Após a desistência da pré-candidatura da deputada estadual Isolda Dantas (PT) para apoiar o presidente da Câmara, Lawrence Amorim, a esquerda ficou órfã em Mossoró. Além disso, o partido ficou dividido em relação ao apoio para aquele que fez campanha em favor da reeleição do arquirrival, Jair Bolsonaro.
Assim, nenhum nome se apresentou neste campo. As alternativas ficaram no campo do centro, da direita e da extrema-direita. Porém, há pouco mais de uma semana, surgiu um candidato do campo progressista.
“Estamos nos apresentando em um cenário em que os trabalhadores e trabalhadoras, que são a imensa maioria dos eleitores em Mossoró, estavam sem representação, sem uma candidatura realmente advinda das camadas populares. Esse é o primeiro processo eleitoral da UP na cidade e temos a certeza que é uma oportunidade ímpar para dialogar com as pessoas e mostrar que elas têm uma alternativa e que o novo sempre virá!” destacou o pré-candidato à prefeitura Víctor Hugo Sousa.
Victor Hugo é o representante da Unidade Popular pelo Socialismo (UP). Ele é estudante da Ufersa e tatuador. Ao seu lado, como vice, está Renan Marrocos, aluno de RTVI na UERN e coordenador-geral do DCE da instituição.
O grupo de esquerda se diz pronto a enfrenta o que denominou de “processo eleitoral hegemonizado pelas “mega-candidaturas””. “A juventude preta dessa cidade nunca foi colocada no centro do debate em Mossoró. Enquanto isso, muitos jovens seguem diariamente sendo reprimidos pela polícia, por uma violenta guarda municipal e também pela total falta de oportunidades e esperança em um futuro melhor.
Nessas eleições temos a chance de mostrar aos poderosos de que haverá resistência contra os ataques e retrocessos. Seremos nós por nós! Os pretos pelos pretos! Os pobres pelos pobres e o povo pelo povo!” destacou o pré-candidato a vice-prefeito Renan Marrocos.
O desafio desta pré-candidatura é de unir os votos do campo progressista mossoroense em seu entorno. Algo desafiador, visto que os eleitores se dividem entre os apoios firmados pela presidente do diretório do PT em Mossoró, Isolda Dantas, cuja preferência está inclinada para Lawrence, e o atual gestor, o prefeito Allyson Bezerra, que congrega o apoio da camada menos radical.
Setores do campo progressista insistem para que Lawrence emita acenos à esquerda, como, por exemplo, arrepender-se do voto a Bolsonaro. Seria entendido, segundo eles, como uma inclinação a este espectro ideológico. No entanto, Lawrence mantém votos do lado oposto, o que reduziria seu capital eleitoral caso fizesse tal movimento. Ele sabe disso e tem se mantido silente.
Lawrence já tem o apoio da esquerda, ratificado no encontro do PT que selou a aliança. Apesar de discordâncias, como a manifestação da secretária da Juventude do partido, Ana Flávia, todos devem caminhar juntos, assim disse a vereadora Marleide Cunha (PT). Isso não exige de Lawrence uma conversão à esquerda, renegando seus eleitores mais conservadores. Caso fizesse, aí sim, teria que abdicar dos votos já construídos.
Enquanto isso, o segmento petista pendura-se no pêndulo que se move ao candidato do PSDB e, em ala mais radical, aos jovens nomes da UP que se colocam como os únicos essencialmente deste campo.
William Robson é jornalista e professor. Doutor em Jornalismo (UFSC) e mestre em Estudos da Mídia (UFRN)
