BUSCAR
BUSCAR
Política

Críticas a Rogério Marinho ampliam tensão interna na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

Aliados de Flávio Bolsonaro criticam centralização do senador potiguar e atribuem a ele parte da crise interna na pré-campanha presidencial
Por O Correio de Hoje
26/05/2026 | 14:37

A condução da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro vem provocando tensão crescente dentro do PL. O principal alvo das críticas internas é o senador Rogério Marinho, coordenador-geral da campanha, acusado por aliados de centralizar decisões e ampliar os ruídos políticos após a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Reportagens da Veja, do Valor Econômico e do UOL mostram que a insatisfação alcançou parlamentares e integrantes da cúpula do partido. Nos bastidores, Marinho passou a ser chamado de “CEO da campanha”, numa referência ao estilo considerado centralizador por aliados do pré-candidato.

flavio e rogerio foto carlos moura senado
Escolhido para coordenar a pré-campanha presidencial, Rogério Marinho passou a enfrentar resistência de setores do partido - Foto: Carlos Moura / Senado

As críticas se intensificaram após mudanças anunciadas na estrutura de comunicação da campanha. Na segunda-feira 25, a coordenação divulgou a substituição do publicitário Marcello Lopes pelo jornalista Alexandre Oltramari no comando da comunicação e do marketing político. Ao mesmo tempo, foi anunciada a entrada do empresário e publicitário Eduardo Fischer como “consultor estratégico da comunicação”, responsável pela definição das diretrizes e do posicionamento da campanha.

A escolha de Fischer gerou desconforto entre aliados de Flávio Bolsonaro, principalmente pela avaliação de que ele teria pouca experiência em campanhas eleitorais recentes. Ex-sócio de Roberto Justus na agência Fischer & Justus, Fischer ficou conhecido por campanhas publicitárias no mercado cervejeiro e atuou na campanha presidencial do ex-senador paranaense Álvaro Dias em 2018, quando o então candidato terminou a disputa em 9º lugar.

Segundo relatos publicados pelo Valor Econômico, integrantes do partido avaliam que um profissional de marketing político precisa “entender de política” para conduzir uma campanha presidencial. Parte das críticas também mira o fato de Rogério Marinho interferir em áreas consideradas fora de sua atribuição, como gestão de crise, comunicação, marketing, assessoria de imprensa, agenda do candidato e até temas jurídicos.

Apesar das críticas, aliados reconhecem a capacidade de articulação política do senador potiguar, especialmente na negociação de alianças regionais e montagem de palanques estaduais. O problema, segundo interlocutores ouvidos pelas reportagens, estaria na forma como a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vem sendo administrada.

Nos bastidores do PL, a avaliação é de que o senador reagiu de maneira errática desde a divulgação do áudio em que aparece tratando de um pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, produção ligada à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. As explicações dadas por Flávio foram consideradas fragmentadas e insuficientes até por aliados.

Inicialmente, o senador afirmou não ter contato com Vorcaro. Depois, surgiram gravações indicando que ele teria omitido informações sobre recursos ligados ao banqueiro. Mais tarde, Flávio admitiu que esteve na casa do empresário após a operação da Polícia Federal realizada contra o Banco Master em novembro de 2025.

A crise também resultou na saída de Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”, amigo próximo da família Bolsonaro e homem de confiança do grupo político há anos. Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo UOL, Lopes divergiu de Rogério Marinho sobre a estratégia adotada para lidar com a repercussão do caso Dark Horse, o que contribuiu para seu desligamento.

A saída do marqueteiro provocou reações dentro do bolsonarismo. O advogado e empresário Fabio Wajngarten manifestou apoio público a Marcello Lopes nas redes sociais, afirmando que ele foi alvo de “ataques covardes” e de uma operação de desgaste dentro da própria campanha.

Outro movimento que ampliou a tensão interna foi a mudança de função do assessor de imprensa Rodrigo Saccone, considerado homem de confiança de Rogério Marinho. Após o anúncio das alterações, ele deixou a assessoria direta da campanha e passou a atuar ligado à coordenação-geral.

Além das divergências sobre comunicação, parlamentares do PL também reclamam da dificuldade de acesso a Flávio Bolsonaro e da falta de informações prévias sobre compromissos do pré-candidato. Deputados e senadores que dependem do apoio político do filho de Jair Bolsonaro afirmam que agendas e decisões têm sido concentradas em um núcleo reduzido.

As queixas já chegaram ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Entre integrantes da legenda, há avaliação de que o endurecimento da coordenação ocorre justamente num momento em que Flávio tenta construir uma imagem mais moderada e ampliar pontes políticas para além do núcleo bolsonarista tradicional.

Procurados pelas reportagens, Rogério Marinho, Eduardo Fischer, Alexandre Oltramari e integrantes da coordenação da campanha não comentaram o assunto.