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“Estratégias contra criminalidade precisam ser revistas”, alerta consultor de segurança

'É hora de mudar essas estratégias que estão sendo adotadas; elas precisam ser revistas', disse Igor Pípolo sobre segurança pública do Estado
Redação
18/08/2017 | 06:00

Em um espaço de uma semana, quatro membros do Poder Judiciário potiguar – dois deles desembargadores –, sofreram tentativas de roubos em diferentes pontos da capital. Não bastassem os números altos de ocorrências, entre assassinatos e roubos, que crescem diariamente, os crimes praticados contra os magistrados evidenciaram a falta de segurança que permeia o estado. Ciente disso, o consultor de segurança Igor Pipolo, afirmou, em entrevista concedida ao Portal Agora RN / Agora Jornal, que é hora de mudar as estratégias aplicadas para combater a criminalidade, uma vez que as atuais não têm funcionado.

“É hora de mudar essas estratégias que estão sendo adotadas. Elas precisam ser revistas porque não estão surtindo efeito. É necessário virar a mesa, tomar medidas muito mais estratégicas, enérgicas e rápidas, porque a criminalidade não espera. A sociedade clama por segurança desde ontem”, apontou o especialista.

“Estratégias contra criminalidade precisam ser revistas”, alerta consultor de segurança - Agora RN

Os ataques aos desembargadores Cláudio Santos e Virgílio Macedo, ao conselheiro do TCE Carlos Thompson, e a um juiz criminal que não teve seu nome revelado, não foram premeditados – assim acredita Igor Pipolo, que vê os quatro incidentes apenas como uma consequência natural do alto nível de violência na cidade.

“A situação com os desembargadores evidencia o quão frágil está nossa segurança. Lembrando que não acredito que tenha sido nenhum ataque direcionado a nenhum deles de forma pessoal. O problema é que a violência está tão grande que eles passaram a ser vítimas, como qualquer pessoa ou cidadão tem sido, diariamente, dessa insegurança que está instaurada na cidade”, disse.

Para Pipolo, é necessário que haja uma ação conjunta, especialmente no tocante à Justiça potiguar. O consultor de segurança avalia que o formato atual de penalização incentiva os meliantes a praticarem os crimes, porque não são severas o suficiente.

“É um número alarmante de ocorrências. De uma vez por todas, o estado precisa intervir de maneira enérgica, e agora, mais do que nunca, cientes dessas ocorrências com as autoridades do judiciário, é hora de entenderem que estamos vivendo em estado de exceção; não podemos tratar, de forma alguma, a segurança pública com a mesma normalidade de uma situação na qual não vivemos. Os índices de criminalidade estão altíssimos e requerem uma medida conjunta – não só das polícias e da segurança pública em geral, mas, principalmente, da Justiça, punindo de forma mais severa esses crimes e, consequentemente, diminuindo o interesse dos criminosos”.

Na avaliação do especialista, muito se tem falado em medidas para decrescer o número negativo das estatísticas criminais, contudo, o quadro que se apresenta na atualidade é que a população segue a mercê da ação dos bandidos.

“É um absurdo o que vemos. É um cotidiano onde a sociedade se acovarda e os criminosos ganham vez, gradualmente. É com muita tristeza que observo isso, porque até agora não vimos nenhuma solução efetiva para redução da criminalidade. Continuam se mostrando muitas propagandas do que se fazer, mas, em termos efetivos, não tivemos nenhuma redução que possamos dizer que trouxe, no mínimo, um alívio para a população. Pelo contrário, vemos um aumento da violência e, principalmente, a sensação de insegurança em níveis nunca jamais vistos”, encerrou Igor Pipolo.