A duplicação da BR-304 começou a entrar em operação no Rio Grande do Norte nesta quarta-feira 30, com a liberação dos primeiros 12 quilômetros de nova pista entre Assú e Mossoró. O segmento, entre os quilômetros 94 e 106, integra o lote 1B, que prevê 57,6 quilômetros de intervenções e representa a primeira entrega de uma obra aguardada há décadas por municípios do Oeste e do Vale do Açu.
A rodovia funciona como um dos principais corredores para o transporte de cargas no Estado e conecta áreas produtoras do interior à Região Metropolitana de Natal e ao Ceará. Pelo eixo circulam produtos da fruticultura irrigada, sal marinho, petróleo e gás, além de mercadorias destinadas ao comércio regional. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também aponta a BR-304 como ligação para deslocamentos de longa distância entre cidades e capitais do Nordeste.

O lote entre Assú e Mossoró tem prazo de 36 meses para execução. O contrato prevê uma nova plataforma com canteiro central de sete metros, duas faixas de rolamento de 3,60 metros, acostamento interno de um metro e externo de 2,5 metros. O pavimento é de concreto, solução utilizada para suportar o fluxo de veículos e cargas pesadas.
Dados oficiais mais recentes do Ministério dos Transportes apontam aporte de R$ 388 milhões para os 57,6 quilômetros — valor atualizado em relação aos cerca de R$ 370 milhões informados quando a ordem de serviço foi assinada, em janeiro. O cronograma prevê que outros sete quilômetros de pista dupla sejam liberados até dezembro.
Para a governadora Fátima Bezerra, a abertura do primeiro segmento transforma em obra uma reivindicação de diferentes regiões do Estado. “Foi com o Novo PAC e com a decisão política de priorizar a infraestrutura que conseguimos tirar essa obra do papel e transformá-la em realidade”, afirmou durante a entrega.
O ministro dos Transportes, George Santoro, relacionou a duplicação à segurança viária e à movimentação da economia potiguar. Segundo ele, Mossoró concentra atividades ligadas à produção de sal e à exploração de petróleo e gás, enquanto a BR-304 também atende ao escoamento da fruticultura irrigada do Vale do Açu.
A ampliação da capacidade da rodovia busca ainda reduzir conflitos entre veículos pesados e o tráfego local. O contrato inclui a recuperação da ponte sobre o Rio Angicos e a construção de uma nova estrutura para atender à pista duplicada.

Novas frentes ampliam duplicação
A intervenção entre Assú e Mossoró é uma das frentes de modernização da BR-304. Outro lote contempla 38,1 quilômetros entre o fim da Reta Tabajara e Riachuelo, no Agreste. Os serviços desse segmento foram autorizados em maio e têm investimento de R$ 204,4 milhões, segundo o DNIT.
Somados, os lotes de 57,6 quilômetros no Oeste e de 38,1 quilômetros entre Tabajara e Riachuelo representam quase 96 quilômetros contemplados pelas principais frentes de duplicação. No trecho central, entre Assú e Lajes, o Ministério dos Transportes informou que os projetos estão concluídos e a intenção é incluir as obras no planejamento do próximo ano para permitir a licitação.
A proposta é avançar gradualmente sobre o corredor até ampliar a capacidade da ligação rodoviária entre as diferentes regiões potiguares. O DNIT considera a BR-304 uma via relevante tanto para o escoamento da produção agrícola e mineral quanto para a integração do Rio Grande do Norte com o Ceará e outros Estados. O prefeito de Assú, Lula Soares, afirmou que o Vale do Açu esperava pela duplicação havia décadas. “É uma obra que vai transformar nossa economia e que precisava da vontade política unida à força política para se tornar realidade”, declarou. Para os municípios cortados pela rodovia, a expectativa é de redução de gargalos no transporte e maior capacidade para receber o fluxo associado às atividades produtivas.
Investimentos chegam a R$ 1 bilhão avançam sobre malha estadual
A entrega ocorre em paralelo a investimentos nas rodovias estaduais que alimentam o corredor da BR-304. Nesta quarta-feira 30, o governo potiguar também programou entregas de trechos da RN-016, entre Assú e Carnaubais, e da RN-404, entre Carnaubais e Porto do Mangue.
Na primeira etapa do programa estadual de restauração, foram aplicados R$ 430 milhões na recuperação de cerca de 800 quilômetros. Consideradas as duas etapas e as parcerias com o Governo Federal, a previsão informada pelo Estado é superar 2,1 mil quilômetros de rodovias recuperadas, com investimentos previstos de R$ 1 bilhão.
A conexão entre as estradas estaduais e a BR-304 tem impacto direto sobre municípios produtores que dependem do transporte rodoviário para levar mercadorias aos centros consumidores, portos e demais corredores nacionais. No Oeste e no Vale do Açu, a infraestrutura atende atividades como fruticultura, sal, petróleo e gás, além do comércio entre municípios.
Criada durante a expansão da malha rodoviária federal na década de 1960, a BR-304 consolidou-se como eixo de ligação entre Natal, o interior potiguar e o Ceará. A atual intervenção altera gradualmente um corredor historicamente operado em pista simples e que passou a receber volumes maiores de automóveis e veículos de carga.
Com 12 quilômetros já abertos e outros sete previstos até o fim do ano, a duplicação entra agora em uma fase na qual os primeiros efeitos passam a ser percebidos pelos usuários. A conclusão dos demais lotes, porém, dependerá do cumprimento dos cronogramas, da execução orçamentária e das próximas contratações necessárias para estender a pista dupla pelos demais trechos do Estado.