Sempre achei que viajar é uma forma de aprender. Quintana já evocou: “Viajar é mudar a roupa da alma” e acumular cultura e experiências, através das “janelas dos olhos”. Acabo de desfrutar do frio na Serra da Estrela portuguesa, em comunidades de extrema hospitalidade, hábitos e gastronomia, com infraestrutura de primeira qualidade e preços diferenciados. Estive também em Málaga, na Espanha, aproveitando o “stop over” da TAP, que é uma escala gratuita. De lá para Gibraltar são 135 km.
Satisfiz a curiosidade de conhecer o rochedo de Gibraltar, 420 metros de altitude. Um promontório militarmente estratégico, área de 6.8 km2, considerado território britânico. Pouco mais de 30 mil habitantes. Do ponto de vista econômico, como Panamá ou Suez, permite a redução de tempo e despesas durante as travessias de navios-cargueiros com destino à Europa, América ou Ásia.

Saí e voltei com o RN em manchete. Detentos perigosos fugiram do presídio de Mossoró. Nota-se que o combate ao “crime organizado” não depende dos estados federados. É uma sofisticada rede transnacional, de atividade criminosa, que ultrapassa fronteiras nacionais, desafiando a aplicação da lei.
A propósito da guerra em Gaza, falou-se em Hitler, após o presidente Lula pronunciar-se sobre o injustificável morticínio na Palestina, que já atinge mais de 30 mil vítimas. Anteontem, 112 mortos e 760 feridos pelo exército israelense, quando comida era distribuída a uma multidão. As palavras do presidente brasileiro foram inadequadas. Não cabe acusar Israel de ações idênticas ao Holocausto, que foi a mais chocante feição da infinita maldade do homem contra o homem, com o extermínio em massa de seres humanos, por motivo de sua nacionalidade, raça, religião ou credo político. Porém, a denúncia é verdadeira. Na viagem, presenciei cenas de cortar coração nas TVs Al Jazeera, Al Nayadin e Al-Aqsa. A situação em Gaza não pode continuar.
Outro fato ocorrido é que não procedem críticas à declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro por ele ter sugerido anistia para o 8 de janeiro e paz na política brasileira. O tom irascível de Lula sempre foi idêntico ao de Bolsonaro. Mesmo assim, em agosto de 2002, às margens do rio Acre, Lula confessou “não querer briga, e sim paz e amor”. Dois dias antes, no horário eleitoral gratuito, José Serra levou ao ar imagens de Ciro Gomes chamando um eleitor de “burro”. Ciro acusou o tucano de “comportamento de marginal”. Enquanto isso, Lula criou o slogan de sua campanha: “paz e amor”. Por que Bolsonaro agora está impedido de mudar e pedir paz para o Brasil? Clarice Lispector já disse: “Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas”.
Bem, o espaço acabou para palpites. Não poderia deixar de agradecer a João de Deus, por ter alegrado o meu retorno à terrinha com o Fluminense grande campeão da Recopa Sul-Americana 2024. Ave, Flu!