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Infraestrutura

Idema autoriza nova dragagem na bacia do Porto de Natal

Licença permite retirada de até 1,43 milhão de metros cúbicos de sedimentos para ampliar capacidade de operação do terminal na capital potiguar
Agora RN
29/10/2026 | 00:59

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) concedeu à Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) a Licença de Alteração para a readequação e dragagem da bacia de evolução do Porto de Natal. A autorização, assinada nesta terça-feira, 27, permite a retirada de até 1,43 milhão de metros cúbicos de sedimentos e representa mais uma etapa do projeto de ampliação da capacidade operacional do terminal portuário.

A intervenção tem como objetivo aumentar a profundidade da área utilizada para as manobras das embarcações, permitindo a operação de navios de maior porte. A licença estabelece profundidade final de 12,5 metros e determina que os serviços sejam executados dentro dos limites previstos no projeto aprovado. O material retirado do leito do Rio Potengi deverá ser transportado para uma área oceânica definida no processo de licenciamento ambiental.

Vista aérea do Porto de Natal e do Rio Potengi
Vista aérea da área onde será feita a nova etapa de dragagem do porto — Foto: Sandro Menezes/Assecom

Segundo o diretor-presidente da Codern, Paulo Henrique Macedo, a companhia deverá se reunir com a empresa responsável pela execução para estabelecer o cronograma da última fase da dragagem. A expectativa é que a intervenção permita ampliar o comprimento das embarcações atendidas pelo porto e melhorar as condições de navegação.

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“Isso vai permitir o aumento do comprimento dos navios [que atracam no porto], além de consolidar a segurança do nosso canal e da bacia de evolução. A intervenção garante uma segurança muito grande e, a partir desse momento, vamos buscar um calado de 11 metros para poder ampliar a capacidade de escoamento de cargas”, afirmou Macedo.

A dragagem da bacia de evolução complementa os serviços já realizados no canal de acesso ao Porto de Natal. Com a conclusão dessa etapa, a Codern pretende ampliar as condições de atracação e movimentação de cargas, reduzindo limitações operacionais relacionadas à profundidade e ao espaço disponível para manobras.

O diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, informou que o processo de licenciamento levou aproximadamente quatro meses, entre a apresentação do pedido e a emissão da autorização. Segundo ele, a documentação técnica apresentada permitiu a conclusão da análise ambiental dentro desse período.

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“Com a apresentação dos estudos adequados por parte do empreendimento, nossos servidores puderam fazer uma análise técnica em tempo hábil e garantir o licenciamento dessa obra tão importante para o desenvolvimento do estado”, declarou Farkatt.

A execução da obra contará com recursos federais obtidos junto ao Ministério dos Portos e Aeroportos. O diretor administrativo e financeiro da Codern, Hugo Alexandre Meneses Fonseca, atribuiu à articulação da governadora Fátima Bezerra (PT) parte do resultado das negociações para garantir o financiamento.

“A participação da governadora foi fundamental para a gente conseguir esse recurso; a Codern apresentou o projeto e fizemos a solicitação dos recursos, mas o peso político que ela tem foi fundamental para que hoje tenhamos a condição financeira de execução da obra”, afirmou.

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Segundo Fonseca, a atualização das licenças ambientais era uma das pendências para o prosseguimento dos trabalhos. “O canal de acesso já foi concluído, e agora vamos partir para a dragagem da bacia de evolução, que é justamente a área da praticagem e canais de manobras de navios, essenciais para a atracagem no cais do Porto de Natal”, explicou.

Licença prevê cota ambiental a pescadores

A autorização concedida pelo Idema estabelece medidas de acompanhamento ambiental durante a execução da dragagem. Entre as exigências estão o monitoramento da qualidade da água, dos sedimentos e da biota aquática, além da medição da turbidez provocada pela movimentação do material no leito do Rio Potengi.

O documento também determina o acompanhamento da área oceânica destinada ao descarte dos sedimentos retirados e a realização de levantamentos na Praia da Redinha e regiões adjacentes. O objetivo é identificar possíveis alterações na dinâmica costeira relacionadas à execução da obra.

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A proteção da fauna marinha integra as condicionantes ambientais. A Codern deverá adotar procedimentos para reduzir riscos a tartarugas e cetáceos durante a operação das dragas, além de cumprir as medidas de controle previstas no licenciamento.

Outra exigência envolve as comunidades que dependem da pesca artesanal. A companhia deverá disponibilizar um canal de comunicação para pescadores e moradores das áreas de influência da intervenção, permitindo o encaminhamento de informações e demandas relacionadas aos serviços.

A licença prevê ainda a realização de consulta livre, prévia, informada e de boa-fé junto à colônia de pescadores da região. O procedimento busca assegurar a participação das comunidades potencialmente afetadas e acompanhar os reflexos da obra sobre as atividades pesqueiras.

Com a autorização ambiental, a Codern poderá avançar na definição do cronograma de execução. O início efetivo dos serviços dependerá da programação operacional da companhia e do cumprimento das condições estabelecidas pelo Idema.