A peixe-boi-marinho MARIA percorreu quase 700 quilômetros pelo litoral nordestino após ser solta em fevereiro deste ano no Rio Grande do Norte, com monitoramento contínuo por radiotelemetria. O animal foi liberado no dia 10 de fevereiro de 2026, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão, em Macau.
Equipado com dispositivos VHF e GPS, o peixe-boi teve seus deslocamentos acompanhados ao longo da costa do Nordeste. Após a soltura, MARIA permaneceu por cerca de dois meses nas proximidades da área de liberação, no Rio Grande do Norte.
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Em seguida, iniciou deslocamento ao longo do litoral, passando pelo Rio Grande do Norte, alcançando o Ceará e, posteriormente, o Piauí.
Monitoramento e captura
No Piauí, o animal foi capturado por equipes do Projeto Cetáceos da Costa Branca, em parceria com a Comissão Ilha Ativa e apoio de parceiros locais.
A ação teve como objetivo avaliar o estado de saúde, revisar os equipamentos de monitoramento e coletar amostras biológicas.
MARIA encalhou em 24 de dezembro de 2019, ainda recém-nascida, na Praia das Emanuelas, em Tibau. O animal passou por processo de estabilização, reabilitação e aclimatação conduzido pelo PCCB-UERN ao longo de seis anos.
No momento da soltura, apresentava 404,5 kg e 2,6 metros de comprimento.
Projeto
A soltura de MARIA representa a sétima realizada pelo projeto no litoral potiguar.
Segundo o coordenador geral do PCCB-UERN, Flávio Lima, “cada soltura representa não apenas o retorno de um animal à natureza, mas também a consolidação de anos de dedicação técnica e científica voltados à conservação do peixe-boi-marinho”.
De acordo com o analista e médico-veterinário Augusto Bôaviagem, o monitoramento pós-soltura permite acompanhar a adaptação do animal e identificar áreas utilizadas, especialmente para alimentação.
O projeto orienta que, em casos de encalhe ou avistagem de peixes-bois com equipamentos de monitoramento, a população deve entrar em contato com as equipes responsáveis.
Programa
As ações fazem parte do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia Potiguar, executado pelo PCCB-UERN em convênio com a Petrobras e a Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio Grande do Norte, como condicionante do licenciamento ambiental federal exigido pelo Ibama.