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Entenda

Áudio de Vorcaro sobre filme de Lula é fake news? Entenda o que foi confirmado e o que falta esclarecer

Advogado reconhece voz em um dos áudios, mas não confirma pagamentos; PF e PGR negam depoimento, e as circunstâncias da gravação permanecem desconhecidas
Agora RN
09/10/2026 | 18:42

O advogado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Daniel Bialski, reconheceu a voz do cliente em um dos áudios publicados pela revista Veja nesta sexta-feira 9 sobre supostos pagamentos para um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O defensor, porém, disse desconhecer quando e em quais circunstâncias a conversa foi gravada e não confirmou os pagamentos relatados.

“A voz realmente é dele em um dos áudios”, afirmou Bialski em mensagem reproduzida pela Veja às 17h07. O advogado declarou que desconhecia o anexo citado pela revista e que Vorcaro não prestou depoimento sobre o assunto à Polícia Federal ou a outro órgão.

Daniel Vorcaro usa terno escuro, camisa branca e gravata diante de um fundo azul
Daniel Vorcaro em imagem de arquivo; áudio divulgado pela Veja traz alegações de pagamentos para filme sobre Lula – Foto: Esfera/Reprodução

Antes da manifestação de Bialski, os advogados de Vorcaro Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz divulgaram uma nota na qual não reconheciam a origem, a autenticidade e a integridade do material. Eles também afirmaram que a colaboração premiada não foi celebrada e que Vorcaro não prestou depoimento à PF ou à PGR durante as tratativas.

A Veja atribui ao ex-banqueiro um relato de pagamentos de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro para financiar um documentário sobre Lula, associados à busca de negócios com fundos de pensão. A revista afirma que Vorcaro indicou mensagens e registros de retirada e entrega de dinheiro para sustentar sua versão.

A Polícia Federal (PF) informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito na reportagem nem entregou à instituição anexos, documentos ou informações com esse teor. A corporação também declarou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa não atenderam aos requisitos legais.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que as negociações foram conduzidas pelos advogados e que não houve contato direto de Vorcaro com representantes do órgão. Segundo a Procuradoria, o ex-banqueiro não prestou depoimento oral porque a proposta de colaboração foi rejeitada.

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O UOL informou que não encontrou referências ao patrocínio do documentário nas mensagens extraídas do celular de Vorcaro que analisou. Segundo o veículo, o documento citado pela Veja não integra as três propostas de colaboração às quais teve acesso.

A campanha de Lula contestou as acusações, classificou o episódio como uma farsa com objetivos eleitorais e anunciou medidas judiciais, conforme nota reproduzida pela CNN Brasil.

As notas da PF e da PGR não apresentam conclusão pericial sobre falsificação do áudio. Nos documentos e nas manifestações consultados, não foi localizado um laudo público sobre a integridade do arquivo divulgado.

Na esfera criminal, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece, no Tema 237, a licitude de gravação feita por um participante da conversa sem o conhecimento do outro.

Em processos eleitorais, a regra é diferente. No Tema 979, o STF estabeleceu que gravações ambientais clandestinas sem autorização judicial que violem a privacidade dos participantes são provas ilícitas, mesmo quando feitas por um deles. A exceção prevista é o registro em local público sem controle de acesso, onde não exista expectativa de privacidade.

As fontes consultadas não apresentam uma decisão judicial específica sobre o uso desse áudio como prova. Bialski afirmou desconhecer a data e as circunstâncias da gravação.

O artigo 4º, parágrafo 16, da Lei de Organizações Criminosas impede condenações, recebimento de denúncia e medidas cautelares baseados apenas na palavra de um colaborador.

A PF informou que recebeu nesta sexta-feira 9 uma notícia-crime relacionada à publicação e encaminhou o pedido à área técnica.