BUSCAR
BUSCAR
Geraldo Ferreira

Discurso do Dr. Geraldo Ferreira no Sinmed RN em 20.06.2025

Confira a coluna de Geraldo Ferreira desta quarta-feira 10
Geraldo Ferreira
10/09/2025 | 05:09

Prezados Médicos e Médicas do RN

“Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado.”
Albert Einstein

Geraldo Ferreira SINMED RN (26)
Discurso do Dr. Geraldo Ferreira no Sinmed RN em 20.06.2025 - Foto: José Aldenir/Agora RN

Colegas, Médicos e Médicas do RN,

Iniciamos neste ano de 2025 um novo mandato, que se estenderá até 2029, e quero agradecer os votos de confiança e esperança que me trazem ao novo mandato e coragem, ousadia, determinação, perseverança e força no para enfrentar os difíceis momentos que vivemos em nossa profissão. Espero que consigamos continuar, mesmo com toda pressão e dificuldades, realizar com ética, conhecimento e eficiência o trabalho que aprendemos com muito estudo, esforço, dedicação, devotamento e alegria, a Medicina técnica, científica, mas também profundamente humana, que nos coloca a serviço da sociedade e dos cidadãos do RN.

Colegas, sabemos que os últimos anos têm sido difíceis, a classe médica tem sido confrontada em sua dignidade e seus direitos, com uma violência poucas vezes vista, por governos, planos de saúde e empresas que intermediam nosso trabalho. Nesse jogo político pesado, essas forças tentam sufocar nossa categoria, justamente por suas características de independência, boa formação intelectual, posição crítica em relação a gestão, possuir ideias sobre como deveria funcionar a saúde, não cooptação pelo projeto político do governo, capacidade de articulação e organização. Eles nos elegeram como inimigos e decretaram guerra. Os médicos em geral, mas os médicos jovens em particular estão no meio de um tiroteio que junta abertura indiscriminada de escolas médicas, número excessivo de vagas para as necessidades de mercado com o intuito de baixar salário, isso já visível nas licitações e leilões públicos, onde quem paga menos leva o contrato e a obrigação de explorar os médicos e vilipendiar nossos ganhos.

Nesse contexto é natural que surjam as dúvidas. Nossas instituições nos representam, nossos líderes estão preparados para esse enfrentamento, eles defendem realmente os nossos interesses? E os Sindicatos, eles são importantes, quem me representa das entidades médicas, o que dizem as leis?

Pela legislação, quem tem prerrogativas para defender e representar os médicos são os sindicatos, daí que com o fim da contribuição sindical obrigatória, uma manobra perversa para fragilizar os trabalhadores e os deixar indefesos diante dos patrões, os médicos devem se associar e contribuir para manter nosso Sindicato. Nunca a resistência foi tão importante, para não deixar a medicina ser rebaixada e arruinada. Não há categoria forte sem instituições fortes. Durante algum tempo os sindicatos passavam a impressão de serem aparelhos políticos de partidos ou do governo, e algumas vezes foram. Mas a crescente cobrança dos médicos, as responsabilidades de negociar pela categoria num âmbito de reajustes conquistados às custas de duros embates, diferente da época da inflação e da indexação, tem forjado um modelo de atuação mais sintonizado com as expectativas da categoria, daí as lutas permanentes por condições de trabalho e remuneração justa. Há muitas queixas de que as Entidades não tem representado à altura os médicos Brasileiros, eu com toda humildade digo que nunca a trabalhamos tanto, temos procurado responder às demandas da categoria, com mobilizações, manifestações, greves, ações judiciais, temos participado de audiências no parlamento e nos tribunais defendendo a categoria. Perguntam muito porque não fizemos ou não fazemos uma paralisação geral dos médicos, contra essas medidas do governo e setor privado que tem infernizado a nossa vida.

O movimento médico está passando por uma transição, a cobrança de ações, a mobilização das redes socias, o desejo de opinar e participar dos médicos trouxeram reflexões de que algumas medidas são necessárias, os médicos querem de suas lideranças mais dedicação e mais luta. O que fazer? Os Sindicatos se legitimam quando representam sua base e tem essa base sindicalizada. Eu peço a todos que participem, vão às assembleias, questionem, contestem, exijam, os sindicatos não são os dirigentes, são os médicos. Alguns, decepcionados, às vezes perguntam se não é melhor deixar de pagar às entidades, já que elas supostamente não os representam. Eu digo, essa é a forma mais elementar de perder as lutas, enfraquecer as Entidades. Só teremos categoria forte se tivermos as Entidades fortes. Desafios sempre teremos, e nossa capacidade de reagir, resistir, enfrentar, avançar será testada exaustivamente nesses próximos anos. Essas lutas não me intimidam, nem as dificuldades que atravessaremos me desanimam. Uma coisa, no entanto, é necessária, que a luta por condições de trabalho e remuneração justa, de cada um seja de todos, que nos unamos e participemos nas horas que formos convocados para manifestações, paralisações, audiências, votações no congresso ou greves. Há muitas formas de luta, a greve é apenas uma delas. Certos de que estaremos juntos nas lutas e desafios vindouros, desejo a todos que consigamos, com os frutos dessas lutas, o exercício ético, científico e humano que sonhamos para a nossa profissão. Os Sindicatos existem para garantir isso. É a luta que faz com que não sejamos mera conveniência simbólica.