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Gargalo
Custo RN emperra o desenvolvimento e impede as empresas de crescer
Historicamente um estado comprador, o Rio Grande do Norte ainda se dá ao luxo de ser o menos competitivo entre as 27 unidades da Federação
Marcelo Hollanda
06/06/2018 | 11:16

Desde que o empresário Afrânio Miranda, um dos sócios da Miranda Computação, com oito lojas em Natal e uma em Mossoró, resolveu no ano passado estender suas fronteiras para João Pessoa, a ideia de que o resultado desse investimento seria de longo prazo foi vigorosamente desmentida pela realidade.

Nem um ano se passou e o ticket médio, que é o valor médio gasto por cliente em suas compras no estabelecimento, já é superior nas lojas da rede na Paraíba na comparação direta com todas as demais do Rio Grande do Norte.

Para ser mais preciso, só o ticket médio da Miranda no Shopping Manaíra, em João Pessoa, já superou pelo menos as de cinco lojas da rede em Natal.

A explicação não é mistério para ninguém. É o resultado do Custo RN, uma derivação do Custo Brasil sem as vantagens da economia de outros estados do Sul e do Sudeste brasileiro.

Historicamente um estado comprador, o RN ainda se dá ao luxo de ser o menos competitivo entre as 27 unidades da Federação para investimentos privados.  Resultado, a economia segue retroalimentada por quem tem dinheiro – a máquina pública.

E como para toda a queda há o coice, dados extraídos da Secretaria de Tributação do RN indicam uma previsível ameaça em curso: perdas mensais superiores a R$ 50 milhões na arrecadação estadual pelo avanço das compras pela internet. São mais de R$ 600 milhões por ano que o estado deixa de arrecadar.

Cansados de pagar caro pelos produtos de loja, onerados excessivamente pela tributação, os consumidores potiguares engrossam as vendas virtuais na tentativa de economizar.

Dentro de um carro indo para Mossoró, na manhã desta quarta-feira, 6, o empresário Afrânio Miranda, que é também é presidente da FCDL – a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas – explicou o que acontece.

Na loja da rede paulista Magazine Luíza, que fica a poucos metros da sua na Avenida Prudente de Moraes, a mesma máquina de lavar que custa R$ 1.950 pode ser comprada pelo site da rede e entregue em domicílio em Natal por R$ 1.250,00.

A mágica é que o produto virá do Distrito Industrial da Paraíba, com uma carga tributária muito menor em relação ao RN, que pode variar em alguns casos em até 20%.

Segundo Afrânio Miranda, há casos em que esses tributos beiram à completa irrealidade. Ele lembra, por exemplo, que softwares como jogos eletrônicos, que na Paraíba são tributados em 7%, aqui pagam 18%.

Ele também reclama do governo estadual insistir em realizar suas compras via pregão eletrônico, o que, segundo ele, só beneficia fornecedores do Sul e Sudeste do País.

Até o momento, a intenção dos empresários locais em fazer valer um novo texto para a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que poderia direcionar boa parte dessas compras para fornecedores locais, não andou.

Enquanto isso, a Secretaria de Tributação do estado, que bateu recordes de arrecadação no primeiro trimestre deste ano, comemora uma vitória sem vencedores.

Enquanto o custo da máquina estatal na Paraíba, que tem 500 mil habitantes a mais do que o RN, gira em torno de 17,5%, aqui ela é de 26% sobre tudo o que se arrecada.

 

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