O ex-deputado estadual Fábio Dantas (Solidariedade) afirmou que participa ativamente da montagem das nominatas para 2026, sobretudo de uma chapa de deputado estadual, a convite do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB), do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil), e do presidente da Câmara Municipal de Natal, Éricko Jácome. Em entrevista nesta segunda-feira à 98 FM, ele explicou que o trabalho também envolve o interesse direto de seu grupo político, já que a deputada estadual Cristiane Dantas, sua esposa, buscará a reeleição. Segundo Fábio, a meta é estruturar uma nominata forte, com potencial para eleger entre oito e nove deputados estaduais, projetando que os últimos nomes vitoriosos da chapa devem alcançar entre 25 mil e 30 mil votos.
Ele definiu esse agrupamento como uma frente de centro, formada por nomes com trajetórias e alianças variadas no cenário potiguar. Nesse desenho, a estratégia é permitir liberdade para que os integrantes apoiem diferentes pré-candidatos ao Governo do Estado, sem amarração obrigatória à majoritária. Assim, dentro do grupo, haveria espaço para afinidades tanto com o ex-prefeito Álvaro Dias (Republicanos), como com setores que estiveram com a governadora Fátima Bezerra (PT) e até com o prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil).

Sobre o partido que abrigará o grupo, Fábio Dantas disse que a definição ainda não foi fechada. Republicanos é uma hipótese, mas outras siglas, como o Podemos, também seguem no radar. Ele confirmou ainda que o grupo articula uma chapa para deputado federal, já com o nome de Milena Galvão Ferreira como presença certa.
Cadu deve surpreender
Fábio Dantas avaliou que a disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026 será fortemente influenciada pelo peso eleitoral dos grupos políticos já consolidados. Em entrevista à 98 FM, ele destacou que o secretário Cadu Xavier tende a largar em posição competitiva por estar diretamente associado ao presidente Lula e ao eleitorado do PT no Estado. Na leitura de Fábio, esse vínculo pode garantir a Cadu uma base significativa de votos, suficiente para colocá-lo no segundo turno e até mesmo na disputa pela vitória. Sobre Álvaro Dias, o ex-vice-governador afirmou que o ex-prefeito de Natal parte com um eleitorado mais “cristalizado”, herdando votos de segmentos que já estiveram alinhados à oposição em eleições anteriores. Segundo ele, há um contingente relevante de eleitores que tende a se concentrar nesse campo político, o que também o coloca como nome competitivo. Já em relação a Allyson Bezerra, Fábio apontou que o principal desafio será ampliar sua base além do eleitorado próprio, especialmente conquistando votos do campo lulista. Para ele, a capacidade de transitar entre diferentes segmentos será decisiva para definir quem avançará na disputa.
RISCO MOSSORÓ
Fábio Dantas avaliou que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, pode enfrentar desgaste político caso deixe o cargo antes do fim do mandato para disputar o Governo do Estado. Segundo ele, o risco está diretamente ligado ao desempenho da gestão que ficará sob responsabilidade do vice. Na leitura de Fábio, se a administração não corresponder até o período eleitoral, o custo político pode recair sobre o próprio Allyson, afetando sua imagem junto ao eleitorado. Para ele, a decisão de sair antes do término do mandato exige cautela, já que o desempenho da gestão municipal continuará sendo associado ao seu nome.
EZEQUIEL NO SENADO
Em outro momento da entrevista, Fábio Dantas fez uma defesa enfática da possível candidatura do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, ao Senado. Segundo ele, esse é um projeto que vem sendo defendido há mais de um ano e que reúne condições políticas amplas. Na avaliação de Fábio, Ezequiel tem perfil capaz de dialogar com diferentes campos — da esquerda à direita —, o que o colocaria como um candidato com potencial de unificação. Para ele, essa capacidade de transitar entre grupos políticos distintos pode ser um diferencial relevante na composição da disputa.
Escala 6×1 preocupa setor
A possível adoção da escala 6×1 no Brasil acendeu alerta no setor de transporte público do Rio Grande do Norte, que já enfrenta escassez de mão de obra e aumento de custos. O presidente da Fetronor, Eudo Laranjeiras, afirmou ao Agora RN que a redução da jornada, sem ajuste proporcional de salários, exigiria a contratação de mais motoristas para manter o serviço. O problema é o déficit superior a 100 mil profissionais no país, o que dificulta reposições rápidas. Segundo ele, não há mão de obra suficiente disponível. Laranjeiras também destacou a queda na atratividade da profissão: se antes mais de 80% dos filhos de motoristas seguiam a carreira, hoje são menos de 40%. Além disso, a formação completa pode levar até dois anos. Diante desse cenário, o setor defende que mudanças na jornada sejam feitas de forma gradual e negociada, para evitar impactos na operação e garantir a continuidade do transporte à população.