O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira 9, no Rio de Janeiro, que recebeu críticas injustas por buscar patrocínio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante entrevista à imprensa no Itanhangá, na Zona Sudoeste da cidade, o senador negou ter oferecido qualquer contrapartida ligada ao mandato para obter os recursos.
A declaração ocorreu após a revista Veja divulgar uma gravação na qual Vorcaro afirma ter financiado também um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo reportagem do UOL, porém, o conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro não apresenta referência a pagamento ou patrocínio destinado a um documentário sobre Lula.

Flávio reconhece ter recebido pelo menos R$ 60 milhões para a produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Na entrevista, o candidato sustentou que a busca por financiamento para o projeto privado não envolveu benefícios relacionados à sua atuação no Senado.
“Fui injustiçado. Vocês não sabem como é difícil disputar um cargo público tomando tanta pancada com mentira. Muita gente me prejulgou porque fui pedir um patrocínio para um filme privado do presidente Bolsonaro sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República”, disse Flávio.
Ao comentar a gravação, o senador apresentou o relato de Vorcaro como argumento em defesa do financiamento do filme sobre Bolsonaro e acusou Lula de receber propina. A acusação foi feita apesar da ausência de registros sobre o suposto patrocínio ao documentário nas conversas do aparelho, conforme a apuração do UOL.
“E o que nós vimos agora, com o áudio do próprio Vorcaro, dizendo o que eu sempre falei desde o dia 1. Com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado. Já com o filme do Lula, foi dinheiro por fora. Esse cara recebeu propina. Então o Bolsonaro pediu patrocínio, e o Lula pediu propina.”
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Na gravação publicada pela Veja, Vorcaro diz ter destinado recursos a uma produção sobre Lula por fora dos procedimentos regulares. A revista relata ainda que um documento apresentado à Procuradoria-Geral da República (PGR), em junho de 2026, mencionaria aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro para o documentário, além de pagamentos ao Instituto Lula.
De acordo com a Veja, o ex-banqueiro teria indicado conversas de WhatsApp e registros das pessoas responsáveis pela retirada dos valores como elementos para sustentar sua versão. O UOL informa que o documento citado não integra nenhuma das três propostas de delação premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro às quais o veículo teve acesso.
Fontes da PGR e da Polícia Federal ouvidas pelo UOL negaram a existência desse documento e afirmaram desconhecer a gravação. Segundo o jornal, essas fontes interpretam a divulgação como uma iniciativa da defesa do ex-banqueiro para interferir na disputa eleitoral.
O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025, na primeira prisão de Vorcaro. A extração reúne informações de julho de 2012 até 17 de novembro de 2025, data da prisão. Esse intervalo abrange a produção do documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, realizada entre 2022 e 2023. O lançamento ocorreu em maio de 2024.
Na mesma entrevista, Flávio negou que pretenda encerrar o Bolsa Família caso vença a eleição. O candidato estava acompanhado do candidato ao Governo do Rio de Janeiro Douglas Ruas (PL), que, segundo o material do UOL, deverá ser declarado eleito após a invalidação dos votos do candidato Anthony Garotinho (Republicanos) pela Justiça Eleitoral.
Flávio afirmou que pretende promover a ascensão econômica dos beneficiários e criticou a política social do governo federal. “Vou fazer o maior programa de mobilidade social que este país já viu, porque o meu projeto é tirar o pobre da pobreza e deixar o pobre rico. O projeto do atual governo é tirar o pobre da pobreza e jogar ele na miséria”.
O senador também rejeitou a possibilidade de extinguir o Farmácia Popular, assunto que ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias. “Vou melhorar o Farmácia Popular, o remédio vai chegar dentro da sua casa”, declarou.
Em 2022, o governo de Jair Bolsonaro encaminhou ao Congresso uma proposta orçamentária que previa reduzir em até 59% os recursos do programa para priorizar emendas parlamentares, conforme reportagem do Estadão citada pelo UOL. A redução foi revertida por parlamentares, que asseguraram financiamento na proposta de emenda à Constituição da transição, segundo o Aos Fatos.