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Levantamento
Número de leitos de UTI disponíveis no RN preocupa para resposta ao coronavírus
Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas 17 das 167 dos municípios potiguares têm leitos de Unidade de Terapia Intensiva; redes privada e pública de saúde também tiveram redução de 3% no número de leitos gerais entre 2018 e 2020
Jalmir Oliveira / Editor de Cidades
16/03/2020 | 10:40

A presença do primeiro caso de infecção por coronavírus do Rio Grande do Norte suscita discussão sobre a capacidade dos sistemas público e privado de saúde em receber casos graves da doença. Segundo dados do Cadastro Nacio- -nal de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, apenas 17 das 167 cidades potiguares têm leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Hoje, as unidades hospitalares – públicas, privadas e fi lantrópicas – dispõem de 735 de leitos de UTI no Rio Grande do Norte. Deste total, 463 são contratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O Estado tem menos leitos de UTI do SUS que nos anos de 2018 e 2019. Em 2019, eram 469 leitos contratados pelo SUS. No ano de 2018, o número era de 468.

Além disso, apenas com os leitos SUS, a Região Metropolitana de Natal concentra 73% destas vagas. A capital potiguar tem 312 leitos de terapia intensiva disponíveis para o atendimento público.

Para piora situação, as rede pública e privada de saúde tiveram redução de 286 leitos clínicos gerais nos últimos dois anos, uma queda total de 3%. Os números de leitos fechados representam quase um Hospital Walfredo Gurgel inteiro a menos ao longo do período. A maior unidade hospitalar pública potiguar tem hoje 289 vagas.

Em janeiro de 2020, segundo o CNES, o Rio Grande do Norte contabilizou 7.191 leitos de internação, contra os 7.335 de 2019 e 7.477 de 2018.

Com relação aos leitos vinculados ao Sistema Único de Saúde, a redução foi de 174 leitos em dois anos. Estas vagas não estão mais disponíveis para quem procura atendimento público. Hoje, o SUS conta com 5.980 leitos contratados no Estado.

A preocupação os leitos de internação decorre do exponencial aumento dos casos da doença no Brasil. Além disso, em outros países, como a Itália, o coronavírus causou o colapso completo do sistema público de saúde. O país europeu registrou, até a tarde do dia 15, 1.809 mortes pelo covid-19.

Segundo informações do Ministério da Saúde, mesmo com a alta capacidade de disseminação do vírus, cerca de 80% dos casos desenvolvem os sintomas de forma leve. Menos de 5% dos casos evoluem para um quadro grave.

A maior preocupação é com os grupos de idosos e de pessoas com algum tipo de doença crônica – cardiopatia e diabetes, por exemplo.

No entanto, sem o devido controle, a doença pode se espalhar muito rápido, alcançando um número cada vez maior de pessoas. Este é o temor das instituições responsáveis pelas políticas de saúde pública no Rio Grande do Norte.

Em razão da crise gerada pelo coronavírus, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) pleiteou cerca de R$ 17 milhões ao Ministério da Saúde. O recurso previsto, segundo o secretário Cipriano Maia, pode ser ainda maior, mas isso ainda depende de uma medida provisória que o Governo Federal publico na última sexta-feira (13). A expectativa é de que sejam disponibilizados R$ 5 bilhões para combate o coronavírus em todo o País.

“Toda a rede estadual está preparada para atender estas situações. Em todas regiões do Estado, a rede de atendimento será ativa. Os leitos estão sendo mobilizados para ofertar a atenção necessária para a população”, disse o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia.

Ele avalia que o sistema público de saúde está em situação de “absoluto stress”. Além dos possíveis casos de coronavírus, a Sesap também está preocupada com a ocorrência de doenças do período – sarampo, dengue e demais agravos gripais, por exemplo. “Nós já temos um sistema sobrecarregado, mas temos feito todas as ações para trabalhar da forma mais adequada”, reforçou.

A Secretaria de Saúde também espera o anúncio do Ministério da Saúde sobre a abertura de 2 mil o número de leitos em todo o País. A expectativa é de que a ampliação de vagas seja divulgada durante a semana. Ademais, serão entregues kits de equipamentos, com insumos e respiradores, para a montagem de enfermarias.

“Vamos avaliar se isso é suficiente. Caso não, nós vamos aumentar o pleito, para que possamos atender melhor a um eventual aumento dos casos. Vamos demandar assistência ventilatória, leitos de UTI, bem como leitos clínicos. Também pediremos leitos em caráter excepcional, para utilização de enfermarias de observação”, complementou.

Hospitais disponíveis e plano de contingência

A Secretaria Estadual de Saúde apresentou na última sexta-feira (13) os 11 os hospitais de referência para o atendimento dos casos de coronavírus no Rio Grande do Norte. A medida permite a disposição de 1.229 leitos para o atendimento de pacientes acometidos com o novo vírus.

O Plano de Contingência estadual para o coronavírus foi publicado em 10 de fevereiro e foi atualizado no último dia 13. As ações são articuladas entre a gestão estadual e municipal. Os profissionais da rede básica de saúde, hospitais, maternidades e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos municípios potiguares estão capacitados para atender pessoas que possam se enquadrar como suspeitos de contaminação pelo Covid-19.

DADOS DE LEITOS NO RN

Leitos de UTI do SUS

2020 – 463

2019 – 469

2018 – 468

2017 – 460

Fonte: CNES/MS Leitos gerais no RN: 2020 7.477 2019 7.335 2018 7.191

Aumento de vagas no Hospital Municipal de Natal

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vai abrir 10 leitos novos Hospital Municipal de Natal. A medida decorre do surgimento do primeiro caso confirmado do coronavírus no Rio Grade do Norte.

Para o hospital, serão disponibilizados seis vagas para clínica médica e outras quatro para Unidade de Terapia Intensiva.

“Vamos pedir recursos financeiros ao Ministério da Saúde, mas não podemos esperar. Já estamos abrindo novos leitos”, disse George Antunes, atual secretário de Saúde de Natal.

Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da capital potiguar, com serviços de urgência e emergência, foi definido protocolo para receber pessoas com suspeita de infecção por coronavírus.

Segundo George Antunes, os cuidados com os casos tidos como suspeitos serão diferenciados. Quando a pessoa com sintomas da doença e vínculos epidemiológicos (passageiros vindos do exterior) forem buscar atendimento, o procedimento será o de isolar o paciente para evitar o contato com outras pessoas que buscam acolhimento para outras enfermidades.

“Nossa meta é ser o mais ágil e rápido possível”, afirmou. Além disso, o Município promoveu a qualificação de mil profissionais e está tomando medidas para qualificar a atenção primária. “Cinco unidades básicas nos distritos sanitários abrirão em horário estendido, e os equipamentos de proteção individual estão sendo distribuídos para as UPAs”, encerrou.

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