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Previsão
“Colapso de combustíveis em Natal é coisa para poucos dias”, diz empresário
Para Ronaldo Azevedo, ex-presidente do Sindipostos, as últimas medidas anunciadas pelo governo para os caminhoneiros, a despeito de temporárias, precisam ser ampliadas
Marcelo Hollanda
25/05/2018 | 17:03

Presidente do Sindipostos do Rio Grande do Norte entre 1995 a 2004 e dono de posto de gasolina há 30 anos, o empresário Ronaldo Azevedo não tem dúvida de que, a persistir o bloqueio dos caminhoneiros nas rodovias que cruzam o estado, o colapso completo de combustível em Natal é coisa para “pouquíssimos dias”.

Para ele, as últimas medidas anunciadas pelo governo federal de diminuição do preço do diesel para os caminhoneiros, a despeito de temporárias, precisam ser ampliadas a partir de uma série de frentes, começando pela tributária, cujo ICMS estadual figura como o principal vilão.

“O Rio de Janeiro já fez isso, a despeito de suas contas bem mais complicadas que as nossas, e reduziu de 18% para 12% o ICMS sobre o óleo diesel”, lembra o empresário.

Azevedo cita que o ICMS no RN abocanha 29% sobre cada litro de gasolina vendido ao consumidor na ponta e 18% sobre o litro do diesel, representando, respectivamente, R$ 1,24 e R$ 0,63.

O empresário saudou como positiva a medida da Agência Nacional de Petróleo (ANP) que, em portaria, permitiu temporariamente que os chamados TRR –Transportadores Rodoviários Retalhistas – possam vender diretamente suas cargas para os postos de combustíveis, eliminando a interveniência das distribuidoras nessa cadeia.

O Transportador-Revendedor-Retalhista (TRR) é a empresa autorizada pela ANP a adquirir em grande quantidade combustível a granel, óleo lubrificante acabado e graxa envasados para depois vender a retalhos.

O TRR também é responsável pelo armazenamento, transporte, controle de qualidade e assistência técnica ao consumidor quando da comercialização de combustíveis.

Até agora não era permitido a esse segmento comercializar GLP, gasolinas automotivas, álcool etílico combustível para fins automotivos, biodiesel, mistura biodiesel, combustíveis de aviação e gás natural veicular, comprimido e liquefeito.

Para Ronaldo Azevedo, esse caminho faz todo o sentido na medida em que, a persistir a atual situação, não só os caminhões e utilitários movidos à diesel serão atingidos pela escassez do combustível, mas segmentos inteiros do comércio, indústria e condomínios residenciais que usam geradores à óleo serão fatalmente prejudicados com a falta do produto.

Outra medida oportuna a ser tomada e rápido, na opinião do empresário, é liberar as usinas para que possam vender diretamente o álcool aos postos ou mesmo aos TRR, dispensando aqui também a interveniência das distribuidoras no processo, o que contribui para onerar ainda mais o preço dos combustíveis aos consumidores.

Ele cita um caso que considera absurdo de um posto na cidade de Goianinha, localizado ao lado de uma usina de cana, proibida por lei de adquirir o etanol de seu vizinho e obrigado a compra do distribuidor.

“Com isso, a usina produz o etanol é obrigada a colocar seu produto num caminhão, enviá-lo para a base de distribuição de Guamaré (Refinaria Clara Camarão), a mais de 200 km de distância, de onde a carga é passada para um outro caminhão, que atenderá ao pedido desses mesmo posto, fazendo os mesmos 200 quilômetros de volta para abastecer o mesmo, posto”.

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