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Flávio nos EUA

Aliados alertaram Flávio Bolsonaro sobre risco de prisão um dia antes de ele deixar o Brasil

Em reunião de cinco horas com Rogério Marinho, Tarcísio e advogados, senador foi aconselhado a abandonar a tese de fraude e combinou entregar o passaporte à PF, mas viajou aos EUA no dia seguinte
Agora RN
01/11/2026 | 22:35

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi alertado por advogados e aliados, em reunião nesta segunda-feira 26, de que repetir a contestação das urnas feita pelo pai poderia levá-lo à prisão. No encontro, que durou quase cinco horas em Brasília, ele combinou entregar o passaporte italiano à Polícia Federal na manhã seguinte. Em vez disso, deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos, segundo relatos divulgados pela imprensa nacional neste domingo 1º.

A reunião aconteceu no dia seguinte à derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Pela manhã, o senador tinha visitado o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre em regime domiciliar a pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ao sair da casa dele, Flávio recebeu uma intimação da PF para entregar o passaporte.

Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho sentados à mesa diante de microfones
Rogério Marinho e Flávio Bolsonaro — Andressa Anholete / Senado

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A intimação foi expedida no inquérito em que o senador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, ao lado do advogado Willer Tomaz. A pedido da PF, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou os passaportes brasileiros de Flávio e deu prazo de 24 horas para a entrega do documento italiano. Flávio e Tomaz negam irregularidades.

O encontro ocorreu no escritório do advogado Otto Medeiros, amigo do senador. Participaram o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), os advogados Tracy Reinaldet e Maria Claudia Bucchianeri, o advogado Vicente Santini e a economista Daniella Marques.

A opinião do grupo foi unânime: Flávio deveria abandonar a tese de fraude. Um dos aliados pediu que ele lembrasse o que o pai havia feito e aonde tinha chegado com isso. Os advogados defenderam, como alternativa, uma ação eleitoral contra Lula por uso da máquina pública. Também ficou acertado que o senador participaria, nesta semana, de um evento no Congresso com os senadores de direita eleitos, para definir os rumos da oposição.

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Ainda no escritório, Flávio gravou um vídeo em que deixou de lado a tese de fraude e disse que entregaria o passaporte, porque nunca havia pensado em sair do país. A gravação foi refeita três ou quatro vezes até chegar ao tom considerado adequado e foi publicada pouco antes das 17 horas.

No fim da tarde, o senador recebeu em casa o advogado Frederick Wassef, que defende uma linha mais radical. Às 7h50 desta terça-feira 27, o advogado que combinara a entrega do passaporte mandou mensagem a Flávio para acertar o horário e não teve resposta. Naquele dia, nenhuma das ligações e mensagens da defesa foi atendida.

Na mesma manhã, a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, respondeu a um amigo que Flávio estava deitado ao lado dela e que entraria em contato quando levantasse. Horas depois, um aliado do senador e uma fonte do governo americano confirmaram que ele já estava nos Estados Unidos. A PF informou que ele não saiu do país por nenhum posto regular de controle migratório.

Em transmissão nas redes sociais anteontem, Flávio disse que o medo da prisão motivou a viagem. Segundo ele, Bolsonaro presenciou a intimação na porta de casa. “Ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas, falou: ‘já sabe aonde é que eles querem chegar com isso, né?’. Eu falei: ‘pai, já sei aonde eles querem chegar, eu sei o que eu tenho que fazer'”, afirmou. O senador declarou que, nos Estados Unidos, vai “continuar tendo voz ativa”, ao contrário do pai.

A decisão de deixar o país foi reprovada por boa parte da direita, inclusive por integrantes do núcleo da campanha. Para os advogados, Flávio deveria ter baixado a temperatura política para que os inquéritos pudessem ser arquivados por meio de uma defesa técnica. A divulgação de uma carta com críticas ao processo eleitoral, horas depois da chegada aos Estados Unidos, ampliou o isolamento do senador no próprio campo e fortaleceu Tarcísio como alternativa para liderar a oposição.

A defesa de Flávio pediu ao STF que Moraes seja afastado da relatoria do inquérito e que o caso passe ao ministro André Mendonça. O pedido ainda não foi julgado.

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