lista dos principais publicitários de Natal, o homem que dá seus dois nomes à agência que completará este ano 19 anos fala sobre o que pensa da pandemia, que jogou a economia no chão e testa os nervos dos empresários
Redação
03/07/2020 | 04:48

“Entre acertos e erros, bem mais acertos do que erros, conquistamos nosso espaço no mercado”. Com essas palavras, o publicitário Pedro Ratts comemorou no ano passado os 18 anos da agência que leva seus dois sobrenomes, a “Ratts Ratis”.

Satisfeitos com os resultados de um ano duro, mas com muitas recompensas, ele só não imaginaria a hecatombe que estava por vir com a pandemia do novo coronavírus.

Mas quem pensa que isso abateria o ânimo do empresário, que se orgulha em dizer que atende pessoalmente seus clientes, está enganado. “A crise está em nosso DNA”, proclama.

Nesta entrevista, Ratts também demonstra um dos fortes de sua personalidade: a ética ao falar da concorrência e do mercado.

AGORA RN – O senhor esperava comemorar agora em outubro os 19 anos de sua agência de propaganda, a Ratts Ratis, em meio à maior pandemia dos últimos 100 anos? Que reflexão essa situação sugere?

PEDRO RATTS – Acredito – e espero – que até outubro do próximo ano, quando completaremos duas décadas de vida, que já tenhamos superado a pandemia, seja pela chegada da vacina, seja pela imunização coletiva que a reduza a uma epidemia. A reflexão que a pandemia nos traz tem, mais a vez, na minha opinião, mais a ver com mudanças interiores do ser humano do que exteriores. Muita gente está olhando para o lado de fora, mas eu penso que o que vai mudar mais é o nosso lado de dentro, o nosso lado interior.

AGORA – Qual o rumo da atividade publicitária que o senhor enxerga daqui para frente para o mercado local? É possível que haja fusões ou pelo menos fortes acordos operacionais entre empresas concorrentes?

PR – As mudanças no segmento de propaganda por causa da pandemia serão menores do que, por exemplo, as causadas pelas redes sociais. Portanto, não acho que a pandemia irá causar mudanças diretas, mas indiretas sim, na medida em que mexe com a economia, com o lucro das empresas e, estes fatores sim impactam fortemente nos investimentos publicitários. Quando o caixa das empresas pega uma gripe, a verba de publicidade é quem espirra. Infelizmente, pois deveria ser o contrário, em regra. A publicidade vai ter de se reinventar mais uma vez, o que não é nenhuma novidade. Já faz parte do nosso DNA. Digo até que é na dificuldade que os publicitários se superam, pois nossa principal mercadoria é intangível e intocável: a criatividade.

AGORA – O dinheiro público tem irrigado tradicionalmente o faturamento das maiores agências potiguares. Acha que isso vai continuar depois dessa crise de saúde pública, com os cofres das administrações vazias?

PR – Em primeiro lugar, me permita discordar respeitosamente da forma desta pergunta. Não existe “dinheiro público irrigando” o faturamento das agências. Existem as agências, empresas prestadoras de serviço qualificado, e existem clientes públicos, que compram mediante licitações públicas e são auditadas pelos diversos órgãos de controle. Acho que o que sua pergunta quis saber é como as agências de um mercado tão pequeno como o nosso, em que as verbas públicas possuem um peso grande no budget do mercado, vão lidar com o empobrecimento dos orçamentos públicos. Eu te respondo que da mesma forma que os demais prestadores de serviço. Mercado pequeno depende muito de verba pública, sim, mas os órgãos públicos de um estado pequeno também dependem muito da capacidade de comunicação das agências, para poderem prestar contas à sociedade. Trata-se de um direito do cidadão previsto na Constituição, bem como também veicular mensagens e campanhas de utilidade pública. É um ciclo que se retroalimenta. Poder público anuncia, presta contas, cidadão consciente paga seus impostos, arrecadação aumenta, serviços públicos são ampliados, e anuncia-se de novo. Nada diferente da mesma lógica do mercado privado. Exceções a isso são pontuais. A regra é a competência das agências e o direito constitucional de fazer propaganda.

AGORA – Em que medida as agências podem se reinventar para passar pela crise?

PR – Não posso responder por todos e nem ter a petulância de indicar caminhos para nossas colegas de mercado. Mas aqui, na Ratts Ratis, faremos o que sempre fizemos: criatividade, estratégia e envolvimento do dono, eu, em todas as estratégias. Cliente da Ratts é atendido pelo dono. Quem não gosta disso? Não queremos ser muito grandes, queremos ser competentes.

AGORA – A comunicação da atual gestão estadual tem sido eficiente, na sua opinião?

PR – Não me sinto credenciado para emitir essa opinião por dois motivos. O primeiro é ter sido secretário de Comunicação da gestão anterior, o que me impede por questões éticas de emitir minha opinião, no meu ponto de vista. E o segundo motivo é que a minha agência atualmente não mantém contrato com o Governo do RN. Portanto, isso também nos descredencia a emitir essa opinião. Agora, falando como cidadão, o sentimento que tenho é que nenhum governo estadual consegue ter a fórmula para agir na maior pandemia da história do País e do mundo. Quem está aqui de fora acha que é fácil. Quem está lá no meio da guerra é que sabe onde o calo aperta. Tenho várias ideias, claro, para sugerir, mas só daria se me fosse solicitado, em respeito a quem está à frente da batalha. Desejo que todos os gestores de comunicação consigam fazer o seu melhor. Torço por todos.

AGORA – Em poucas palavras, que mensagem o senhor daria ao mercado publicitário local, sejam eles anunciantes, veículos e a própria concorrência?

PR – Aos anunciantes, que façam como os grandes CEOs mundiais e nacionais: na crise, anunciem em dobro, contratem boas agências, que tenham estratégia criativa. Aos veículos, que sejam sempre parceiros das agências e que facilitem ao máximo que puderem o pagamento aos clientes, pra ser mais um elemento motivador para os anunciantes. E para meus concorrentes, desejo que seus negócios passem pela crise da melhor forma possível.

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