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Opinião

RN perde qualidade no transporte com avanço da clandestinidade

Confira a coluna de opinião desta quarta-feira 19
Coluna Opinião
19/11/2025 | 05:24

O presidente da Fetronor, Eudo Laranjeiras, apresentou ontem, em entrevista à Jovem Pan News Natal, um retrato preciso da crise do transporte público no RN, apontando causas estruturais, impactos diretos na população e falhas persistentes de gestão. Segundo ele, cerca de 251 mil usuários perdem diariamente o direito às gratuidades porque só têm à disposição o transporte clandestino, que não respeita isenções e cobra tarifas superiores. Isso acontece porque empresas estão deixando de operar linhas em 38 municípios potiguares, devido à crise do setor. Onde seguem operando, as empresas formais ficam com o ônus das gratuidades e sem o passageiro pagante, aprofundando o colapso financeiro.

O setor vive seu pior momento: o RN chegou a operar mais de 400 ônibus rodoviários; hoje restam apenas 120, queda superior a 70%. Cinco empresas ainda resistem, mas duas estão em recuperação judicial, incluindo companhias com 60 a 70 anos de história. O principal gatilho da crise é a concorrência desleal dos clandestinos — que não pagam impostos e taxas, gerando ao Estado perda estimada de R$ 4 milhões mensais.

Eudo Laranjeiras Presidente FETRONOR (24)
RN perde qualidade no transporte com avanço da clandestinidade - Foto: José Aldenir/Agora RN

A falta de fiscalização do DER, agravada por pressões políticas, permitiu que 38 municípios ficassem totalmente sem transporte público regular. Onde linhas oficiais saem, clandestinos dobram imediatamente o preço: em Extremoz, a tarifa de R$ 5 saltou para R$ 10 no mesmo dia. Eudo alerta que o crescimento de moto-Uber desmonta o modelo tarifário e sobrecarrega a saúde: o Walfredo Gurgel recebe 35 acidentados de moto por dia.

Apesar de reconhecer ações pontuais — como isenção de ICMS do diesel e da passagem —, ele destaca ausência de planejamento de longo prazo e defende subsídios. Cidades como São Paulo investem R$ 6 bilhões anuais. “Sem fiscalização, integração metropolitana, prioridade nas vias e segurança jurídica, o transporte público continuará em colapso”, conclui Eudo.

TRABALHO

A governadora Fátima Bezerra (PT) afirma que o Rio Grande do Norte alcançou uma marca simbólica: hoje, há mais carteiras assinadas do que beneficiários do Bolsa Família no Estado. O dado, divulgado em mensagem nas redes sociais, foi apresentado como sinal de fortalecimento econômico, aliado ao crescimento do PIB potiguar acima da média do Nordeste. Segundo Fátima, o avanço reflete geração de emprego, renda e dignidade, resultado de um esforço contínuo para tornar o RN mais forte, inclusivo e próspero.

CONTRADIÇÃO

O prefeito Allyson Bezerra (União) criticou o governo do Estado pela disparidade entre arrecadação crescente e falta de entregas. Ele lembrou que o ICMS subiu de 18% para 20%, aumento repassado ao consumidor, mas sem retorno em serviços. Allyson comparou a realidade da rede municipal — com material escolar, tênis, moletom e salas climatizadas — à precariedade da rede estadual. Para ele, é preciso debater com franqueza: “Quem quer um Estado melhor não fica calado.”

OS RUSSOS

O ex-senador José Agripino Maia confirmou que há um convite para que o senador Styvenson Valentim, hoje no PSDB, se filie ao União Brasil. Isso não significa, porém, que o comando do partido no Estado esteja à disposição do capitão. “Entre você convidar uma pessoa para vir para o partido e ele ser o comandante do partido, tem que combinar com os russos”, disse Agripino à rádio Cidade.

TROCA DE LUGARES

O Governo Fátima já tem um plano B para Brisa Bracchi caso a vereadora seja cassada. Se realmente perder o mandato na Câmara Municipal, Brisa deverá virar secretária estadual de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos. A pasta é ocupada atualmente por Júlia Arruda, que vai virar vereadora se Brisa for cassada. Resta saber se Brisa terá os direitos políticos preservados após a cassação. A Lei 64/90 prevê que políticos cassados no Legislativo ficam inelegíveis por oito anos. Mas e ser secretária, pode?

FIM DE CARREIRA

O presidente Lula confirmou ao senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), outro cotado para o cargo, que vai indicar o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula quer que Pacheco seja candidato ao governo de Minas Gerais, em 2026, mas ele rejeita a ideia. O próprio Pacheco confirmou a informação nesta terça-feira 18 e disse que pretende encerrar a carreira política no início de 2027, quando deixará o Senado.