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Editorial

Três projetos de Estado sobre a mesa

Confira o editorial do Agora RN desta sexta-feira 5
Editorial
05/12/2025 | 04:58

A semana chega ao final com a definição mais clara do que pensam os três principais pré-candidatos ao Governo do Estado. Depois de meses em que o debate político se resumia praticamente apenas a nomes e disputas ideológicas, finalmente o futuro do RN começou a ganhar as manchetes.

Nas últimas entrevistas que deram, Allyson Bezerra (União), Cadu Xavier (PT) e Rogério Marinho (PL) passaram a expor, com mais clareza, como enxergam os problemas estruturais do Estado e quais caminhos pretendem defender. Não se trata mais apenas de quem disputa, mas do que cada um propõe para o Rio Grande do Norte.

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Três projetos de Estado sobre a mesa - Foto: José Aldenir/Agora RN

As bandeiras estão postas. Três caminhos estão apontados. O eleitor deve começar a avaliar qual destino prefere que o RN siga.

O senador Rogério Marinho, do PL, tem sustentado um discurso assentado em medidas duras e impopulares como saída para o quadro fiscal crítico. Suas propostas partem da ideia de que o Estado precisa ser enxugado. Fala abertamente em não conceder mais aumentos reais de salário, na criação de um plano de demissão voluntária para servidores e na necessidade de um novo arranjo institucional com os demais Poderes.

No mesmo pacote, Rogério Marinho defende privatizações. A Caern aparece como peça central nesse raciocínio. Seus aliados também defendem a possibilidade de entregar a Uern ao governo federal ou transferir sua gestão à iniciativa privada. Em resumo, seu diagnóstico aponta que o tamanho do Estado é incompatível com sua capacidade financeira. Para ele, o ajuste só virá com redução de despesas e diminuição do peso da máquina pública sobre a arrecadação.

Na outra ponta do debate aparece o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, do União Brasil. Nesta semana, em entrevista à TV Agora RN, ele fez um contraponto a Rogério. Rebateu publicamente a lógica de corte e apresentou outra leitura dos mesmos problemas. Para Allyson, o nó fiscal do Rio Grande do Norte não se resolve com demissões, com congelamento de salários ou com ataques a Poderes como o Judiciário, mas com gestão.

Sua proposta é centrar esforços na eficiência administrativa. Digitalização de processos, redução da burocracia, controle rigoroso de contratos e insumos e revisão administrativa estão no centro de seu discurso. Ao falar sobre servidores, Allyson tem sustentado que não se deve penalizar o bom funcionário. Sua crítica mira especialmente distorções, como servidores que recebem sem trabalhar, e a incapacidade do Estado de saber exatamente o que tem e quanto gasta. A defesa de um amplo inventário dos imóveis estaduais para venda de ativos ociosos também aparece como alternativa para reforçar o caixa.

Na prática, Allyson aposta numa lógica gerencial: menos desperdício, mais controle, mais eficiência. Seu discurso não é de diminuição do Estado, mas de reorganização interna. Para ele, a crise fiscal é consequência antes de ineficiência do que de excesso estrutural de servidores.

Representante do grupo governista, Cadu Xavier, secretário estadual da Fazenda do atual gestão e pré-candidato do PT, apresenta uma visão diferente dos dois.

Para Cadu, o Rio Grande do Norte só vai contornar a crise fiscal se adotar um modelo de “crescimento sustentável” da folha de pagamento. Ele rechaça a ideia de congelamento de salários, mas defende ações de contenção da despesa com pessoal.

A ideia do secretário de Fazenda se afasta tanto da proposta de cortes quanto da narrativa de explosão de gastos. Ele defende limites institucionais ao crescimento da folha, com reajustes fixados em lei, mas atrelados ao crescimento da Receita Corrente Líquida.

Na entrevista, afirmou de forma clara: “Não dá para vilanizar o servidor”, e reforçou que o desafio é fazer a despesa crescer abaixo da receita, preservando o poder de compra dos trabalhadores sem comprometer a sustentabilidade fiscal. Sua crítica às propostas de corte foi direta: ideias como plano de demissão voluntária seriam, segundo ele, “descoladas da realidade” de um Estado que já tem mais inativos que ativos e corre o risco de colapso na prestação de serviços.

Ao contrário dos adversários, Cadu sustenta que o caminho do ajuste fiscal não passa pelo encolhimento do Estado nem exclusivamente pela reorganização administrativa, mas pelo crescimento da receita a partir do desenvolvimento econômico. Ele aposta especialmente em três vetores: retomada da produção de petróleo, energia renovável offshore e atração de investimentos por meio de uma política tributária mais moderna.

Assim, o que se vê agora não é uma disputa entre personalidades, mas entre três projetos distintos de Estado. De um lado, a redução da máquina e privatizações. Do outro, a gestão eficiente e o combate ao desperdício. Em uma terceira linha, a aposta no crescimento econômico e no ajuste progressivo das contas sem romper com o modelo atual.

Não cabe a este jornal apontar qual dessas trilhas é a melhor. Nosso papel é mais simples e mais nobre: mostrar que, finalmente, as ideias estão sobre a mesa. O eleitor passa a ter, de fato, o que comparar. As bandeiras estão erguidas. As concepções de Estado estão postas com clareza.

A eleição de 2026 não será apenas sobre quem governa, mas sobre como governar. E o jogo, finalmente, começou.