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Produção de camarão
Carcinicultor potiguar ainda sofre com preconceito, diz representante do setor
Orígenes Monte aponta entre os grandes responsáveis pelo recuo da carcinicultura como atividade no estado uma anacrônica visão de que os produtores de camarão são inimigos do meio ambiente
Marcelo Hollanda
19/01/2018 | 10:41

Negócio que movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano, a produção de camarão em viveiro no Rio Grande do Norte, estimada hoje em 17 mil toneladas, continua enfrentado “preconceitos de uma agenda ideológica que demoniza a atividade, mesmo com 560 produtores cadastrados e empregando 15 mil pessoas de forma direta”.

O desabafo é do presidente da Associação Norte-rio-grandense de produtores de Camarão, Orígenes Monte Neto, no começo de um ano que promete o retorno do RN às exportações, coisa que não acontece há muitos anos.

Hoje, segundo maior produtor de camarão do País, o estado perde para o Ceará, de onde saem 27 mil toneladas/ano. No auge da atividade, por volta de 2005, quando exportava quase tudo, os produtores potiguares chegaram a atingir a marca das 35 mil toneladas/ano.

Além de endemias e problemas de comércio internacional, como acusações de dumping (que é a venda a preços inferiores aos de mercado), Orígenes Monte aponta entre os grandes responsáveis pelo recuo da carcinicultura como atividade no estado uma anacrônica visão de que os produtores de camarão são inimigos do meio ambiente e, portanto, párias da sociedade.

“Quando se vê um avanço de 15% nos nossos mangues é que se percebe a grande mentira que está por trás desse argumento”, rebate Orígenes. “Qual é a floresta nativa que cresce dessa forma com tanta agressão assim”, ironiza.

Depois de cessar suas exportações, os produtores conseguiram compensar o que embarcavam nos navios criando polos compradores em capitais importantes como Salvador, Florianópolis, Rio de Janeiro, que hoje compram 80% do camarão potiguar.

Para Origenes, durante esse processo de transição entre mercado externo e o interno, os produtores não conseguiram interiorizar a distribuição, o que é uma meta a ser atingida.

“Como o segmento reúne desde produtores familiares a até os mais estruturados, as margens de comercialização dependem muito da organização, da tecnologia de trabalho e da disposição de correr riscos”, resume.

Orígenes lembra que a mesma “agenda ideológica” que demoniza o lucro e acha que a economia depende unicamente do Estado tem trazido um isolamento do RN em relação a estados vizinho, como o Ceará, onde a carcinicultura se desenvolveu enquanto o RN se fechava a novas possibilidades.

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