A Prefeitura do Natal anunciou nesta quinta-feira 29 uma série de medidas para prevenir acidentes provocados pelo risco de desmoronamento de rochas na Ponta do Morcego, localizada entre as praias de Areia Preta e dos Artistas, na Zona Leste da capital. Um diagnóstico elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) identificou pontos de erosão nas formações rochosas da região, incluindo cavidades que podem desabar devido à ação contínua das ondas.
A orientação da gestão municipal é que banhistas e frequentadores evitem permanecer junto à base das falésias ou subir nas rochas. Apesar dos riscos identificados, a Prefeitura descartou a necessidade de interditar a praia e informou que os imóveis existentes na área apresentam condições seguras de utilização.

As conclusões foram apresentadas durante entrevista coletiva convocada pela Semurb, com participação de representantes da Defesa Civil e de profissionais responsáveis pelas avaliações técnicas. A partir desta sexta-feira 30, a Prefeitura começará a instalar placas de advertência para informar a população sobre os trechos que oferecem perigo. A fiscalização também será reforçada, principalmente durante os períodos de maré baixa, quando a faixa de areia fica mais acessível e os frequentadores conseguem se aproximar das cavidades existentes sob as formações rochosas.
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O secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Sérgio Pinheiro, explicou que o problema foi identificado a partir de informações encaminhadas ao Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam), com participação de representantes da área de geologia. Segundo ele, a situação já vinha sendo acompanhada desde o final de 2024, quando surgiram os primeiros alertas sobre as condições das rochas.
A Semurb realizou um levantamento com profissionais das áreas de geologia, meio ambiente e engenharia. Uma nova vistoria, feita a partir de julho deste ano, permitiu aprofundar o diagnóstico e identificar os pontos que exigem medidas preventivas. A partir dos resultados, a secretaria articulou a participação do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil na elaboração do plano de segurança.
Sérgio Pinheiro explicou que as cavidades existentes na base das rochas são frequentemente utilizadas por pessoas que procuram sombra durante a permanência na praia. O problema é que o desgaste provocado pelo contato constante com a água do mar compromete a sustentação dessas estruturas.
De acordo com Pinheiro, o levantamento identificou diferentes pontos nessa situação, inclusive locais onde já ocorreram desmoronamentos. Até o momento, segundo ele, não houve registro de pessoas atingidas nesses episódios.
O desgaste das formações rochosas também está associado à ação das chuvas e dos ventos, que contribuem para a erosão natural da área. A combinação desses fatores pode provocar o desprendimento de blocos de diferentes tamanhos, representando perigo para quem estiver sentado, caminhando ou descansando próximo aos paredões.
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A preocupação da Prefeitura envolve especialmente os frequentadores que utilizam as cavidades como abrigo do sol ou instalam cadeiras na faixa de areia imediatamente abaixo das rochas. Nesses pontos, uma eventual queda de material pode ocorrer sem que os banhistas tenham tempo suficiente para se afastar.

Praia continuará aberta
Apesar do alerta, a Semurb esclareceu que não haverá interdição geral da Ponta do Morcego. A circulação na faixa de praia, o banho de mar e a prática de atividades esportivas continuarão permitidos, desde que sejam respeitadas as orientações de segurança e as restrições de aproximação das formações rochosas.
“Não vai ter nenhuma interdição de uso para banho, para prática esportiva. Tem que se evitar se aproximar do paredão ou subir naquelas rochas”, declarou Sérgio Pinheiro.
O secretário ressaltou que a sinalização será uma das primeiras medidas adotadas. As placas deverão advertir sobre o risco de queda de blocos rochosos e orientar os frequentadores a manter distância dos trechos considerados perigosos.
Além da instalação dos avisos, a Prefeitura pretende realizar ações presenciais de orientação, com equipes da Fiscalização Ambiental da Semurb e da Defesa Civil. O trabalho será concentrado especialmente nos períodos de maré baixa, quando aumenta a possibilidade de acesso às áreas próximas à base da falésia.
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A secretaria também prevê o acompanhamento das condições das rochas por sua equipe técnica, incluindo profissionais de topografia, para identificar possíveis mudanças no processo erosivo e avaliar a necessidade de novas intervenções.
Imóveis não apresentam risco
Uma das principais preocupações levantadas durante a coletiva foi a situação dos imóveis e estabelecimentos localizados na Ponta do Morcego. A Prefeitura informou que as vistorias realizadas não identificaram movimentação do terreno nem comprometimento das estruturas analisadas.
Segundo os técnicos, os riscos atualmente identificados estão concentrados na base das formações rochosas e na faixa de praia imediatamente próxima, onde podem ocorrer quedas de material provocadas pela erosão.
Questionado sobre a segurança dos empreendimentos da região, Sérgio Pinheiro descartou a necessidade de interditar os imóveis. “Atualmente, nenhum risco. Tem total segurança, total segurança de utilização. Tanto é que não vai ocorrer nenhuma interdição desses imóveis”, declarou.
O secretário explicou que a Prefeitura estabeleceu um canal de comunicação com os proprietários para compartilhar informações sobre o acompanhamento da área e as medidas de prevenção. O objetivo é permitir que eventuais alterações nas condições do terreno sejam comunicadas e avaliadas pelas equipes responsáveis.
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Ainda na manhã desta quinta-feira 29, a Semurb realizou uma reunião com os proprietários dos imóveis da Ponta do Morcego, representantes da Associação de Moradores da Praia do Meio e integrantes da representação comunitária no Conplam.
O encontro teve como finalidade apresentar os resultados do diagnóstico e esclarecer as providências planejadas. A Prefeitura procurou informar antecipadamente os moradores e responsáveis pelos estabelecimentos para evitar interpretações equivocadas sobre a instalação das placas e a existência de riscos estruturais.