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Varejo
Ainda são muitos os comerciantes que só recebem em dinheiro vivo em Natal
Cresce a olhos vistos os descontos com e sem o dinheiro de plástico e as transações feita na base da transferência pelo aplicativo de celular
Marcelo Hollanda
25/01/2018 | 11:00

A padaria na rua Régulo Tinoco, no Barro Vermelho, tem uma clientela cativa, um espaço considerado bom para os padrões do varejo, o estoque e a variedade de produtos também, está numa área repleta de prédios, duas escolas na frente, mas na hora de pagar, só dinheiro. Não aceita nem cartão de débito e crédito, nem se fale.

Como essa padaria, muitas lojas pequenas que existem às centenas pela cidade preferem receber em espécie a pagar 2%, 3% até 5% de taxa sobre cada venda realizada na modalidade cartão de débito.

Como o relojoeiro da Avenida Romualdo Galvão, a poucos metros do gigante do varejo, o shopping Midway Mall, a alternativa foi avisar que se o cliente não puder pagar em dinheiro, tem a alternativa de fazer uma transferência conta a conta pelo aplicativo do Banco do Brasil. Mas essa situação vexatória tanto para clientes como comerciantes pode estar com dos dias contados.

Durante uma reunião na última sexta-feira, 19, com representantes de empresas de cartões e varejistas, o Banco Central sinalizou o interesse em estabelecer um teto para as taxas que as chamadas adquirentes cobram dos varejistas. Hoje, as processadoras de pagamentos é que definem suas tarifas para os varejistas, a taxas que variam de 1% a 3% do valor da transação.

Segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Natal, Augusto Vaz, trata-se de uma taxa absurdamente mais alta do que praticadas pela média das operadoras de cartão ao redor do mundo, que é de 0,6%. “Se realmente o Banco Central for intervir nisso será muito bem-vindo”, comemora.

Diferentemente dos grandes varejistas, que conseguem obter descontos das operadoras pelo alto volume de suas vendas e o custo do cartão já está embutido nas projeções, Vaz comenta que muitos pequenos comerciantes preferem a saída simplista de não aceitar o cartão, o que vai custar caro com a perda de clientes. Mas, assegura, trata-se de um minoria. “Na maioria dos casos, os pequenos comerciantes prefere seguir o mercado”.

Ouvidas pelas agências de notícia, BC, Cielo e Santander Brasil não comentaram o assunto. O Itaú disse simplesmente que é “favorável às medidas para aumentar o uso do cartão no País”.

Segundo as fontes, o Banco Central avalia que um teto para as taxas incentivaria o uso do cartão e redução dos preços para consumidores, mas as empresas de cartão de crédito têm resistido, argumentando que os varejistas vão simplesmente engordar as margens de lucro ao pagarem menos taxas.

Durante a reunião, representantes do BC disseram que vão trabalhar numa regulamentação nos próximos meses e rever a repartição das taxas de processamento de cartão de crédito entre as empresas, bancos e bandeiras como Visa e Mastercard.

Nos primeiros nove meses de 2017, as transações de cartão de débito no Brasil somaram R$ 346 bilhões, segundo a Abecs. No ano passado, o BC limitou a 30 dias o uso do financiamento das dívidas do cartão de crédito no rotativo. As taxas de juros médias nessas linhas caíram de 430 para 220 por cento ao ano após a mudança, segundo dados BC.

Na semana passada, após pressão do BC, os bancos também entregaram proposta de alterar as regras para o cheque especial, também uma das linhas de crédito mais caras em Brasil, com uma taxa de juros anual superior a 300%.

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