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Educação
Sâmela Gomes resume trabalho à frente da UnP e apresenta avanços
Após período como reitora, professora vai se deter ao cargo de diretora geral; entre ações desenvolvidas, executiva destaca investimentos em pós-graduação
Redação
04/07/2017 | 05:45

Após permanecer oito anos como reitora da Universidade Potiguar (UnP), a professora Sâmela Gomes transferiu o cargo ao professor Gedson Nunes na última terça-feira, 27. A partir de agora, Sâmela – que afirma ter a “sensação de dever cumprido” – vai se deter exclusivamente à função de diretora geral da instituição. Antes, contudo, ela recebeu a reportagem do Portal Agora RN/Agora Jornal em seu gabinete e fez uma avaliação do período no qual esteve à frente do comando acadêmico da universidade, considerada uma das principais instituições de ensino das regiões Norte e Nordeste.

De acordo com Sâmela, “foram oito anos bastante frutíferos”. Entre as ações desempenhadas, a ex-reitora destaca o incremento em cursos de pós-graduação na modalidade “stricto sensu”, que inclui cursos de mestrado e doutorado. “Quando assumi, tínhamos apenas um programa de mestrado, e deixamos seis novos, mais um de doutorado, nas áreas de psicologia, administração, engenharias e biotecnologia. Além disso, tem um novo programa de doutorado que está em processo de credenciamento e avaliação na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)”, conta.

O investimento em novos cursos nessas modalidades foi sustentado, relata a diretora geral, na avaliação do cenário de empregabilidade no estado e no conjunto de cursos de graduação já existentes na UnP. “Investimos em programas que têm relação direta com as nossas graduações, já pensando na empregabilidade futura. Quando pensamos em ‘stricto sensu’, pensamos na carreira acadêmica, mas temos mestrados que formam profissionais num nível especialização mais alto para atuarem no mercado de trabalho também. É inegável que o profissional que busca especialização se torna diferenciado no mercado”, explica.

A primeira mulher a ocupar o cargo de reitora na Universidade Potiguar exemplifica com a área da biotecnologia. “Na indústria farmacêutica, são necessários cada vez mais profissionais para desenvolvimento não só de medicamentos, mas de uma série de produtos envolvendo nanotecnologia e bioquímica para ajudar numa saúde melhor. Nossos programas têm, sim, a sua veia acadêmica, mas também destacando profissionais diferenciados”, assinala.

Além dos investimentos em cursos de pós-graduação, Sâmela expõe que a UnP também cresceu, nos últimos oito anos, no que diz respeito à oferta de graduações, tanto em termos quantitativos como qualitativos. “Não crescemos apenas em números. Quando falo crescimento, penso no conceito abrangente. Envolve qualidade, nível de entrega de aulas e atividade acadêmicas muito melhores para o aluno”, explica. De acordo com a ex-reitora, o fato de a UnP fazer parte de uma rede mundial de universidades – a Laureate Internacional Universities – tem sido um diferencial neste aspecto.

“Participei de oito encontros com reitores do mundo todo – Europa, Estados Unidos, Austrália – para discutir os grandes desafios da educação. Juntamente com os ‘headhunters’, que buscam profissionais destacados para as empresas, dizendo o que deveríamos concentrar no desenvolvimento de nossos currículos para as realidades dos países e globalmente”, celebra. Neste sentido, a professora menciona a presença da cadeira de empreendedorismo para alunos de todos os cursos da instituição.

“Hoje o mundo respira empreendedorismo. Em todas as áreas, é preciso ter um espírito empreendedor, inovar naquilo que você faz, além do ato de abrir uma empresa”, descreve. Como parte integrante dessa estratégia, Sâmela conta que foram abertos centros de excelência em determinadas atividades, para estimular o empreendedorismo.

“Além da formação de sala de aula, que é obrigatória, a gente precisa pensar nas experiências do aluno. Formar-se não é ir para a sala de aula apenas, é muito mais que isso, é vivenciar o processo do dia a dia do profissional. São experiências importantes”, relata a professora, afirmando que os centros de excelência cumprem este papel complementar na formação dos alunos da UnP: “Os alunos passam por tomadas de decisão e situações em que ele precisa se posicionar, tarefas às quais muitas vezes eles não submetidos na sala de aula”.

Um dos centros de excelência criados, Sâmela ressalta o Centro Integrado de Saúde (CIS), que serve de experiência interdisciplinar aos alunos dos cursos de psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina e medicina veterinária. “Dentro das atividades desses centros, há simulações e práticas nas comunidades. Faz parte daquilo que chamo de ‘formar-se é viver’, é ter uma experiência ímpar para se tornar um profissional diferenciado. É saber relacionar-se com outros profissionais, pensar no cliente de uma maneira diferente. O centro tem esse propósito. Nós acreditamos que a universidade tem que ser viva e proporcionar experiências que agreguem valor à vida dos alunos. Nós temos aqui atividades e ações sociais que desenvolvem o cidadão comprometido com a sua comunidade”, declara.

Em relação aos desafios enfrentados pelas universidade brasileiras, a diretora geral da UnP atesta que, no nosso país, um aspecto que merece ser valorizado na construção do ensino é o emprego da tecnologia. “Nos Estados Unidos e na Europa, os alunos têm uma série de atividades virtuais, a tecnologia é muito empregada. E isso é considerado importante porque eles [os alunos] vão se deparar com isso no mundo do trabalho. O Brasil tem dificuldades de avançar neste segmento”, lamenta.

A professora diz sentir falta, até no ponto de vista regulatório, de mais “flexibilidade”, sobretudo nos cursos tradicionais – já que a universidade também trabalha com ensino na modalidade à distância. “O Brasil tem uma mão regulatória muito forte no ensino, uma série de amarrações que acaba cerceando a flexibilidade, inclusive de escolha dos alunos. Na flexibilização de currículos, somos fechados e limitados”, registra.

“Maior desafio é crescer fazendo investimentos corretos”, projeta

Em relação aos projetos futuros da Universidade Potiguar, a professora Sâmela Gomes assinala que o maior desafio é crescer dentro dos conceitos já aplicados pela instituição. “Isso quer dizer fazer os investimentos corretos. Hoje em dia se fala muito sobre uso inteligente dos recursos que temos, isso no âmbito mundial. Usar bem os recursos define uma instituição. Para que se possa ter uma instituição longeva e próspera, o grande desafio é conseguir fazer os investimentos corretos”, considera.

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Unidade Roberto Freire oferece graduação tradicional e cursos de pós-graduação – Foto: José Aldenir / Agora Imagens

A diretora geral da UnP afirma que outro projeto com o qual a administração da instituição trabalha diz respeito a ampliar o acesso, em cidades distantes de Natal, à educação superior. “Apesar de sermos a maior instituição [particular] do Norte e Nordeste, ainda existem pessoas que não tem acesso ao ensino superior porque a universidade é longe ou não consegue se manter numa cidade diferente ou a UnP não chegou na sua cidade. O desafio é crescer com qualidade, entrega e compromisso, transformando a vida das pessoas e das comunidades”, assinala.

Além disso, Sâmela relata que a universidade trabalha com a possibilidade de abrir novos cursos. Esse processo, porém, requer estudos mais elaborados. “Que novos cursos a gente lança? Às vezes uma população quer uma formação, mas nossos alunos vão conseguir emprego? Existe campo próspero para empregabilidade? Pensamos no caminho inteiro”, conta a professora.

A respeito do cenário político-econômico adverso, a diretora geral afirma que a crise representa um obstáculo para o crescimento. Por outro lado, a universidade “precisa construir o próprio caminho”. “A gente precisa entender a crise como algo que não nos impeça de seguir em frente. Isso tem sido a nossa tônica. Com a queda, por exemplo, do Fies e dos subsídios governamentais, foi muito complicado. Então, nós criamos nossos programas de bolsa, criamos oportunidades para as pessoas continuarem estudando”, relata.

“Construímos nossos planos sem entender a crise político-econômica como um obstáculo contundente para a gente. Nós temos o nosso caminho independentemente da crise”, finaliza.

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