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Afinal, quem é Emmanuel Macron, o novo presidente eleito da França ?
Em abril de 2016, Emmanuel Macron era praticamente desconhecido do público francês ao lançar um novo movimento político, o En Marche! (Em Marcha)
Por Redação
07/05/2017 | 20:49

Macron agora é, aos 39 anos, o mais jovem presidente eleito da França, e o primeiro a ser eleito desde 1958, data da fundação da República moderna francesa, fora dos dois partidos principais, o Socialista e o Republicanos.

Projeções apontavam que Macron derrotou a candidata de extrema direita Marine Le Pen no segundo turno por cerca de 65% dos votos, contra 35% da rival, que já reconheceu a derrota. No primeiro turno, ele vencera com 24% dos votos, contra 21% de Le Pen.

“É uma grande honra e uma grande responsabilidade. Quero agradecer do fundo do meu coração”, afirmou Macron no primeiro pronunciamento após a divulgação das projeções.

Disputando sua primeira eleição, o centrista uniu autoconfiança, energia e conexões para erguer um movimento que passou por cima de todas as siglas tradicionais do país.

O presidente eleito é um centrista liberal, pró-mercado e forte defensor da União Europeia. Ele deixou o governo do presidente François Hollande, do Partido Socialista, em agosto do ano passado.

Mas o que levou Macron a liderar a terceira economia da Europa?

Ambição

Numa noite fria de abril de 2016, centenas de pessoas se reuniram em uma cidade pequena ao norte de Paris.

Os convidados eram, principalmente, parentes e amigos do palestrante, o ministro da Economia da França, Emmanuel Macron. Era um evento simples – uma sala pequena sem decoração, a mulher do ministro tomando notas na primeira fileira.

Após falar por quase uma hora sobre o futuro da indústria e do emprego na França, Macron finalmente transmitiu a mensagem que tinha ido levar – o lançamento de um novo movimento político, o En Marche!.

Foi um gesto corajoso para um homem trabalhando no centro do governo do Partido Socialista. Levado à política pelas mãos do presidente François Hollande, Macron era visto como protegido do mandatário, e talvez destinado a um papel maior apenas no futuro. Poucos imaginavam que ele iria tentar tão cedo.

Então, naquela noite na cidade de Amiens, não havia bandeiras para saudar o novo movimento, câmeras de TV nem panfletos políticos.

Apesar disso, em menos de um ano, o jovem líder do movimento venceu a eleição presidencial – e protagonizou a ascensão mais rápida de um político na história moderna da França.

“Em questão de meses, ele foi de criança a adolescente, e de adolescente a adulto”, afirma Alain Minc, mentor e aliado que vem aconselhando Macron sobre sua carreira política ao longo dos anos.

“Eu o conheço intimamente há 15 anos, e sempre me surpreendo com a rapidez com que ele aprende politica”, afirma Minc. “Ele é um gato – você pode jogá-lo pela janela e ele dará um jeito de cair de pé.”

Mas nem sempre a política foi a ambição de Emmanuel Macron. Na escola em Amiens, ele sonhava em ser escritor.

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Macron tinha reputação de jovem brilhante e precoce, lembra Antoine Marguet, seu colega na escola privada jesuíta La Providence. Macron lia clássicos da literatura francesa, segundo o colega, escrevia poemas e até um romance sobre conquistadores espanhois.

“Emmanuel Macron sempre foi diferente”, lembra Marguet. “Numa idade em que a maioria apenas vê TV, ele apenas lia. Ele se comparava aos professores em algumas coisas. (E tinha) uma inteligência olimpica – cada vez mais alta, rápida, abrangente.”

Alguém que certamente o via desta maneira era Brigitte Trogneux, sua professora de teatro. “Ele não era como os outros”, afirmou ela a um documentário francês em 2016. “Ele não era um adolescente. Tinha uma relação de igual para igual com outros adultos.”

Um dia, lembra Trogneux, ele chegou com planos de escreverem juntos uma peça para o último ano de aulas de teatro. “Não imaginei que a ideia iria longe”, ela conta.

“Pensei que ele logo ficaria entediado. Nós escrevemos a peça, e pouco a pouco fui arrebatada pela inteligência daquele menino.”

Aos 16 anos, Macron deixou Amiens para terminar os estudos em Paris, com a ideia de um dia se casar com sua antiga professora. “Falávamos ao telefone toda momento, por horas”, recorda ela. “Aos poucos ele superou toda minha resistência, e de uma maneira incrível, com paciência.”

Brigitte Trogneux era 24 anos mais velha do que Macron, casada e com três filhos. Mas deixou o marido e começou uma relação com o ex-aluno. Ambos se casaram em 2007.

É uma história incomum de amor que revela bastante sobre a determinação e a autoconfiança de Macron, afirma a jornalista Anne Fulda, autora de um novo livro sobre a trajetória do presidente eleito.

O casal fugiu da exposição pública por anos, afirma Fulda, mas houve uma mudança sutil após Macron lançar sua candidatura.

“Ele busca passar a ideia de que se conseguiu seduzir uma mulher 24 anos mais velha e mãe de três filhos, numa cidade do interior… sem ofensa ou gozação, ele pode conquistar a França do mesmo jeito”, afirma a jornalista.

Corrida presidencial

Quando o En Marche foi lançado em abril de 2016, muitos fizeram pouco caso, classificando a empreitada como ingênua e fadada ao fracasso.

Um colega de governo de Macron chegou a publicar, no dia do lançamento do movimento, um link para uma música chamda I Walk Alone (eu ando sozinho).

Macron não ficaria sozinho por muito tempo. Hoje o En Marche possui mais de 200 mil inscritos, embora a filiação não tenha custos e não demande a saída de outros partidos políticos.

E à medida que o movimento crescia, aumentavam as especulações sobre uma possível postulação à Presidência.

As raízes da decisão de concorrer remetem a décadas atrás, mas estão cobertas por uma grossa camada de histórias, imagens e mitos construídos. Mas o mentor Alain Minc diz não ter dúvidas de que seu aliado “sempre” se viu no páreo.

“Fiz o melhor que pude para convencê-lo a concorrer em 2022”, afira Minc, e ele me disse: “Você está errado, há uma oportunidade (agora)”.

De fato, “tudo estava pronto para decolar desde o outono de 2015 (no hemisfério norte)”, diz o jornalista político Marc Endeweld, autor do livro L’ambigu Monsieur Macron: Enquête sur un ministre qui dérange (O ambicioso sr. Macron: investigação sobre um ministro que incomoda, em tradução livre).

Macron esperou para lançar sua candidatura apenas em razão dos ataques de novembro de 2015 em Paris e de março de 2016 em Bruxelas, afirma Endeweld.

Mathieu Laine integrava um pequeno grupo de pessoas próximas a Macron que o incentivavam a concorrer.

Ele afirma que o timing da candidatura teve muita influência da experiência de Macron no governo de François Hollande.

Como ministro da Economia, Macron se envolveu numa disputa para aprovar uma série de reformas econômicas de caráter liberal, apelidadas de Loi Macron (lei Macron). Mas divisões dentro do Partido Socialista e resistências no Parlamento o deixaram desiludido.

“Suas pernas estavam sendo quebradas pelo sistema”, diz Laine.

 

 

 

Fonte: BBC

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