A conta de energia elétrica continuará com cobrança adicional em setembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter a bandeira tarifária amarela pelo quinto mês consecutivo, o que representa acréscimo de R$ 1,885 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
A cobrança vale para os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e mantém a pressão sobre as despesas de famílias, estabelecimentos comerciais e indústrias. A decisão reflete as condições menos favoráveis para a geração de eletricidade durante o período seco no País.

Segundo a Aneel, a redução das chuvas diminui o nível dos reservatórios das hidrelétricas e limita a geração por essas usinas. Para atender à demanda, o sistema precisa recorrer com maior frequência a outras fontes, principalmente às termelétricas, que apresentam custo de operação mais elevado.
“A sinalização reflete condições menos favoráveis de geração de energia no país, com necessidade de utilização de fontes de geração com custos mais elevados”, informou a agência reguladora. A manutenção da bandeira amarela por cinco meses seguidos indica que os custos
Período seco aumenta custos
O sistema elétrico brasileiro tem forte participação da geração hidrelétrica. Com menos água disponível nos reservatórios durante o período seco, diminui a capacidade de produzir eletricidade pelas fontes de menor custo. Nesse cenário, o Operador Nacional do Sistema Elétrico precisa recorrer a fontes complementares para garantir o abastecimento. Entre elas estão as termelétricas, cuja geração tende a ser mais cara.
A diferença de custo é repassada parcialmente aos consumidores por meio das bandeiras tarifárias. O mecanismo funciona como uma sinalização mensal das condições de produção de energia no País. Na prática, uma residência que consumir 200 kWh durante um mês sob bandeira amarela terá cobrança adicional de R$ 3,77 decorrente exclusivamente da bandeira. Para um consumo de 500 kWh, o acréscimo chega a R$ 9,43. Os valores são incorporados à tarifa e crescem proporcionalmente ao consumo. Para empresas e estabelecimentos com demanda mais elevada, portanto, o impacto nominal tende a ser maior.
Bandeiras indicam custo da geração de energia elétrica
Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias procura tornar mais visíveis ao consumidor as oscilações no custo de produção da eletricidade. As bandeiras são definidas mensalmente a partir das condições previstas para o sistema e indicam quanto custa gerar a energia utilizada em residências, empresas e indústrias conectadas ao SIN.
Na bandeira verde, considerada a situação mais favorável, não há cobrança adicional. A bandeira amarela é acionada quando as condições de geração ficam menos favoráveis. Nesse caso, como ocorrerá em setembro, o consumidor paga R$ 1,885 a mais para cada 100 kWh utilizados.
Quando os custos avançam, pode ser acionada a bandeira vermelha. No Patamar 1, o adicional chega a R$ 4,46 para cada 100 kWh consumidos. No Patamar 2, utilizado quando o custo da geração sobe ainda mais, a cobrança chega a R$ 7,87 a cada 100 kWh.
Assim, para uma família ou empresa, o valor adicional cresce proporcionalmente ao consumo e ao patamar acionado.
Aneel recomenda redução do consumo
A permanência da cobrança adicional levou a Aneel a reforçar a orientação para que consumidores adotem medidas de redução do consumo de eletricidade. “Pequenas mudanças de hábito podem contribuir para reduzir o consumo e ajudar no controle dos gastos com a conta de luz”, recomendou a agência.
A economia tem efeito direto sobre a fatura porque a cobrança das bandeiras é proporcional à quantidade de energia utilizada. Quanto menor o consumo, menor também será o valor adicional pago. A sinalização também funciona como mecanismo para estimular a redução da demanda justamente nos períodos em que produzir eletricidade custa mais ao sistema.
Com a bandeira amarela confirmada para setembro, consumidores chegarão ao quinto mês consecutivo pagando adicional na conta de energia. A volta à bandeira verde dependerá principalmente da melhora das condições de geração e da redução da necessidade de recorrer às fontes de energia de maior custo.