O ex-deputado estadual Sandro Pimentel (Psol) alfinetou, nesta segunda-feira 20, o ex-deputado federal Rafael Motta (PDT), seu concorrente na disputa pelo apoio do PT à segunda vaga para o Senado. Ao defender a aproximação entre petistas e sua candidatura, Sandro ressaltou que nenhum integrante do Psol votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), aprovado em 2016 com o apoio de Rafael.
“Se o PT decide que vem nos apoiar, será uma honra para nós. De nossa parte, estamos resolvidos. Nós temos as nossas candidaturas e será muito importante, muito bom. Afinal de contas, no Psol, ninguém votou a favor do impeachment da Dilma”, declarou Sandro.
Ex-deputado estadual Sandro Pimentel, pré-candidato ao Senado pelo Psol / Ex-deputado federal Rafael Motta (PDT) enfrenta resistência interna no PT - Foto: João Gilberto / ALRN / Instagram / Reprodução
Logo após a referência ao processo de impeachment, o ex-deputado negou que estivesse dirigindo a declaração a um adversário específico.
“Não estou mandando recado para ninguém, mas ninguém votou.”
A declaração ocorre em meio à divisão interna da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, sobre a composição da chapa governista ao Senado. A vereadora de Natal Samanda Alves (PT) deverá ocupar a primeira vaga, enquanto a segunda candidatura segue em disputa.
Parte do PT defende o apoio ao ex-deputado federal Rafael Motta (PDT), mas setores ligados à deputada federal Natália Bonavides (PT) articulam para que a segunda vaga seja ocupada pelo Psol, com Sandro Pimentel.
Rafael Motta era deputado federal em 2016 e votou favoravelmente à abertura do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A posição tem sido utilizada por adversários internos como argumento contrário à sua participação na chapa da esquerda. Também há resistências relacionadas à eleição de 2022, quando Rafael disputou o Senado contra o então candidato apoiado pelo PT, o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, o que dividiu votos no campo progressista e contribuiu para a eleição de Rogério Marinho (PL).
Relação com o PT
Sandro afirmou que receberia com satisfação uma decisão formal do PT em favor de sua candidatura e ressaltou a relação histórica que mantém com a legenda, da qual foi filiado durante dez anos antes de participar da fundação do Psol.
“A nossa relação com o PT sempre foi muito boa. Eu vim do PT, inclusive, onde fui filiado dez anos. Saí deixando muitos amigos, muita gente boa, muita gente militante. A relação com o PT é muito boa.”
Segundo ele, a saída do partido ocorreu por divergências políticas, e não por rompimento pessoal com dirigentes ou militantes. Sandro relatou que decidiu deixar o PT quando o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou o espaço concedido a representantes do agronegócio e do empresariado.
O pré-candidato também elogiou o processo de debate interno da legenda.
“Democraticamente, isso é bom. O processo de discussão interna é fortalecimento da democracia. Eu não queria estar num partido onde tem quem manda e quem obedece.”
Sandro comparou esse modelo ao funcionamento interno do Psol, partido que preside no Rio Grande do Norte e no qual também integra a direção nacional.
“Eu sou presidente estadual, dirigente nacional, mas o meu voto é um voto. Então, se eu levantar uma ideia, uma proposta, vai ser votada. Se eu não ganhar em número de votos internamente, não passa. Não tem quem manda e quem obedece.”
Candidatura será mantida
A definição do PT deverá ocorrer antes da convenção do Psol. A convenção da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, está marcada para sábado 26, enquanto a federação Psol/Rede realizará sua convenção no domingo 27.
“Se eles tomarem essa decisão de que o segundo voto do PT seja o Psol, para a gente vai ser motivo de muito orgulho, muita satisfação. Sejam muito bem-vindos, serão muito bem aceitos.”
Questionado sobre as chances de conquistar o apoio petista, Sandro respondeu:
“Acredito que sim.”
Ao mesmo tempo, afirmou que respeitará qualquer decisão da direção do PT.
“Independentemente da decisão que o PT tome, a gente vai respeitar. Obviamente, é um outro partido, seja favorável ou não seja. Enfim, a democracia é assim.”
O pré-candidato acrescentou que uma eventual decisão oficial em favor de Rafael Motta não impediria que militantes petistas apoiassem sua candidatura.
“As direções tomam as suas decisões. Isso serve para o PT, serve para o Psol, serve para qualquer partido. Mas a militância não está obrigada a seguir.”
Apesar da referência ao impeachment de Dilma Rousseff, Sandro evitou ampliar as críticas ao adversário.
“Eu não queria falar sobre outras candidaturas. Essa é uma querela deles.”
Ele reafirmou que manterá a candidatura ao Senado independentemente da posição do PT.
“Espero que seja uma decisão de que o segundo voto seja do Psol. Mas, se não for, eu quero abraçar toda a militância que estiver disposta a garantir esse segundo voto aqui do Psol”, concluiu.
