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Ponto de vista
Empresário lista prejuízos com paralisação das obras de duplicação da Reta Tabajara
Vice-presidente da Federação do Comércio do Rio Grande do Norte (Fecomércio), Luiz Antônio Lacerda, previu diversos transtornos que resultarão da suspensão das obras
Boni Neto
09/05/2017 | 05:35

Desde o dia 25 de abril, as obras de duplicação da Rodovia Federal BR-304, no trecho conhecido como “Reta Tabajara”, foram paralisadas em virtude de uma auditoria ordenada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O vice-presidente da Federação do Comércio do Rio Grande do Norte (Fecomércio), Luiz Antônio Lacerda, previu diversos transtornos que resultarão dessa suspensão das obras. Um dos principais, segundo ele, é a destruição de tudo o que já foi feito até agora, uma vez que o Rio Grande do Norte está às vésperas do inverno, o que, consequentemente, trará um período chuvoso que poderá colocar em risco, por exemplo, os serviços de terraplanagem já realizados no local.

“É lamentável. Já é a segunda vez que essa obra é paralisada. Se a retomada dela demorar muito, pode aumentar ainda mais o prejuízo. Já foram feitos muitos serviços na área de terraplanagem e se começar a chover, pode desfazer tudo o que já foi feito”, disse Lacerda, lembrando de outro problema operacional. “Tem ainda a questão da estrutura; a construtora já colocou todos os seus equipamentos por lá, e quando desmobilizarem todo o maquinário, o prejuízo vai subir na mesma proporção em que a demora durar. É sempre uma grande burocracia para fazer obras como essa, então o que podemos fazer é lamentar. Como empreendedor, espero que isso seja resolvido o mais rápido possível e que haja agilidade para a retomada dessas obras”, completou.

O risco pela falta de segurança e patrulhamento no local é mais um detalhe apontado por Luiz Lacerda. Ele afirma que a paralisação significa indiretamente uma contribuição para o aumento de criminalidade da área, já que entende que lombadas e outros obstáculos nas estradas que forçam os motoristas a diminuírem a velocidade servem de perfeita oportunidade para os criminosos agirem.

“Outro agravante é que na Reta Tabajara tem o problema da falta de segurança. Aquele lugar se tornou um grande ponto de assaltos. O trânsito de veículos fica lento em virtude das obras, das lombadas e da sinalização, por isso a bandidagem espera que você passe em marcha lenta para agir com liberdade. Eu sei que já foram assaltadas várias pessoas por lá”, explicou, para logo depois opinar: “Vejo isso com tristeza. Uma obra dessas, em que todos os projetos foram feitos com licença e pelos órgãos competentes, parar novamente… Espero que o TCU conclua logo esse trabalho de auditoria”.

Por causa da paralisação das obras, surge, em consequência, mais uma vítima indireta: o município de Macaíba. Luiz Lacerda explica que o grande volume de tráfego na BR-304 poderá afetar gravemente a cidade do prefeito Fernando Cunha (PSD) em um futuro próximo.

“O acesso sul do aeroporto de São Gonçalo está bem próximo de ser finalizado; um grande transtorno vai passar a acontecer quando as pessoas começarem a utilizar esse acesso, porque vai gerar um engarrafamento muito maior do que aquele que já existe. Com isso, causa graves problemas para Macaíba, já que a cidade não suporta receber esse trânsito todo. Quando os motoristas encontram a BR-304 congestionada, se direcionam para a cidade. Isso, obviamente, trará problemas para aquela população. Essas obras precisam ser liberadas. É um prejuízo não apenas pra Macaíba, mas também pra todo Rio Grande do Norte, já que aquele ponto é a chegada de 90% do tráfego no nosso estado”, analisou o vice da Fecomércio.

Luiz Lacerda também repercutiu o fato preocupante de que, para cada mês em que as obras permanecerem paralisadas, o estado sofrerá um perda calculada em R$ 1 milhão até que o TCU conclua seu processo de auditoria, que consiste em buscar informações técnicas, dados e justificativas mais detalhadas sobre as obras pelo Corpo Técnico da Corte de Contas. Diante da crise financeira pela qual vive o Brasil, e que tem gerado medidas urgentes em Brasília, como as reformas previdenciária e trabalhista, o empresário criticou o prejuízo e lembrou que o momento é de economizar no país inteiro.

“No momento em que vivemos no Brasil, com 14 milhões de desempregados e com a economia em retração, qualquer real que se perde é um agravante, estamos em fase de economizar dinheiro público e privado, o Brasil não está podendo gastar no momento, estamos na fase de aproveitar todos os recursos que precisam ser bem aplicados para que se possam gerar resultados como emprego e renda”, lamentou Lacerda, ciente de que a ordem do TCU, contudo, não significa que as obras possuam quaisquer irregularidades. Logo, há o risco real de que a paralisação tenha servido apenas como um “seguro”.

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