Em queda nas pesquisas de intenções de votos para o Governo do Rio Grande do Norte, Álvaro Dias (PL) abriu uma nova frente de confronto na Justiça Eleitoral. A coligação Endireita RN, que sustenta sua candidatura, apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o líder da corrida estadual, Allyson Bezerra (União).
A campanha de Allyson reagiu classificando a iniciativa como uma tentativa de vencer a eleição no “tapetão”. Para a assessoria, o grupo de Álvaro procura transferir para os tribunais uma disputa que deveria ser decidida pelos eleitores nas urnas. “A tentativa de cassar a candidatura de Allyson Bezerra surge como um recurso típico de ‘tapetão’ para fabricar uma cortina de fumaça”, afirmou a campanha.


A ação foi protocolada na quinta-feira 3, depois do debate entre os candidatos promovido pelo Grupo Dial Natal, na quarta-feira 2. No encontro, Allyson e Álvaro protagonizaram uma troca de acusações sobre episódios relacionados às trajetórias administrativas e políticas dos dois concorrentes.
Segundo a campanha de Allyson, a judicialização seria uma estratégia do grupo adversário para mudar o foco do debate eleitoral e tentar atingir, por meio da Justiça, uma candidatura que permanece na liderança das pesquisas.
O cenário eleitoral pode ser ilustrado pela pesquisa Exatus divulgada nesta sexta-feira 4 pelo Grupo Agora RN. O levantamento mostra Allyson na liderança, com 37,42% das intenções de voto. Álvaro aparece com 20,56%, enquanto Cadu de Lula (PT) registra 17,96%.
A vantagem de Allyson sobre Álvaro é de 16,86 pontos percentuais. Já o representante do PL está tecnicamente empatado com Cadu, considerando a margem de erro de 2,53 pontos percentuais para mais ou para menos.
Na comparação com a rodada anterior da Exatus, divulgada em julho, Álvaro caiu de 26,05% para 20,56%. O recuo foi de 5,49 pontos percentuais.
Allyson também oscilou negativamente, passando de 41,78% para 37,42%, uma redução de 4,36 pontos. Apesar disso, a distância entre os dois aumentou. Na pesquisa anterior, Allyson estava 15,73 pontos à frente de Álvaro. Agora, a vantagem alcança 16,86 pontos.
A pesquisa Exatus divulgada nesta sexta-feira ouviu 1.500 eleitores em 55 municípios do Rio Grande do Norte entre 31 de agosto e 3 de setembro. O levantamento possui margem de erro de 2,53 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob os números RN-03924/2026 e BR-03775/2026. A ação da coligação de Álvaro foi protocolada antes da divulgação dos números da Exatus.
“Querem impedir que o candidato que lidera pesquisas seja votado”
Em nota assinada pelos advogados Caio Vitor, Felipe Cortez e Thiago Cortez, a assessoria jurídica de Allyson e do candidato a vice-governador Hermano Morais (MDB) afirmou que respeita a decisão da coligação adversária de judicializar a campanha, mas sustenta que o pedido não deve proceder.
“O mesmo grupo busca, desta vez, impedir que o candidato que lidera todas as pesquisas consideradas regulares pelo TRE-RN seja votado pela população potiguar”, declarou a defesa.
Os advogados informaram que apresentarão ao tribunal os argumentos contra a ação. A campanha afirma que pretende defender o direito dos eleitores de escolherem o próximo governador nas urnas.
Para a assessoria de Allyson, o grupo de Álvaro estaria tentando encontrar no Judiciário uma forma de alterar uma disputa na qual aparece em desvantagem eleitoral. Essa interpretação, assim como a expressão “quer ganhar no tapetão”, representa o posicionamento da campanha e não uma conclusão da Justiça Eleitoral.
O que a ação pretende investigar
Em linhas gerais, a coligação Endireita RN — formada por PL, Podemos, Federação PSDB-Cidadania, Novo e Mobiliza — pede que o TRE-RN investigue um possível abuso de poder político e econômico relacionado a contratos da saúde pública de Mossoró e ao projeto eleitoral de Allyson.
A ação utiliza elementos da Operação Mederi, investigação da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades na compra de medicamentos por prefeituras do Rio Grande do Norte, incluindo a de Mossoró. A coligação pretende apurar se recursos supostamente desviados tiveram alguma destinação político-eleitoral.
A petição menciona gravações nas quais empresários discutem valores, percentuais e campanhas eleitorais. A eventual ligação desses recursos com a candidatura de Allyson, contudo, ainda não está comprovada. A própria ação afirma que essa relação deverá ser esclarecida mediante a produção de provas e o cruzamento de documentos e informações financeiras.
Além de Allyson e Hermano, a AIJE inclui o atual prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (Republicanos), e dois empresários ligados à Dismed Distribuidora de Medicamentos.
A apresentação da AIJE não retira Allyson da eleição nem suspende seu registro. O processo está em sua fase inicial e não contém pedido de liminar para afastar imediatamente o candidato da disputa.
Os investigados ainda deverão apresentar suas defesas. O processo poderá passar pela obtenção de documentos, produção de provas, manifestação do Ministério Público Eleitoral e julgamento pelo TRE-RN.
Até o momento, não existe decisão que casse, suspenda ou impeça a candidatura de Allyson. A coligação de Álvaro sustenta que existem indícios que precisam ser investigados. A campanha do candidato do União Brasil afirma que o adversário, em desvantagem nas pesquisas, tenta levar aos tribunais uma decisão que deve pertencer aos eleitores.