Um homem apontado como ex-integrante do Mossad, o serviço de inteligência de Israel, estava numa das vans que cruzaram a fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na Argentina, na noite em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou a América do Sul rumo aos Estados Unidos, conforme divulgado na imprensa no domingo 1º. Menachem Booky Halevy entrou no Brasil em 19 de outubro pelo aeroporto de Guarulhos (SP), seis dias antes do segundo turno da eleição presidencial, e viajava acompanhado do advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A própria reportagem ressalva que os elementos reunidos não comprovam que o israelense tenha organizado ou facilitado a viagem do senador.
Flávio recusou entrevista e criticou a emissora antes da exibição. Em uma “Nota ao Brasil” publicada no X, o senador afirmou que aceitou falar desde que a entrevista fosse exibida na íntegra, sem cortes, condição que, segundo ele, não foi aceita. “Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar”, escreveu. Na mesma nota, ele repetiu que não fugiu: “Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!”.

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Vans
A travessia ocorreu na noite de terça-feira, 27 de outubro, menos de 48 horas depois da derrota de Flávio para o presidente Lula. Duas vans da mesma empresa de turismo de Foz do Iguaçu passaram pela Ponte Internacional Tancredo Neves, e a que levava Halevy cruzou sete minutos antes da outra. No endereço cadastrado da empresa, segundo a reportagem, funcionava apenas um estacionamento.
O sistema migratório argentino registrou o nome de Flávio três vezes, sempre associado à mesma van: às 22h37, com passaporte italiano; às 22h40, com a carteira de motorista; e às 23h11, com o passaporte brasileiro. Os dois registros feitos com documentos brasileiros foram cancelados, e apenas a entrada com o passaporte italiano permaneceu válida. A mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal viajaram de avião de Brasília a Cascavel (PR) e seguiram por terra até a fronteira.
O motorista da van em que estava Halevy, Neri Luiz Dala Corte, disse ter sido contratado para buscar dois homens em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto de Puerto Iguazú. Ele negou ter visto integrantes da família Bolsonaro. O Agora RN não localizou manifestação pública de Halevy nem de Roberto Jorge Alexandre sobre o caso.
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Jatinhos
Uma das linhas de investigação aponta que Flávio deixou Brasília às 5h05 do mesmo dia 27, num jato Cessna Citation Excel que pousou em San Fernando, na região de Buenos Aires, às 8h40. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave pertence a uma empresa que tem como sócias a irmã e a mulher do advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A assessoria de Tomaz afirmou ser falsa a informação de que aviões dele ou de empresas da família tenham sido usados por Flávio.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que a família entrou no país por terra em Puerto Iguazú e embarcou num jato particular. O Gulfstream G400 da empresa argentina Baires Fly decolou pouco depois da meia-noite, fez escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou perto de Miami na manhã de 28 de outubro, sem passar pelo espaço aéreo brasileiro. Na Argentina, a deputada Marcela Pagano cobrou explicações sobre os procedimentos de imigração, e o governo de Javier Milei afirmou ter entregado a documentação à Justiça.
Investigação
A Polícia Federal investiga se Flávio deixou o Brasil no jatinho ligado a Tomaz. O senador e o advogado são alvos de um inquérito no STF, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, que apura suspeita de lavagem de dinheiro ligada a casas de apostas, e Moraes proibiu os dois de manter contato. Não há mandado de prisão contra Flávio, que não é considerado foragido.
O advogado do senador, Frederick Wassef, afirmou que nenhuma informação sobre a viagem é oficial ou foi confirmada pelo senador. Segundo ele, Flávio não fugiu, não responde a processo criminal e não foi indiciado nem condenado, e a apuração em curso envolve terceiros e está “ainda em fase inicial”. Flávio anunciou que pretende dar entrevistas a veículos brasileiros e estrangeiros nos próximos dias.
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