A decisão do secretário da Fazenda, Cadu Xavier, de antecipar o recolhimento do ICMS das empresas potiguares provocou um ruído desnecessário na relação entre governo e setor produtivo. A manobra, classificada por empresários como uma “antecipação da antecipação”, expôs o desequilíbrio fiscal do Estado e a falta de sensibilidade econômica num momento em que a confiança deveria ser cultivada, não testada. Ao obrigar empresas a recolher tributos antes mesmo de gerar receita, o governo praticamente exigiu que o contribuinte colhesse antes de plantar — metáfora precisa usada por representantes da indústria e do comércio.
O impacto foi direto: companhias que operam no limite do caixa tiveram de desviar capital de giro, adiar investimentos e, em alguns casos, recorrer a empréstimos bancários com juros que beiram 15% ao ano. Ou seja, o Estado transferiu ao setor produtivo o ônus de sua própria desorganização financeira. O resultado é previsível: menor competitividade, menos investimento e, no médio prazo, queda na arrecadação — o oposto do que se pretendia alcançar.

Mesmo diante do constrangimento, as empresas optaram pelo sacrifício e pagaram para não criar um conflito institucional com o governo. Fizeram sua parte. Agora, é o Estado quem precisa fazer a sua: rever a política fiscal, conter despesas e restabelecer o diálogo com quem gera emprego e renda. Medidas de curto prazo, tomadas sem planejamento e diálogo, apenas revelam a fragilidade da gestão e ampliam a desconfiança num ambiente econômico que já anda exausto de improvisos.
DESEQUILÍBRIO
Em entrevista à TV Agora RN, o presidente da FIERN, Roberto Serquiz, recordou o histórico de desequilíbrios sobre as finanças públicas do RN: Rosalba Ciarlini usou o fundo da Previdência, Robinson Faria sacou mais recursos e deixou três folhas salariais em atraso e Fátima Bezerra regularizou salários, mas aumentou o ICMS de 18% para 20%. “A receita estadual cresce, mas as despesas crescem ainda mais, ultrapassando o limite de gastos previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. O Estado arrecada mais, mas investe menos. Isso gera déficit de infraestrutura.”
REESTRUTURAÇÃO
Márcio Rêgo completou seis meses à frente da Unimed Natal e afirmou que o foco inicial foi reorganizar financeiramente e estruturar o Hospital Unimed. O hospital, com capacidade total para 350 leitos, foi entregue com 180 em operação. Hoje já são 194 leitos, e sete andares permanecem vazios aguardando expansão. Ele disse que a gestão está renegociando dívidas e reduzindo despesas administrativas.
AMBIÇÃO
O ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos) reafirmou-se como pré-candidato ao governo do RN, mas manteve aberta a porta para o Senado — sempre ao sabor das conveniências do grupo que tenta articular com Rogério Marinho, Styvenson Valentim e Paulinho Freire. Falou em incorporar Allyson Bezerra “no futuro”, culpou o PT por atrasos em obras e tratou sua gestão em Natal como vitrine política. Um horizonte vasto — e mutável —, como costuma ser a política.
RACHA
O analista Erison Natécio, da TS2 Pesquisas, afirmou que “a entrada de Carlos Eduardo” no quadro de disputa eleitoral do ano que vem “é deletéria para Álvaro Dias”, por dividir o mesmo eleitorado na Grande Natal. Na pesquisa TCM–TS2, Álvaro caiu de 15,4% em julho para 10% em outubro, enquanto Carlos Eduardo estreou com 10,6%, praticamente empatado com ele. “A presença de Carlos embaralha o jogo e enfraquece Álvaro na região metropolitana”, avaliou o pesquisador.
MIGRAÇÃO
A deputada federal Carla Dickson confirmou que deixará o União Brasil para se filiar ao PL. A mudança, segundo ela, é motivada por afinidade ideológica e pela formação de uma nominata mais competitiva para 2026. Carla elogiou o União, mas admitiu que, diante da federação com o PP, se sentia “sem espaço” diante de nomes como João Maia, Benes Leocádio, Robinson Faria e Nina Souza. “Sou de direita e quero estar onde posso continuar minha missão política”, afirmou.
PIONEIRISMO
A deputada Divaneide Basílio (PT) celebrou o Dia do Voto Feminino lembrando que o movimento pela participação das mulheres nas urnas começou no Rio Grande do Norte, com Celina Guimarães e Alzira Soriano — a primeira prefeita eleita da América Latina. “A estrada foi pavimentada com coragem, mas ainda está longe de ser segura”, afirmou, destacando que ocupar a política “é fruto de luta diária contra o machismo e o racismo”.