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Artigo

Crise e Dissidências: Como o crime organizado redesenhou a violência no RN

Confira o artigo de Dinarte Assunção desta quarta-feira 06
Dinarte Assunção
06/11/2024 | 05:36

A dinâmica do crime organizado no Rio Grande do Norte passou por transformações profundas, conforme aponta investigação do Blog do Dina, baseada em processos, inquérito, entrevistas, depoimentos. Desde 2021, a facção Sindicato do Crime do RN (SDC) enfrenta uma crise interna que provocou cisões e aumentou a violência pelo controle das “quebradas”.

As insatisfações com as lideranças da facção, acusadas de decisões arbitrárias e de não protegerem seus membros de abusos das forças de segurança, geraram revoltas e uma ruptura explícita.

Polícia Civil prende acusado por homicídio em Mossoró; crime aconteceu em 2019. Foto: José Aldenir/Agora RN.
Policial - Foto: José Aldenir/Agora RN.

Dissidentes divulgaram críticas públicas, afirmando que a cúpula não defendia a base e impunha regras excessivamente rígidas sobre o tráfico. A resposta da liderança foi implacável: ameaças e decretos de punição contra os que desafiavam a hierarquia. Essa tensão desencadeou uma escalada de confrontos, ampliando o caos nas comunidades.

Simultaneamente, surgiram as milícias, que hoje representam um inimigo ainda mais temido que o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo informações, esses grupos, formados por ex-agentes de segurança, vêm assumindo territórios antes controlados pelo SDC. Relatórios mencionam uma preocupante colaboração entre policiais e milicianos para expulsar faccionados e dominar áreas, o queintensificou a repressão.

O impacto dessa disputa é mais evidente na Zona Norte de Natal, onde homicídios e mortes por intervenção policial aumentaram drasticamente durante os períodos de maior conflito. A população vive sob constante ameaça, enquanto a guerra urbana se intensifica.

Este cenário revela um crime organizado em transformação, com dissidências e a ascensão de milícias tornando o combate ainda mais complexo. Enquanto facções e grupos rivais disputam poder, são as comunidades que seguem pagando o preço dessa violência sem fim, sem que soluções eficazes apareçam no horizonte.