A Secretaria Municipal de Saúde de Natal confirmou que não havia ambulâncias disponíveis do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no momento do acidente que terminou com a morte do motociclista José Richardson Alves da Silva, na noite de terça-feira 7, na avenida Engenheiro Roberto Freire, Zona Sul da capital. Segundo a pasta, todas as viaturas estavam em atendimento a outras ocorrências ou indisponíveis.
Em nota, a secretaria informou que “no momento da ocorrência registrada na noite de terça-feira 7, todas as viaturas do Samu Natal estavam em atendimento a outras ocorrências ou indisponíveis devido à retenção de seus equipamentos nas unidades hospitalares que atendem casos de urgência e emergência”. A SMS também destacou que a retenção de equipamentos é um problema “crônico” no Rio Grande do Norte, agravado pelo aumento de acidentes, especialmente com motociclistas.

O acidente aconteceu por volta das 20h40, no cruzamento com a avenida Ayrton Senna. De acordo com o Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE), o motociclista tentou uma ultrapassagem pela direita, perdeu o controle do veículo e colidiu com uma mureta. Ele ficou ferido no canteiro central e aguardou atendimento por cerca de duas horas.
Segundo policiais que atenderam a ocorrência, a vítima permaneceu consciente durante boa parte do tempo. “A gente chegou a conversar com ele, tanto a gente como o pessoal da família e ele foi ligado para Samu, o pessoal ligou, a gente também ligou e ele ficou, ele veio, passou mais de uma hora e meia conversando ainda com a gente. Quando o pessoal do Samu chegou que foi verificar, constatou o óbito”, relatou o policial F. Silva, do Batalhão Rodoviário.
Testemunhas informaram que várias ligações foram feitas ao Samu durante a espera. Familiares relataram que o motociclista chegou a repassar contatos e avisar sobre a impossibilidade de concluir uma entrega que realizava no momento do acidente. Ele tinha 27 anos, trabalhava como entregador, deixou três filhos e a esposa grávida.
Inicialmente, circulou a informação de que a demora estaria relacionada à superlotação do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. No entanto, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) negou o cenário. Segundo nota da pasta, havia apenas quatro macas do Samu na unidade naquela noite, sendo duas do serviço municipal e duas do estadual, sem registro de retenção significativa.
A SMS lamentou o ocorrido e afirmou que as equipes trabalham para garantir agilidade no atendimento. “A pasta lamenta o ocorrido e reforça que a equipe do serviço trabalha diariamente empenhada em realizar os atendimentos à população com a maior agilidade possível.”
O caso deve ser investigado pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias do acidente e a demora no socorro.

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