Usuários e familiares de pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Oeste II voltaram a protestar em frente à unidade, localizada na Avenida Capitão-Mor Gouveia, cobrando a retomada dos atendimentos psiquiátricos e psicológicos. Segundo eles, a unidade está sem as duas especialidades há pelo menos três meses, o que tem prejudicado o acompanhamento médico dos usuários, a emissão de receitas controladas e a obtenção de laudos exigidos pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) para garantir gratuidade no transporte coletivo. O protesto ocorreu na quarta-feira 2.
A dona de casa Cleone Cláudia, mãe de uma usuária do Caps, relatou que a situação chegou a um ponto crítico, com os pacientes sem assistência especializada e correndo o risco de perderem direitos por falta dos documentos exigidos. “E aí a gente está a Deus dará, entendeu? Fora as humilhações. A carteira do interior que a gente tem direito a ir para Extremoz, vai vencer agora em agosto. Tivemos uma reunião hoje e nos informaram que, daqui a uma semana, chegaria um clínico geral e um psiquiatra para ver o que é que iam resolver sobre essas questões”, afirmou, em entrevista ao AGORA RN.

Ela afirmou que sua filha precisa de avaliação médica especializada para ajustar a medicação, o que não é possível sem o acompanhamento de um psiquiatra. “Minha filha precisa ser avaliada. Ela não precisa só da medicação, mas de um psiquiatra para ser avaliada, saber se vai diminuir ou aumentar a dose do remédio. E não estamos tendo essa assistência. Eles (no Caps) mandam a gente ir para o postinho de saúde com uma receita, mas até uma receita no postinho é difícil. Não sei mais o que fazer”.
A usuária Katiane Cláudia afirmou que sua última consulta com um psiquiatra ocorreu em abril, mas a ausência desses profissionais na unidade já dura mais tempo. “Minha última consulta foi em abril, então, faz três meses que eu não faço nenhuma consulta com psiquiatra. Eu não estou bem de saúde, preciso fazer novos exames, e eu não tenho médico, e eu estou precisando de atendimento médico”, disse.
Ela responsabilizou a atual gestão municipal pela falta de profissionais. “Está faltando esse profissional, fruto dessa gestão que não respeita a saúde mental, não respeita nós como seres humanos, como pessoas, como a gente é. A gestão que está atualmente fazendo a Prefeitura não está ligando para a saúde mental e a saúde mental é algo muito importante”.
Katiane, usuária do Caps Oeste II há 13 anos, disse nunca ter ficado tanto tempo sem atendimento psiquiátrico e relatou dificuldades para obter o laudo necessário à emissão da carteira de gratuidade no transporte urbano. “Como a gente vai se locomover se a gente não tem psiquiatra para preencher o formulário da STTU? Não tem como, só aceitam se for psiquiatra dos Caps”.
Ela lembrou que, em maio passado, houve outro protesto, desta vez em frente à sede da Prefeitura de Natal, cobrando a recontratação de psiquiatras, psicólogos e farmacêuticos. “Mas até agora nada foi feito por causa dessa gestão. Cada dia está pior”, desabafou.
Cleone afirmou que a unidade recebeu um clínico geral, mas que ele não poderá resolver a demanda por laudos exigidos pela STTU. “O clínico geral já chegou, mas vai selecionar quem está pior ou melhor, para decidir quem receberá o laudo. Não é assim, porque a STTU não aceita laudo de clínico geral, apenas de psiquiatra, o que é uma vergonha porque prejudica muito todos que necessitam do benefício. Já tem muita gente andando a pé e, daqui a pouco, serei eu e minha filha”.
Segundo Cleone, a situação vivida pelos familiares de pacientes representa uma violação grave ao direito à saúde. “A gente precisa de um especialista. Não é para ontem, é para hoje, pois vivemos uma humilhação sem fim. A saúde mental está passando por esse processo que está acontecendo agora, e a gente precisa de uma simples reportagem para que tomem certas atitudes que a gente nem queria tomar — mas chegou a esse nível, de a gente ter procurado a reportagem para fazer esse apelo”.
A dona de casa finalizou com um apelo direto ao prefeito e à STTU. “Eu peço ao prefeito Paulinho Freire e ao pessoal da STTU que se sensibilizem com o pessoal que precisa dos atendimentos e laudos do Caps, porque não é brincadeira, não, saúde mental é um assunto sério. Depressão mata”.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) informou que os profissionais das especialidades reclamadas já foram contratados e “estão sendo inseridos na equipe, já estão começando a fazer alguns atendimentos”. A pasta, no entanto, não detalhou os horários ou a frequência dos atendimentos restabelecidos.
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