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Trânsito
STTU estuda implantar novos binários em vias das zonas Leste e Sul
Comerciantes da Avenida Jaguarari e da Rua São José temem prejuízos em razão das mudanças as vias para mão única
Redação
03/04/2018 | 10:29

A Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito Urbano de Natal ainda avalia se transforma ou não, este ano, cinco vias da capital em binários, solução usada para transformar ruas paralelas em mão única—uma para cada sentido. Três estão localizadas na Zona Norte – Maraguape, Guadalupe e Castelo Banco – e as outras duas ligam a Zona Leste e Sul – Avenida Jaguarari e rua São José.

Nesta segunda-feira, o secretário adjunto da STTU, Walter Pedro, desmentiu notícias veiculadas na semana passada sobre a transformação dessas vias em binários. “Não tem nada decidido a esse respeito”, garantiu.

“Já selecionamos as vias, estamos avaliando os benefícios e os problemas decorrentes da transformação, mas ainda falta a conclusão do estudo de uso e ocupação do solo e, depois disso, o assunto será debatido em audiência pública antes da decisão final”, lembrou.

Para o presidente da Câmara dos Diretores Lojistas de Natal (CDL), Augusto Vaz, toda a melhoria para o trânsito e a mobilidade em Natal são bem-vindas. “Esperamos apenas que tenha sido feito um estudo para produzir o menor impacto possível no comércio das áreas”, acrescentou.

Na opinião do engenheiro civil e professor da UFRN, Rubens Ramos, embora sejam inegáveis os benefícios do binário para maior fluidez do trânsito, aumentando a capacidade de transporte das vias em até 50%, no caso de Natal mais importante seria ter introduzido o sistema inicialmente por grandes artérias como a Salgado Filho e a Prudente de Morais. “Eu não teria iniciado esse processo por vias secundárias”, opinou.

Mas lembrou que, ao se construir o complexo de viadutos da Prudente de Moraes com a Lima e Silva para facilitar o acesso ao Arena das Dunas, matou-se a possibilidade de se instalar binários nas grandes vias como a própria Prudente e a Salgado Filho. “Seria como mostrar a inutilidade daquelas obras, sendo que depois delas os engarrafamentos continuaram os mesmos”.

Para o professor, até mais importante do que a Jaguarari e a São José, mais produtivo seria introduzir binários na Rui Barbosa e na Xavier da Silveira – “estas, sim, com grandes problemas de tráfego por serem ruas estreitas”, comenta.

Já para a Zona Norte, o professor defende uma intervenção de maior envergadura no trânsito. “Ali é uma colcha de retalhos, com terrenos loteados a qualquer critério, onde é impossível se atravessar em linha reta sem topar com um muro na frente”, afirma.

Para ele, ali valeria um programa de desapropriações para atravessar a ZN de ponta a ponta, num traçado mais lógico. “O problema é que o poder público quer comprar as terras, mas não quer pagar um preço justo por elas”, acrescenta.

Nesta segunda-feira, o Agora RN levou a questão para comerciantes estabelecidos na Avenida Jaraguari e São José e todos unanimemente afirmaram que a mudança acarretará perda de clientes e faturamento das lojas.

Iataanderson Teixeira, dono de uma conhecida quitanda localizada na avenida Jaguarari, afirmou que, uma vez implantado o sentido único para o centro da cidade, a perda de clientes habituais da manhã, que levam seus filhos para a escola, é certa. “Isso, sem falar nas voltas que eles terão de fazer para chegar até aqui”, acrescenta.

Rui Pereira, que trabalha numa das várias farmácias da mesma avenida, diz que o maior fluxo de clientes é à tarde, justamente de quem volta do trabalho para casa. “Esse pessoal vai sumir”, prevê.

Marilene Fontes, gerente de um dos postos de gasolina da Jaguarari situados entre a Bernardo Vieira e a Mor Gouveia, diz que o resultado da implantação de um binário ali será equivalente à de um grande congestionamento na região. “Quando isso acontece por aqui a gente fica sem nada pra fazer, de papo pro ar”, antecipa.

Já na São José, José Dinarte da Fonseca, dono de uma pequena quitanda, diz que o binário não trará prejuízo ou benefício. “Para mim é indiferente, só não gosto que eles tomem essas decisões em ouvir os moradores ou aqueles que têm negócios por aqui”, diz ele.

Percorrendo parte da São José, entre a Mor Gouveia e a Bernardo Vieira, é possível entender a indiferença de José Dinanrte: no trecho são muitas as lojas fechadas e com placas de aluga-se nas fachadas.

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