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Eleições 2026

Plano de Cadu integra desenvolvimento e direitos, mas evita metas e o tamanho da crise fiscal

Programa apresenta visão articulada para o Estado e dá destaque à inclusão social, porém não detalha custos, prazos nem medidas concretas para enfrentar o déficit previdenciário
05/08/2026 | 14:38

O plano de governo de Cadu de Lula, Cadu Xavier (PT), é o mais conceitual entre os três programas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o Governo do Rio Grande do Norte. Com 74 páginas, o documento organiza 13 eixos e 52 diretrizes estratégicas, conectando desenvolvimento econômico, direitos, cuidado, sustentabilidade, inclusão e modernização do Estado.

A coerência entre essas áreas é o principal ponto forte do programa. O texto procura mostrar como emprego, educação, saúde, proteção social, ambiente, igualdade racial e políticas para mulheres e população LGBTQIA+ devem funcionar de maneira integrada. A fragilidade está na tradução dessa visão em entregas: faltam custos, metas numéricas, prazos intermediários e medidas concretas para enfrentar a crise fiscal e previdenciária.

Após mais de sete anos à frente da equipe econômica estadual, Cadu Xavier enfrenta a pressão eleitoral provocada pela crise fiscal do GoveRio Grande do Norteo do RN
Cadu Xavier, candidato do PT ao Governo do RN - Foto: Reprodução

O ponto forte do plano de governo de Cadu de Lula

Cadu apresenta a continuidade do ciclo Fátima Bezerra–Lula como escolha política e administrativa. O programa afirma que pretende aprofundar políticas em andamento e usa a parceria com o Governo Federal como componente estrutural da execução. Novo PAC, Nova Indústria Brasil e Plano de Transformação Ecológica aparecem como referências para investimentos e desenvolvimento.

O documento se diferencia ao criar eixos próprios para igualdade racial e população LGBTQIA+, além de políticas para mulheres, juventude, assistência, acessibilidade e comunidades tradicionais. Fala em Estado antirracista, liberdade religiosa, proteção contra a violência, saúde integral, autonomia econômica, participação e respeito à diversidade.

Na administração, propõe serviços digitais proativos e, quando adequado, preditivos, interoperabilidade, princípio da informação única, inteligência artificial com proteção de dados, prevenção de vieses e revisão humana. É o desenho mais sofisticado dos três planos no tratamento conceitual da tecnologia pública.

Na economia, Cadu relaciona energia limpa, minerais estratégicos, digitalização, industrialização, fornecedores locais, emprego de qualidade, agricultura, economia do mar e turismo. A proposta é avaliar investimentos não só pelo valor aplicado, mas também pelos efeitos sobre empregos, territórios, inclusão social e ambiente.

Onde o programa fica genérico

O texto descreve com frequência como o Estado deve funcionar, mas raramente informa qual programa será criado, quantas pessoas serão atendidas, quanto será gasto ou quando a entrega ocorrerá. Os resultados são projetados para “o final do governo”, sem cronograma que permita conferir o avanço ano a ano.

Na saúde, por exemplo, o plano organiza o atendimento pelo percurso do usuário, com regulação baseada em risco, redes regionais, atenção primária, saúde mental comunitária, telessaúde, transporte sanitário e integração de dados. Não fixa, contudo, prazo máximo de espera, número de procedimentos, unidades prioritárias ou capacidade adicional.

Na educação, defende aprendizagem, permanência, ensino integral, inclusão, valorização profissional, infraestrutura, educação técnica, fortalecimento da Uern e da Fapern e uso ético da inteligência artificial. Faltam metas de Ideb, quantidade de escolas em tempo integral, expansão de matrículas técnicas e calendário de obras.

Na segurança, concentra-se em prevenção territorial, inteligência, integração, proteção de vulneráveis e valorização institucional. O documento promete redução de mortes e crimes, mas não estabelece índice, prazo, efetivo, investimento ou programa operacional.

A crise fiscal é a maior omissão

Cadu fala em responsabilidade fiscal, qualidade do gasto, administração tributária eficiente, operações de crédito, planejamento ligado ao orçamento e capacidade de investimento. Mas não apresenta diagnóstico explícito da dívida, do caixa, da despesa com pessoal nem do déficit da Previdência estadual.

A lacuna é relevante porque o TCE-RN informou déficit atuarial previdenciário de R$ 54,3 bilhões e determinou medidas estruturantes. O Relatório de Gestão Fiscal de 2025 também registra pressão sobre caixa, dívida e despesas obrigatórias.

Como candidato da continuidade, Cadu precisará explicar não apenas o que pretende ampliar, mas o que corrigirá no legado atual. A dependência de programas e bancos públicos federais pode favorecer a captação se o alinhamento político produzir recursos; ainda assim, o plano não informa como reagiria a atrasos, mudanças de prioridade em Brasília ou insuficiência de financiamento.

Visão articulada precisa virar compromisso mensurável

O plano de governo de Cadu de Lula se destaca pela integração entre desenvolvimento e direitos e pela atenção a grupos pouco detalhados nos programas adversários. Para o eleitor conseguir cobrar resultados, porém, as 52 diretrizes precisam ser convertidas em programas nomeados, metas anuais, custos e fontes.

A pergunta central é simples: quais entregas concretas nascerão de cada eixo e qual será a prioridade se o caixa estadual não permitir fazer tudo? Sem essa resposta, uma visão politicamente coerente continua distante de um contrato verificável.

O programa completo está disponível no portal oficial do TSE. O AGORA RN também publicou a reação em que Cadu atacou Allyson e associou o adversário às “velhas elites”.

Esta reportagem considera exclusivamente o programa protocolado no TSE. A análise de viabilidade aponta informações ausentes no documento e não significa que uma proposta seja impossível de executar.