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Futebol

FGV afasta Textor da SAF do Bota

Empresário contesta decisão arbitral, acusa fundo Ares de fraude e diz confiar em reversão para retomar comando
Por O Correio de Hoje
24/04/2026 | 11:16

O Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas decidiu afastar o empresário John Textor do comando da SAF do Botafogo de Futebol e Regatas, intensificando a disputa societária com o fundo Ares Management. Em sua primeira manifestação pública após a decisão, o americano afirmou que recebeu o veredito com serenidade, mas classificou o processo como baseado em informações “incorretas e enganosas”.

Segundo Textor, advogados da Ares teriam induzido os árbitros ao erro ao apresentar documentos de forma incompleta. “Foi uma decisão baseada em informações incorretas e enganosas apresentadas pelos advogados da Ares, que induziram os árbitros a erro”, declarou. O empresário disse confiar na revisão do entendimento do tribunal após a análise integral dos fatos.

John Textor 01
Foto: Alex Plating / FIFA

O conflito entre as partes remonta ao ano passado, quando a Ares concedeu empréstimo para que Textor viabilizasse a aquisição do Olympique Lyonnais. Como garantia, foram vinculadas ações da SAF do Botafogo, o que ampliou a influência do fundo sobre a gestão da Eagle Football Holdings, estrutura que concentra os ativos esportivos do empresário.

Na decisão, o tribunal arbitral afirmou que medidas recentes adotadas por Textor “têm o potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e à comunidade de torcedores”. Entre os pontos citados está o contrato firmado em 26 de janeiro deste ano, que previa a transferência de participação societária da SAF alvinegra para uma empresa sediada nas Ilhas Cayman.

O empresário, no entanto, sustenta que o acordo não tinha caráter definitivo e dependia da anuência da própria Ares para produzir efeitos. De acordo com ele, a gestora é credora principal da Eagle Bidco — veículo ligado à operação — e detém garantias sobre as ações, o que condicionaria qualquer mudança societária à sua aprovação.

Textor também acusou o fundo de omitir informações relevantes no processo arbitral. “Os advogados da Ares apresentaram de forma enganosa o anexo de um e-mail e omitiram o conteúdo explicativo, deturpando o documento e cometendo uma fraude no tribunal”, afirmou. O empresário disse acreditar que a decisão será revista e que eventuais responsabilidades serão apuradas.

O desfecho da disputa deve influenciar diretamente a governança da SAF do Botafogo e o futuro da estrutura multiclubes liderada por Textor, em um momento de reorganização financeira e busca por novos aportes no futebol brasileiro.