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Redes sociais

10 anos de “Todo Natalense”: influenciador Mateus Angelo comenta “bairrismo” potiguar

Mateus é sucesso no ambiente virtual e comanda página sobre as peculiaridades natalenses
William Medeiros
24/12/2021 | 09:23

Trilhando um caminho de 10 anos de atuação e somando mais de 500 mil seguidores – juntando Facebook e Instagram – o perfil Todo Natalense é um dos mais famosos veículos de comunicação no cenário de produção de conteúdo digital do Rio Grande do Norte. O responsável por tudo isso é o influencer potiguar Mateus Angelo. Em entrevista à revista Cultue, o jovem detalhou a própria trajetória e os resultados do trabalho realizado no ambiente digital.

Segundo Mateus, o Todo Natalense surgiu de uma “lacuna” que, para ele, é a falta de apreço pelo bairrismo e pela identidade local. O perfil ajudou a popularizar assuntos da cultura do povo potiguar, como as gírias, a música e até a história de personagens ilustres como Câmara Cascudo e Dona Militana. O trabalho começou no Facebook abordando características essenciais de quem mora no Rio Grande do Norte, sempre usando uma linguagem bem-humorada.

10 anos de "Todo Natalense": influenciador Mateus Angelo comenta "bairrismo" potiguar - Agora RN
Mateus Angelo é mente por trás do "Todo Natalense". Foto: Divulgação

Com os conteúdos, a página não só caiu na boca do público, mas participou ativamente de momentos importantes e históricos, como o protesto da “Revolta do Busão”, realizado em 2012. Mateus contou que, na época, o veículo foi um dos principais divulgadores do evento e mostrou a força das redes sociais. “Foi um divisor de águas”, acrescentou ele.

Produção de conteúdo digital no RN – Eu estou há 10 anos nesse meio. Então, eu vi toda evolução acontecer de fato. Desde quando era algo desacreditado, que a galera não acreditava, não queria pagar, não queria contratar. Não é nem não querer, é não conhecer, né?! Era algo que a galera não conhecia, a galera que eu falo são os empresários. Mas, graças a Deus, hoje, temos a popularização do Instagram, do Facebook, do TikTok, Kawaii, diversas redes sociais se popularizaram muito. Hoje todo mundo tem, até minha avó tem. É um start. Às vezes, a gente vai criando um conteúdo, [viralizando] conteúdo… eu, particularmente, não crio com a pretensão de “esse aqui vai ser um fenômeno”. Eu crio achando legal, que o povo vai gostar, e às vezes viraliza. Tem vídeo meu que bateu 5 milhões de views, sendo que eu nunca esperava. Então é isso aí. É criar. Criar, fazer, ser original.

Fama – Cara, o “tô famoso” é recente. Uma coisa absurda de gente batendo foto comigo. Recentemente, também no Carnatal. Acho que é gradativo, mas acho que é o meu melhor momento, até porque eu estou na TV, nos comerciais, eu tô em busdoor, tô em encarte, tô em jornal. Então, eu passei a ser multiplataforma e estar em todo o lugar. Para se alcançar desde a dona Severina da cantina até o jovem. No entanto, acho que é muito recente. Ontem eu fui para um restaurante e, de boa, o garçom já me conheceu, já pediu uma foto, o médico falou comigo. Realmente, acho que o “famoso” é uma palavra muito forte, famoso é aquele cara que não tem paz. Tem gente que não tem paz. Mas, eu já recebo carinho como se as pessoas se sentissem como meus amigos.

Críticas – Recentemente, eu fui muito atacado nas redes sociais por ter ido ao Carnatal. Porque eu divulguei o “fique em casa”, no pico da pandemia, e nessa retomada dos eventos eu estou indo para muitos eventos. Não entendi porque fui atacado só por ir ao Carnatal. Mas aí entra o hater, já tem o nome do evento que é muito forte e tal. Só que, assim, eu lido muito com a forma do meu pensar, se está de acordo com o que eu penso e relacionado à minha ética… eu acredito na vacina, meu pensamento relacionado a essa polêmica é que acredito na vacina, estou vacinado, a maioria das pessoas que estão aí também está vacinada. Mesmo assim, a galera ignora totalmente o fato de ser um evento com as normas, respeitando as normas de vacinação e tudo. E que é uma oportunidade para atacar. Uma galera já tem uma raiva de mim, devido ser contra alguns posicionamentos meus. Então eu nem ligo tanto mais.

Todo Natalense – [Surgiu] inicialmente com a resenha, falando do bairro, falando do ônibus, falando da gíria… surgiu com essa pegada mais humor, que era algo do meu cotidiano na época, do meu convívio, e foi dando certo porque a galera sentia falta disso. Era algo que a população potiguar sentia falta, já que não conhecia sua história, suas raízes, não tinha orgulho e é muito fácil criar conteúdo porque, praticamente, eu pesco dentro de um aquário. Hoje tem mais páginas que falam sobre a cultura potiguar. Até os grandes veículos passaram a abordar um pouco mais, você vê em TV, você vê em jornal falando um pouco sobre. Mas, quando eu comecei, não se via um movimento sobre Natal e a sua história, sobre o Rio Grande do Norte e a sua história. Eu acho que o meu maior orgulho é isso. O Todo Natalense é muito importante para que, hoje, até a palavra “galado” não seja vista como um palavrão. Hoje, você vê as camisas, você vê a galera brincando com a palavra, ensinando para gringo. Com orgulho, o Todo Natalense tem uma parcela muito importante nisso, desse trabalho que a gente foi fazendo ao longo dos anos, de valorização do que é nosso.