BUSCAR
BUSCAR
Polêmica

Marqueteiro do RN diz que IA vai dominar eleições 2026: ‘Quem não usar está morto’

Fundador da Fácil Comunicação e da Persona Marketing, Alan Oliveira defende criação de núcleos dedicados à tecnologia, alerta para explosão de deepfakes e afirma que emoção e presença humana seguirão decisivas na disputa eleitoral
Redação
25/02/2026 | 06:00

O político que não utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) na campanha eleitoral de 2026 “está morto”. A frase é do marqueteiro potiguar Alan Oliveira, fundador do grupo Fácil Comunicação e da Persona Marketing.

Com 45 campanhas vitoriosas no portfólio, o estrategista acredita que a próxima disputa eleitoral será o grande divisor de águas da comunicação política no Brasil, com a IA ocupando papel central tanto na construção quanto na desconstrução de candidaturas.

Alan Oliveira Marketing Politico Central Agora RN (25)
Alan Oliveira, da Fácil, tem mais de 45 campanhas vitoriosas no portfólio - Foto: José Aldenir/Agora RN

“Quem não usar a IA na campanha de 2026 está morto. Ele não vai conseguir competir e acompanhar o ritmo que hoje a inteligência artificial tem e que faz o processo ser muito mais rápido, assertivo e otimizado”, afirma Alan, em entrevista ao AGORA RN.

Segundo o consultor de comunicação, a inteligência artificial não deve ser vista como ameaça pelos profissionais da área, mas como ferramenta indispensável de competitividade. “A IA chegou como uma aliada, não é adversária nossa para quem trabalha com comunicação.”

Com os pré-candidatos movimentando suas redes sociais e participando de atos públicos, Alan destaca que a disputa eleitoral efetivamente já começou, mesmo antes do período oficial de campanha, que só terá início em agosto. O marqueteiro enfatiza que quem não estiver estruturando equipe, testando ferramentas e montando estratégia ficará para trás.

A fase atual é de experimentação intensa. Diversos grupos políticos já estão “azeitando a máquina” para não serem surpreendidos quando a campanha estiver oficialmente nas ruas. “Quem achar que não precisa dela, lá na frente, não vai conseguir acompanhar o ritmo das guerrilhas, das militâncias digitais, para formar opinião e vencer a eleição”, argumenta.

Ele aponta que a ausência de regulamentação clara amplia a sensação de terreno instável. Por isso, para o marqueteiro, o momento é de testar. “Hoje, não ter a inteligência artificial regulamentada deixa todos nós numa situação sem controle. Então, cada um está testando, criando a sua estratégia, montando os seus exércitos.”

O risco de exagerar e perder a identidade

Apesar do entusiasmo com as possibilidades da IA, o marqueteiro faz um alerta sobre os riscos de artificializar demais a imagem do candidato. “É bom só ter um cuidado para não mascarar, de não deixar aquela pessoa uma máquina e o que seria divertido se tornar ridículo”, acrescenta.

Ele afirma que nem toda estratégia de comunicação serve para todo perfil político. Ele declara que a empolgação com a IA pode fazer políticos abalarem uma reputação de décadas. “A nem todo mundo é possível aplicar todas as estratégias, ferramentas, memes. Tornar aquela pessoa mais engraçada, ridicularizar e querer ser jovenzinho pode ser um grande tiro no pé”, ressalta.

Na avaliação dele, a mecanização excessiva pode destruir o principal ativo de uma candidatura: a autenticidade dos candidatos.

“Há políticos que têm a característica de uma comunicação mais humana. Ele humaniza, conta histórias, está perto do eleitor dele, da população. Se você mecanizar e industrializar demais, com inteligência artificial, você vai perder a maior identidade que aquele político tem, que é o humano que ele é”, destaca o marqueteiro.

Ele cita dois casos de políticos bem sucedidos nas redes para mostrar que nem todos precisam usar a mesma fórmula. De um lado, o prefeito do Recife (PE), João Campos (PSB), usa uma comunicação considerada mais “humana”, com pouca IA. De outro, o prefeito de Florianópolis (SC), Topázio Neto (PSD), usa bastante tecnologia em suas redes.

Deepfakes e fake news: o lado sombrio

Se a IA é ferramenta de competitividade, também é instrumento de ataque. Alan Oliveira afirma que a produção de conteúdos falsos deve crescer de forma exponencial em 2026. Ele alerta que a IA vai acelerar a disseminação de desinformação.

Segundo Alan, o volume de desinformação tende a ser impossível de conter. “A quantidade de deepfakes que vai acontecer para as eleições desse ano é imparável.” Ele ainda cita um dado alarmante: “A gente tem a cada 60 segundos cerca de 18 fake news no Brasil.”

Além disso, o marqueteiro menciona que já existem perícias digitais identificando conteúdos manipulados. Isso pode ser ruim mesmo que o conteúdo não seja depreciativo sobre o político. “As perícias digitais começam a constatar alguns políticos que têm gravado bastante conteúdos com inteligência artificial. Isso, para a imagem, é muito ruim, porque pode mostrar que aquele candidato é fake.”

Para ele, o impacto na reputação pode ser devastador. “Se isso cair na boca do eleitor, ele começa a perceber o que aquela pessoa, aquele político não é de verdade. Ele não vai aceitar que foi feito com inteligência artificial.”

IA nas pesquisas e na estratégia

Alan Oliveira afirma que a inteligência artificial já está sendo incorporada aos diagnósticos eleitorais, especialmente nas pesquisas qualitativas e quantitativas. “As pesquisas hoje estão cada vez mais com cruzamentos com inteligência. A IA está dentro do processo das pesquisas quantitativas e qualitativas. Isso tem nos ajudado.”

Segundo ele, a IA potencializa análises, mas não substitui metodologias tradicionais. “Essa, para mim, ela é insubstituível. Jamais pode substituir essa metodologia. Principalmente quando a gente fala nessa fase agora de pesquisas qualitativas.”

Ele defende a criação de núcleos especializados nas agências de publicidade e marketing político. “As equipes precisam se comunicar, as agências precisam se preparar cada vez mais, criar núcleos de IA para essa fase fundamental.”

Outro ponto destacado é a velocidade. Ferramentas surgem e se tornam obsoletas em questão de semanas. “Ferramenta, novidade na inteligência artificial surge todos os dias. O que era novidade em dezembro, mudou em janeiro, mudou em fevereiro e está mudando todos os dias.”

Para Alan, quem não tiver equipe treinada perde competitividade e pode até perder contratos. “Se você não tem uma equipe preparada, daqui que a equipe ligue o botão e anote a placa de quando vai colocar isso na rua, o seu cliente vai olhar e vai dizer: ‘olha, não preciso mais’.”

A emoção continua insubstituível

Mesmo afirmando que a IA pode dominar até metade do movimento eleitoral, Alan sustenta que a decisão final permanece humana. “A grande sacada para as eleições desse ano é entender que a emoção é insubstituível na comunicação.”

Ele conclui reforçando que tecnologia e presença física não competem, mas se complementam. “O modelo tradicional, o antigo, de estar perto do eleitor, conversando com ele, tomando café com ele, ouvindo, parando para dar atenção à pessoa perto, isso é insubstituível.”

E finaliza com a frase que sintetiza sua visão sobre o limite da tecnologia na política: “Quem vai apertar o voto no dia 4 de outubro não é máquina, é gente.”