BUSCAR
BUSCAR
Imobilidade
Falta de acessibilidade dificulta locomoção no bairro do Alecrim
Produtos de comerciantes ficam expostos nas calçadas e acostamentos da Av. dos Pajeús e dificultam mobilidade das pessoas, especialmente das que possuem deficiência
Redação
28/06/2017 | 05:30

As pessoas que transitam diariamente pela Avenida dos Pajeús (antiga Av. 8), localizada no bairro do Alecrim, zona Leste de Natal, estão se deparando com a péssima acessibilidade da região, que está cada vez mais dificultada pelos ambulantes. A pista, criada para comportar duas faixas, está com os dois lados do seu acostamento quase que completamente tomado pelos produtos ofertados pelos vendedores, causando um grande transtorno à população.

Nos últimos dias, o Agora Jornal fez uma visita in loco e constatou o que já era alvo de denúncias dos populares. De bate-pronto, foi possível perceber geladeiras, mesas e cadeiras ocupando o espaço que deveria ser, em regra, para fazer fluir o trânsito do local. Muito embora a avenida não registre grandes congestionamentos nem mesmo em horários de pico, sempre que um pequeno aglomerado de carros “decide aparecer” por lá a fluidez da pista torna-se nula.

calçadas ocupadas

Imagem mostra falta de espaço nas calçadas para pedestres tomarem seus rumos. (Foto: José Aldenir / Agora Imagens)

Além da pista, as calçadas também são afetadas pelas medidas tomadas pelos ambulantes. Com os diversos produtos sendo expostos ao mesmo tempo, quase que nenhum espaço fica livre para as pessoas andarem, o que acaba fazendo com que as mesmas recorram a própria pista para poderem seguir seus caminhos, colocando a vida em risco. Como consequência disso, diversos populares relataram quase terem sido atropelados pelos carros.

No caso de pessoas com deficiência física, a situação fica ainda mais complicada. Sem espaço nas calçadas, elas ainda sofrem com a falta de acessibilidade. A região não possui rampas que interliguem os acostamentos com a pista e, consequentemente, impedem que os mesmos possam migrar para outro lugar da região. Somente com a ajuda de outras pessoas eles conseguem se locomover e seguir seus destinos, muito embora também corram o risco de atropelamento.

A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Natal (STTU), responsável por garantir e promover as políticas de desenvolvimento da mobilidade e da acessibilidade da capital (com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população), mas não conseguiu falar com nenhum representante, tendo todas as ligações não atendidas.

REVITALIZAÇÃO

Apresentado inicialmente em 2009 pela Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA) em conjunto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado (Sebrae-RN), o projeto de revitalização do Alecrim, que prometia, entre outras situações, resolver o caso das calçadas da região, foi prometido pela Prefeitura do Natal para sair do papel, no mais tardar, em 2015. Todavia, até os dias atuais, o projeto ainda não foi colocado em prática.

Em levantamento feito pelo Agora Jornal em dezembro de 2016, constatou-se que o custo inicial da obra seria de R$ 25 milhões. Ao todo, ela previa alterações na comunicação visual das empresas, no mobiliário urbano e na engenharia de trânsito, além da realocação do camelódromo da região. Atualmente, existem cerca de três mil camelôs e seis mil empresas no bairro do Alecrim, segundo informações obtidas pela reportagem junto ao presidente da AEBA, Francisco Denerval Sá.

No plano também estava prevista a arborização e humanização da Praça do Relógio, que consistiria na construção de um teatro de arena, um centro de formações, um museu e um café, além da implantação de nova iluminação, aquisição de um novo relógio e a construção de paradas de ônibus mais modernas do que as atuais. Um plano gerencial de resíduos, instalação de ponto verde e de coletas seletivas fechavam o projeto no tocante a urbanização.

Numa matéria veiculada no site da Prefeitura com data de 24 de fevereiro de 2014, o prefeito Carlos Eduardo explicou que para aquele ano não seria possível executar o projeto devido à falta de recursos no caixa do município, porém, ele poderia vir a ser executado em 2015 caso entrasse na Lei Orçamentária Anual (LOA) de Natal no referido ano. Entretanto, uma consulta realizada na LOA 2015 constatou que, de fato, o projeto havia sido inserido no orçamento, muito embora com um investimento de apenas R$ 800 mil.

Em contato com a reportagem também em 2016, Denerval Sá lembrou do projeto e disse que a Prefeitura não deu prosseguimento ao que havia sido acordado anteriormente com os empresários do bairro. “Não deu em nada. Não pudemos contar com a Prefeitura. Carlos Eduardo alegou que estava muito envolvido com a situação da cidade e abandonou qualquer possibilidade de mudança na região para não mexer com os camelôs”, explicou.

Segundo Denerval, algumas ‘interferências’ contribuíram para que o projeto não saísse do papel conforme havia sido prometido. “Houveram interferências de todos os lados. No início havia uma pendência da Prefeitura mas ela logo foi solucionada, porém, não deram prosseguimento ao projeto, que seria muito benéfico para o comércio local”, revelou, para completar que, muito embora já tenham se passados dois anos, os empresários ainda confiam que a situação possa vir a dar certo: “Não perdemos a esperança”, concluiu.

SOBRE O BAIRRO

Oficializado como tal pela Lei Nº 251 de 30 de setembro de 1947, o Alecrim concentra, atualmente, cerca de 31% da atividade empresarial de toda a cidade e 40% de todo comércio varejista de Natal. A presença marcante do comércio na região foi fortalecida logo após a Segunda Guerra Mundial.

O entorno do Mercado Público do Alecrim, que mais tarde sofreu realocação e atualmente é conhecido como o famoso ‘Mercado da Seis’, foi o grande responsável por proporcionar o enorme fluxo de pessoas na região a partir da década de 60. Hoje, além do Mercado da Seis, o bairro conta também com o Mercado da Quatro.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.