O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) negou nesta quinta-feira 17 qualquer participação em irregularidades investigadas pela Operação Mederi e afirmou ter solicitado à Justiça a retirada integral do sigilo do processo. O ex-prefeito de Mossoró sustentou que, mais de sete meses depois da ação da Polícia Federal, não foi apresentada nenhuma prova contra ele. “Já se passaram mais de sete meses. O que se conseguiu comprovar e provar? Nada. Por quê? Porque não existe. Não existe e nunca existiu”, declarou.
Deflagrada em 27 de janeiro, a Operação Mederi investiga suspeitas de fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos destinados à compra de medicamentos por municípios potiguares, entre eles Mossoró. As apurações alcançaram contratos firmados com empresas do setor farmacêutico e apontaram, entre outras possíveis irregularidades, aquisição de remédios próximos do vencimento, sobrepreço, entrega parcial ou inexistente dos produtos e uso indevido de atas de registro de preços. O prejuízo estimado pela investigação chega a R$ 13 milhões.

Allyson, que ainda exercia o cargo de prefeito de Mossoró quando a operação foi realizada, foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão. Na residência dele, agentes recolheram um telefone celular, um notebook e dois HDs pessoais. O candidato afirmou nesta quinta-feira que o material está acessível aos investigadores. “Eu posso lhe dizer que o meu celular está aberto e à disposição da Justiça”, disse.
O candidato declarou que deseja tornar públicos tanto o processo quanto o conteúdo retirado dos equipamentos. “Eu pedi que o meu celular, que todas as informações fossem tornadas públicas. Por que eu pedi isso? Com a certeza de quem não deve, não teme”, afirmou.
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Segundo Allyson, seus advogados apresentaram o pedido para retirar o sigilo logo depois da operação. “Qual é o político que, dentro de uma operação, pede a abertura do sigilo? É difícil você encontrar. É difícil você ter um político que diz: ‘Olha, senhor juiz, abre o processo, que eu faço questão'”, acrescentou.
A investigação ganhou repercussão porque diálogos captados pela Polícia Federal entre sócios da Dismed Distribuidora de Medicamentos mencionam uma suposta divisão de valores envolvendo a Prefeitura de Mossoró. No trecho que os próprios interlocutores chamam de “Matemática de Mossoró”, um dos empresários afirma que 15% seriam destinados a “Allyson” e outros 10% a uma pessoa identificada como “Fátima”. Em uma das contas descritas na conversa, de R$ 130 mil disponíveis, R$ 100 mil seriam separados para os supostos pagamentos, restando R$ 30 mil para a empresa. A PF entendeu que a referência seria ao então prefeito, interpretação contestada por ele.
Os investigadores também analisam a hipótese de que ordens de compra fossem emitidas por valores superiores à quantidade efetivamente entregue. Em um exemplo mencionado nas conversas, uma ordem de R$ 400 mil corresponderia à entrega de apenas R$ 200 mil em medicamentos, com a diferença utilizada para remunerar empresários e agentes públicos.
O candidato ao Governo do RN argumentou que os diálogos foram mantidos por terceiros e afirmou que os procedimentos da Prefeitura de Mossoró são integralmente auditáveis. “Todos os atos da Prefeitura Municipal de Mossoró são auditáveis. Todos os atos. Tudo é através de sistema, tudo é através do sistema digital, eletrônico, que qualquer órgão de controle pode fiscalizar a qualquer momento”, declarou.
Ele também disse que os medicamentos recebidos pelo município eram registrados desde a entrada na farmácia central até a entrega ao paciente, com informações sobre quantidade e prazo de validade. “Se caso tiver erro, o sistema vai identificar, vai estar lá a prova circunstancial, dentro do sistema, auditado por qualquer órgão de controle”, afirmou. “Eu não tenho compromisso com erro. Qualquer questão de erro deve ser apurada, pode ser apurada, eu faço questão”, completou.
Sem apoio presidencial
Nesta quinta-feira, Allyson também voltou a rejeitar a vinculação de sua candidatura à polarização nacional entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). “A minha posição é não declarar apoio político a nenhum”, afirmou. Ele negou estar “em cima do muro” e disse que prefere concentrar a campanha nos problemas do Rio Grande do Norte.
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Allyson garantiu que comparecerá às urnas e não anulará o voto, mas manteve sua escolha em sigilo. “Eu vou decidir. Eu vou votar. Eu nunca anulei um voto. Eu nunca vou anular um voto. Para mim, o voto é sagrado”, declarou.
Segundo o candidato, qualquer que seja o vencedor da eleição presidencial terá seu apoio institucional caso ele seja eleito governador. “Aquele presidente da República que for eleito no dia 4 de outubro terá o nosso apoio incondicional para a gente governar o Rio Grande do Norte”, concluiu.