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Ney Lopes

“Olho aberto” na eleição de 2024

Confira a coluna de Ney Lopes desta quarta-feira 6
Ney Lopes
06/03/2024 | 08:07

2024 não é apenas mais um ano eleitoral. É o ano em que mais eleitores do que nunca na história estão indo às urnas. Pelo menos 64 países e a União Europeia, representando população combinada de cerca de 49% da população mundial, realizam eleições. O ano testará as democracias mais estáveis.

No Brasil, as eleições municipais responderão certos questionamentos nos sufrágios dados. Continuidade ou mudança? Governabilidade ou instabilidade? Esquerda ou direita? As decisões do voto de uma população são vitais na formação da estrutura política do país.

URio Grande do Nortea eletrônica / Foto: Agência Brasil
No Brasil, as eleições municipais responderão certos questionamentos nos sufrágios dados. Foto: Agência Brasil

A análise das taxas de participação eleitoral nas últimas duas décadas revelou que, contrariamente à maioria dos países, as eleições municipais no Brasil mobilizam mais eleitores do que as eleições estaduais ou nacionais. As circunstâncias do processo eleitoral têm um papel importante para o comparecimento na votação.

De um lado, a nacionalização do pleito em 2024 poderá ser um elemento decisivo. O traumático ressabio, deixado pela disputa de 2022, levaria ao aumento da presença do eleitor na urna, antecipando 2026. De outro, persistirão os riscos do desencanto com a democracia, a falta de entendimento sobre o processo político, a ausência de representatividade e a facilidade para justificar o não comparecimento.

No Rio Grande do Norte, há um detalhe significativo, constatado por Paulo de Tarso, Diretor-presidente da empresa Consult. Cerca de 40,53% dos eleitores potiguares não se identifica com nenhuma posição ideológica, de direita ou de esquerda. Em pesquisa, esses eleitores confirmaram, que não confiam em “nenhum” partido político. O estado, politicamente acéfalo, tem cerca de 40% do eleitorado dividido entre direita e esquerda e apenas o ínfimo percentual de 2.75% alinhados ao centro político. Muito preocupante e difícil antecipar qualquer prognóstico! Tudo pode acontecer, inclusive nada.

A verdade é que os sinais são de que mudança substancial na política potiguar ainda é uma palavra muito distante. Prevalece o individualismo do eleitor, ligado aos políticos tradicionais como Lula e Bolsonaro e não a partidos, ou princípios ideológicos. É um dilema fazer com que as pessoas percebam, como a política pode melhorar a vida delas, através do diálogo e da participação.

Neste contexto, os indecisos terão papel especial, sobretudo na “reta final” das campanhas. Será preciso convencer quem ainda não foi convencido. Quem ainda tem o voto em aberto, poderá acabar por decidir o resultado final. “Olho aberto” será o recomendável na condução da eleição municipal de 2024, uma das mais decisivas em nossa futura história política.

Homenagem

Foi merecidamente homenageado, ontem, o senador Garibaldi Alves Filho, na sessão pelos 200 anos do Senado Federal. Ex-presidente da Casa Legislativa, Garibaldi recebeu medalha em prata 999, banhada a ouro 18 quilates, com cunhagem de arte no anverso e no reverso e de numeração identificadora na borda, medindo 40mm de diâmetro. Parabéns!