Cada detento custou, em média, R$ 2.855 por mês ao sistema prisional do Rio Grande do Norte em 2025. O valor ficou acima da média nacional, de R$ 2.637,75, e foi quase duas vezes maior que o salário mínimo vigente no país naquele ano, de R$ 1.518.
Ao longo de 2025, o Rio Grande do Norte destinou R$ 362.684.804 para a gestão das unidades prisionais. Os dados são do painel Custo do Preso, atualizado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

No Brasil, os gastos totais com o sistema prisional chegaram a R$ 26,7 bilhões em 2025. O Amapá teve o maior custo médio por detento, de R$ 4.512 por mês. Já o Paraná registrou o menor valor, de R$ 1.529 mensais.
Custo por detento
| Local | Custo mensal por detento |
|---|---|
| Amapá | R$ 4.512 |
| Rio Grande do Norte | R$ 2.855 |
| Média nacional | R$ 2.637,75 |
| Paraná | R$ 1.529 |
O custo mensal registrado no RN corresponde a cerca de 1,88 vez o salário mínimo de 2025. Considerando os 12 meses do ano, o gasto médio equivale a R$ 34.260 por detento.
Gastos e encarceramento
Para Leonardo Sant’Anna, especialista internacional em segurança pública, o custo do sistema prisional envolve fatores que vão além da manutenção das unidades.
“Existem presídios que realmente carecem de recursos básicos, mas o problema nacional não se aplica apenas à falta de dinheiro. O Estado ainda está investindo muito mais em prender e manter as pessoas sob custódia do que em impedir que elas retornem ao sistema depois que são soltas”, analisa Sant’Anna.
Segundo ele, o modelo pode gerar impacto nas contas públicas caso não haja medidas para reduzir o retorno de pessoas ao sistema prisional.
Felippe Angeli, coordenador de advocacy da organização Justa, avalia que o aumento de penas e o investimento em ações ostensivas, sem medidas preventivas, contribuem para a continuidade do ciclo da violência.
“Se a gente desse saneamento, educação e oportunidade para o jovem, talvez seja um investimento que, no fim das contas, vai nos fazer economizar no outro lado da ponta”, conclui Angeli.
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