O líder estadual do Cidadania, Wober Júnior, fez duras críticas ao ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e classificou como um “erro fatal” uma eventual decisão da federação PSDB/Cidadania de apoiar a pré-candidatura do ex-prefeito de Natal ao Governo do Rio Grande do Norte. A declaração foi dada em entrevista nesta terça-feira 7 ao programa Contraponto, da 96 FM.
Wober, que é ex-deputado estadual, afirmou que o Cidadania deverá tomar posição própria sobre a disputa pelo Governo, mesmo estando federado ao PSDB. Segundo ele, a ala majoritária do partido defende a continuidade da aliança com o PT e o apoio ao pré-candidato Cadu Xavier (PT). O dirigente disse considerar Cadu o nome mais qualificado no atual cenário, por conhecer as finanças do Estado, os projetos em andamento e os desafios administrativos do Rio Grande do Norte.

Apesar da fala de Wober, por integrarem uma federação, oficialmente, PSDB e Cidadania devem estar juntos no mesmo palanque na disputa eleitoral de 2026. Dentro da federação, o PSDB é majoritário, indicando 10 dos 13 membros do órgão no Rio Grande do Norte.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de o PSDB, comandado no Estado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, caminhar para o palanque de Álvaro Dias, Wober reagiu com críticas. “Álvaro Dias é o fim do mundo. É um candidato despreparado, um candidato que não tem compromisso com o Rio Grande do Norte, não tem compromisso com a honestidade da administração pública. Ele nunca se preocupou com isso. Ele enganou durante muito tempo. É um erro fatal. Isso é um escárnio para o Rio Grande do Norte”, afirmou.
Na avaliação de Wober, uma aliança da federação com Álvaro contrariaria a história política do PSDB e do Cidadania. Ele disse que respeita o direito do PSDB de fazer sua escolha, mas afirmou que defenderá internamente uma posição contrária ao ex-prefeito de Natal. Para o dirigente, Álvaro representa uma opção ligada à extrema direita e sem compromisso com o programa político dos dois partidos.
Wober também recorreu à gestão municipal de Natal para reforçar as críticas. Segundo ele, Álvaro recebeu a Prefeitura “quase que de presente” de Carlos Eduardo Alves, quando o então prefeito deixou o cargo para disputar o Governo, em 2018. Na época, Álvaro era o vice-prefeito. O dirigente disse que Álvaro ficou conhecido como “Odorico Paraguaçu”, referência ao personagem de Dias Gomes em O Bem-Amado, prefeito fictício de Sucupira marcado pela retórica demagógica e pela obsessão por inaugurações.
Ao fazer a comparação, Wober afirmou que Álvaro passou a ser visto como “o prefeito que não entrega as obras”. A crítica dialoga com um dos pontos mais explorados por adversários do ex-prefeito nos últimos meses, especialmente em relação a obras iniciadas ou inauguradas sem funcionamento pleno, como o Hospital Municipal de Natal, além de questionamentos sobre intervenções urbanas realizadas na capital.
O líder do Cidadania ainda acusou Álvaro de tratar mal as pessoas e de não ter propósito para governar o Estado. “É lamentável. Engana, trata mal as pessoas, dá chá de cadeira. É um cara sem nenhum propósito para governar o Rio Grande do Norte, e o Rio Grande do Norte vai conhecer isso”, disse.
Apesar do tom duro contra Álvaro, Wober adotou postura mais moderada ao falar sobre Allyson Bezerra (União). Ele definiu o prefeito de Mossoró como um candidato “mais de centro”, reconheceu que ele fez uma boa administração em Mossoró e avaliou que Allyson pode ser competitivo caso consiga escapar da polarização nacional entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na avaliação de Wober, porém, a eleição estadual tende a sofrer influência da disputa nacional. Ele afirmou que Lula é muito forte no Nordeste e lembrou que o presidente teve votação expressiva no Rio Grande do Norte em 2022. Por isso, avalia que Cadu pode se tornar um candidato mais competitivo caso a campanha estadual seja puxada para o confronto entre lulismo e bolsonarismo.
Mesmo diante da possibilidade de caminhos diferentes entre PSDB e Cidadania — embora oficialmente o Cidadania tenha de estar junto com o PSDB — Wober afirmou que a relação entre os partidos deve ser preservada dentro da federação. Segundo ele, há respeito mútuo entre as direções e espaço para diálogo, como ocorreu na eleição anterior, quando as legendas puderam adotar posições distintas sem romper a convivência interna.