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Futebol
Especial: Por onde anda Alberi, o “Deus dos alvinegros”?
Único atleta que conquistou o prêmio Bola de Prata enquanto jogava por um clube potiguar, Alberi conquistou títulos atuando pelos três maiores clubes do RN: ABC, América e Alecrim. Aposentado, ele hoje mora no conjunto Morro Branco, em Nova Descoberta, na zona Sul de Natal
André Samora e Júnior Lins
27/07/2020 | 23:54

Ídolo do futebol potiguar, Alberi Ferreira de Matos, de 75 anos, tem seu nome gravado não só na história do futebol Norte-Riograndense, como também no Centro de Treinamento do ABC. Único atleta que conquistou o prêmio Bola de Prata enquanto jogava por um clube potiguar, o “Deus dos alvinegros” conquistou títulos atuando pelos três maiores clubes do estado: ABC, América e Alecrim.

Natural de Recife, capital de Pernambuco, Alberi iniciou sua carreira no Santa Cruz (PE) e pouco tempo depois chegou a Natal para jogar pelo ABC. No time alvinegro foi vencedor de quatro estaduais, estes nos anos de 1970, 1971, 1972 e 1973.

Apesar do sucesso regional, a competição de maior destaque de Alberi foi o Campeonato Brasileiro de 1972. Na década de 70, só existia a primeira divisão do campeonato nacional. Por isso, o ABC se classificou para o Brasileirão de 1972 após conquistar o Estadual do mesmo ano.

Mesmo concluindo a competição no 24º lugar, o time conseguiu bater de frente com os melhores times do país, incluindo uma vitória contra o segundo colocado, na ocasião, o Botafogo (RJ), e um empate com o campeão daquela edição, o Palmeiras (SP).

Naquele campeonato, uma partida “parou” Natal. Santos e ABC colocaram mais de 50 mil torcedores no antigo estádio Castelão, como era chamado o Machadão na época. O público compareceu em grande número para acompanhar o confronto entre Pelé, o Rei do Futebol, e Alberi, o Deus dos alvinegros.

“Joguei muito naquele dia. Depois do jogo, Pelé tirou uma foto comigo e me deu parabéns pela minha atuação” relembrou Alberi.

O ABC de Alberi até aguentou a pressão no primeiro tempo, mas o clube paulista fez dois gols na segunda etapa e venceu a partida. Com suas atuações de destaque no alvinegro potiguar, o atacante chamou a atenção do Brasil inteiro e foi contemplado na maior premiação esportiva da época, a seleção da Revista Placar. Outro potiguar presente no prêmio,

Marinho Chagas, na época lateral-esquerdo do Botafogo, também foi premiado. Jogando no Rio Grande do Norte, apenas Alberi venceu a Bola de Prata.

“Esse prêmio representa minha carreira. Sinto que essa conquista não é só minha, é de todos os potiguares, foi um troféu para o RN”, comentou com orgulho o ex-atleta.

Propostas

Após sua participação de destaque no Campeonato Brasileiro, Alberi recebeu uma proposta para defender o Fluminense (RJ). Segundo o ídolo, ele recusou o tricolor por ter sido bem acolhido pelo torcedor potiguar e se sentir bem em Natal.

“Natal me acolheu tão bem e por isso optei por ficar aqui. Eu ganhava 1.800 cruzeiros e o presidente do Fluminense me ofereceu 15 mil por mês. Eu não saí porque quis ficar onde me sinto bem”, contou ao Agora RN. O adeus do atacante ao ABC só aconteceu em 1974.

O craque seguiu para o Rio Negro (AM), Sergipe (SE) e voltou para o RN só em 1977, mas eu retorno para o estado não foi tão agradável para o torcedor abecedista. Na ocasião, Alberi foi anunciado como reforço do rival, o América de Natal.

Batalha do Castelão

Naquele ano, o ex-jogador conquistou o título estadual pelo clube alvirrubro, em uma final marcada para a história do futebol potiguar, não pelo reencontro do craque com o ex-clube, mas também pela famosa “Batalha do Castelão”, em que todos os jogadores das duas equipes foram expulsos após uma briga generalizada.

Na confusão, Alberi teria dado um chute na orelha do zagueiro do ABC, Pradera, que o deixou sangrando. Um fato curioso é que o jogador do alvinegro era conhecido por ser “faixa preta” e ameaçou agredir o atacante, caso o encontrasse na rua.

Depois do alvirrubro, o craque jogou pelo Baraúnas, Campinense (PB), Alecrim e Icasa (CE).

Fim da carreira

Em 1981, o atacante voltou para o ABC. Nessa segunda passagem, conquistou o estadual de 1983, o sexto da sua carreira. Três anos depois, em 1984, Alberi decidiu pendurar suas chuteiras, tendo marcado 283 gols como profissional. Até hoje, é considerado o maior jogador da história do ABC.

Seu apego por Natal não teve fim junto da sua carreira. Alberi ainda mora no conjunto Morro Branco, no bairro de Nova Descoberta, zona Sul. O craque teve nove filhos. Em 2012, a vida de Alberi foi parar nas telas dos cinemas. O documentário “Alberi, o craque alvinegro” foi produzido por estudantes de Cinema da Universidade Potiguar.

Segundo o ídolo, neste momento de pandemia do novo coronavírus, há uma grande preocupação com sua saúde, devido ser diabético e pela sua idade, mas está sendo muito bem cuidado.

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