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Opinião

Governo ignora crise do diesel

Sem medidas e articulação, avanço dos combustíveis amplia impacto sobre inflação, abastecimento e atividade no RN
Por O Correio de Hoje
20/03/2026 | 14:52

O avanço do preço dos combustíveis, especialmente do diesel, já deixou de ser um problema setorial. Virou uma ameaça direta à inflação, ao abastecimento e à atividade econômica. E, mesmo assim, o governo do Rio Grande do Norte ainda não chamou o setor produtivo para discutir saídas. Diante da urgência, a ausência de diálogo causa perplexidade.

Os números falam por si. Cerca de 65% das mercadorias no Brasil são transportadas por caminhões movidos a diesel. Quando o combustível sobe, sobe tudo: alimento, insumo, frete, custo final. Não há amortecedor. O impacto é imediato e em cadeia. No campo, a situação é ainda mais sensível. Do preparo do solo à colheita, tudo depende do diesel.

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O alerta já foi dado. O presidente da Faern, José Vieira, classificou o cenário como “insuportável”. Não é retórica. É diagnóstico. E quando o setor produtivo começa a usar esse tipo de linguagem, é sinal de que o limite foi ultrapassado.

Há propostas na mesa. A mais debatida é a redução ou até a zeragem do ICMS sobre o diesel, acompanhando movimento em discussão no plano federal, além da manutenção da isenção de PIS/Cofins. São medidas emergenciais, paliativas, mas com efeito imediato. Sozinhas não resolvem o problema estrutural, mas ajudam a conter a escalada.

O que não se justifica é a inércia.

Enquanto o setor pressiona por soluções, o secretário da Fazenda, Carlos Eduardo Xavier, está com a atenção voltada para a pré-candidatura ao governo. É legítimo que tenha ambições políticas. O que não é razoável é que a agenda fiscal do Estado fique em segundo plano em meio a uma crise que afeta toda a economia.

Para agravar, o governo sequer indicou quem assumirá a condução da Secretaria a partir de 4 de abril, quando Xavier deve deixar o cargo para se desincompatibilizar. A indefinição aumenta a sensação de paralisia justamente quando o momento exige comando, clareza e rapidez.

O cenário internacional tampouco ajuda. A desorganização da cadeia global de combustíveis, agravada por conflitos geopolíticos, deve prolongar a pressão sobre os preços. Mesmo que haja trégua no curto prazo, os efeitos continuam. Ou seja: não é uma crise passageira.

É nesse contexto que se espera liderança.

Cabe ao governo estadual sentar à mesa com quem produz, ouvir, negociar e agir. Não se trata de abrir mão de receita sem critério, mas de reconhecer que, sem atividade econômica, não há arrecadação que se sustente. Ignorar o problema agora pode custar muito mais caro depois.

O setor produtivo já se manifestou. Falta o governo responder.