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Opinião

Falta rumo ao Rio Grande do Norte

Expansão puxada por serviços mantém atividade, mas ausência de estratégia limita transformação estrutural do estado
Por O Correio de Hoje
20/03/2026 | 14:58

O Rio Grande do Norte cresceu 298% entre 1995 e 2025, acima da média do Nordeste (266%) e do Brasil (222%), segundo o IBGE. Foi o terceiro maior avanço da região no período. O dado é positivo. Mas, isolado, diz pouco sobre o que realmente importa: a qualidade desse crescimento e a direção que ele aponta. E é aí que surge o problema.

Boa parte desse avanço foi sustentada pelo setor de serviços, hoje o principal motor da economia estadual. Comércio e turismo puxam a atividade, geram emprego, mantêm a roda girando. Mas operam com limites claros de produtividade e renda. São setores que sustentam o presente, mas não reconfiguram a estrutura econômica.

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Ao mesmo tempo, outros segmentos relevantes seguem atuando de forma pouco integrada. O Estado ocupa posição de destaque nacional na geração de energia eólica, mantém produção significativa de petróleo em terra e lidera na produção de sal marinho. No campo, a fruticultura irrigada voltada à exportação e a pecuária seguem com peso econômico. Ainda assim, esses ativos não se conectam em uma estratégia comum. Funcionam como ilhas.

O resultado é uma economia que cresce, mas não dá salto.

Mesmo com desempenho superior à média regional e nacional, o Estado não consolidou uma política clara de diversificação produtiva, nem avançou de forma consistente na agregação de valor. O crescimento ocorreu, em grande medida, apoiado em setores tradicionais ou dependentes de condições externas — como o turismo e a dinâmica internacional de energia e commodities.

Na indústria, há avanços impulsionados por programas como o Proedi, que melhora a competitividade e atrai investimentos. Mas a dependência de incentivos levanta uma questão inevitável: o quanto desse crescimento se sustenta sem apoio fiscal?

O cenário revela uma economia em movimento, mas sem direção definida. Cresce acima da média, mas sem reorganizar suas bases. Não há, até aqui, um projeto estruturado de longo prazo que articule energia, indústria, agro e serviços em torno de uma estratégia comum de desenvolvimento.

Em ano eleitoral, essa ausência se torna ainda mais evidente — e preocupante. O debate público pouco avançou na discussão de qual modelo econômico o Estado pretende adotar nas próximas décadas. Falta clareza sobre prioridades, metas e caminhos.

Crescer mais do que os outros já não basta. O Rio Grande do Norte precisa decidir para onde quer ir — e como pretende chegar lá.