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Política

Psol no RN fará reunião para decidir se terá candidato próprio ou apoiará Cadu

Partido tem resolução definindo que terá candidaturas próprias ao Governo e ao Senado, mas presidente da legenda afirma que é preciso reavaliar o cenário
Tiago Rebolo
27/02/2026 | 05:05

O diretório do Psol no Rio Grande do Norte agendou uma reunião para o dia 6 de março para decidir qual será o posicionamento da legenda na disputa eleitoral deste ano. O partido avalia dois caminhos distintos: ter candidaturas próprias ao Governo do Estado e ao Senado ou declarar apoio à chapa formada por Cadu Xavier (PT) para o Governo e Fátima Bezerra (PT) para o Senado.

Em julho de 2025, o partido aprovou uma resolução, por unanimidade, definindo que teria candidaturas próprias ao Governo e ao Senado. O documento foi ratificado em dezembro. Mas, segundo o presidente estadual da sigla, Sandro Pimentel, é preciso reavaliar o cenário.

Presidente do Psol no RN, ex-deputado estadual Sandro Pimentel convocou reunião do diretório para 6 de março - Foto: José Aldenir/Agora RN
Presidente do Psol no RN, ex-deputado estadual Sandro Pimentel convocou reunião do diretório para 6 de março - Foto: José Aldenir/Agora RN

“A política é muito dinâmica. Hoje pode ter uma decisão e amanhã, outra. A política precisa ser analisada com bastante critério e responsabilidade. O Psol tem tido muita responsabilidade, e não será diferente agora”, declarou Sandro, em entrevista ao AGORA RN.

O dirigente reforça que as circunstâncias políticas e eleitorais sofreram mudanças desde a última reunião deliberativa. “Da última resolução para cá, alguns meses se passaram, a conjuntura mudou. A gente continua com a mesma decisão ou a gente mantém? Se vai mudar, por que será? Vamos decidir e anunciar isso”, destaca.

O diretório do Psol tem 17 membros no RN. Sandro Pimentel explica que, depois de o partido tomar sua decisão internamente, uma outra reunião será realizada com a Rede Sustentabilidade. As duas legendas mantêm uma federação e precisam estar juntas no mesmo projeto eleitoral em 2026.

O presidente estadual afirma que, nacionalmente, o Psol já fechou entendimento de que vai apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que facilita as negociações com o PT no RN. “Quando se tem uma aliança nacional, abre-se um leque de aproximação muito maior”, enfatiza Sandro.

Reunião com o PT

Na última segunda-feira 23, a governadora Fátima Bezerra e o secretário da Fazenda, Cadu Xavier, se reuniram com um grupo de representantes de partidos de esquerda para discutir a tática eleitoral do grupo para as eleições de 2026. O Psol foi convidado para o encontro, mas não enviou representantes.

À imprensa, o PT havia informado que o Psol faz parte do grupo e que o presidente Sandro Pimentel não foi à reunião porque estava em viagem. A informação surpreendeu membros do partido que reafirmam a validade da resolução sobre candidatura própria.

De acordo com Sandro Pimentel, a participação do Psol na reunião não significa uma adesão imediata às candidaturas de Cadu e Fátima. “Não tenho problema de participar de reunião com um bloco de esquerda. Participar não significa assumir compromissos”, afirmou.

Ao todo, participaram do encontro representantes dos seguintes partidos: PT, PV, PCdoB, PSB, PDT, Cidadania e Rede — que tem a federação com o Psol. Durante o encontro, a governadora pediu aos partidos aliados que indiquem membros para uma comissão que será responsável por montar o plano de governo do candidato do PT.

Ala do partido critica governo Fátima e defende candidaturas próprias

Uma ala do Psol defende a manutenção da resolução que está em vigor. Eles criticam a gestão da governadora Fátima Bezerra e sustentam que a legenda deve ter candidaturas próprias ao Governo e ao Senado em vez de apoiar Cadu e Fátima. Esse grupo tem, entre outros integrantes, o ex-vereador de Natal Robério Paulino.

Psol
Comitiva de filiados em entrevista ao AGORA RN nesta quinta-feira 26 – Foto: José Aldenir/Agora RN

“A nossa defesa é da completa manutenção da resolução em vigor. Na maior parte dos estados, a decisão é lançar candidato a governador. Não tem por que ser diferente aqui no RN. E é o que está acontecendo em vários estados: o Psol apoia o Lula, mas vai lançar candidato ao governo”, afirma Robério, citando o caso da Bahia, onde o Psol anunciou a candidatura ao governo de Ronaldo Mansur, militante do MTST.

Em entrevista ao AGORA RN nesta quinta-feira 26, uma comitiva de filiados defendeu que a resolução não seja alterada. O grupo é formado, além de Robério Paulino, por Santino Arruda, Rodrigo Tomazini, José Wilson e Cícero Che. Todos reiteraram o argumento de que o partido deve ter candidaturas próprias.

Eles reforçam também que têm críticas à gestão de Fátima Bezerra, especialmente em áreas como a educação. “Nós não pretendemos fazer disso o centro da campanha. Nosso objetivo é enfrentar a direita. Mas temos restrições críticas ao governo Fátima e defendemos um programa independente”, destaca Robério.

O grupo critica, ainda, o atraso da direção estadual do Psol em avançar com a discussão dos nomes para a disputa eleitoral. Eles preparam um documento para pedir que as tratativas sejam aceleradas para que o Psol tenha um nome competitivo na disputa. “Nós estamos atrasados. Éramos para estar discutindo nomes, programas”, afirma Rodrigo Tomazini.