A dinâmica do crime organizado no Rio Grande do Norte passou por transformações profundas, conforme aponta investigação do Blog do Dina, baseada em processos, inquérito, entrevistas, depoimentos. Desde 2021, a facção Sindicato do Crime do RN (SDC) enfrenta uma crise interna que provocou cisões e aumentou a violência pelo controle das “quebradas”.
As insatisfações com as lideranças da facção, acusadas de decisões arbitrárias e de não protegerem seus membros de abusos das forças de segurança, geraram revoltas e uma ruptura explícita.

Dissidentes divulgaram críticas públicas, afirmando que a cúpula não defendia a base e impunha regras excessivamente rígidas sobre o tráfico. A resposta da liderança foi implacável: ameaças e decretos de punição contra os que desafiavam a hierarquia. Essa tensão desencadeou uma escalada de confrontos, ampliando o caos nas comunidades.
Simultaneamente, surgiram as milícias, que hoje representam um inimigo ainda mais temido que o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo informações, esses grupos, formados por ex-agentes de segurança, vêm assumindo territórios antes controlados pelo SDC. Relatórios mencionam uma preocupante colaboração entre policiais e milicianos para expulsar faccionados e dominar áreas, o queintensificou a repressão.
O impacto dessa disputa é mais evidente na Zona Norte de Natal, onde homicídios e mortes por intervenção policial aumentaram drasticamente durante os períodos de maior conflito. A população vive sob constante ameaça, enquanto a guerra urbana se intensifica.
Este cenário revela um crime organizado em transformação, com dissidências e a ascensão de milícias tornando o combate ainda mais complexo. Enquanto facções e grupos rivais disputam poder, são as comunidades que seguem pagando o preço dessa violência sem fim, sem que soluções eficazes apareçam no horizonte.