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Coluna

Dever cumprido: ajudei aprovação do Plano Real

Confira a coluna de Ney Lopes desta quarta-feira 13
Ney Lopes
13/03/2024 | 07:20

Alegra-me ter prestado há 20 anos, relevante serviço ao Brasil, quando o País se assemelhava a Argentina de hoje. Ocorria processo de explosão inflacionária, que chegou a 6.800%, no início de 1990. Ao longo de 15 anos, entre 1980 e 1994, a inflação esteve fora do controle. Isso significava, que os produtos custavam 68 vezes o preço de um ano antes.

Nessa crise, presidi no Congresso Nacional a comissão mista de senadores e deputados que implantou o Plano Real, o mais bem-sucedido plano econômico brasileiro. Debateu-se intensamente. Ao final aprovou-se a Medida Provisória n° 542/94, assinada por Itamar Franco, mas somente confirmada pelo Congresso Nacional dois meses depois. A MP permitiu a estabilização econômica do país e abriu portas para o crescimento. Convidei à época, o empresário potiguar Álvaro Alberto para exposição sobre habitação popular na Comissão Mista. Ele contribuiu nas discussões e recebeu aplausos gerais.

Congresso Nacional, em Brasília. Foto: REUTERS/Jamil Bittar
Dever cumprido: ajudei aprovação do Plano Real - Foto: REUTERS/Jamil Bittar

A ideia do Plano Real foi dos economistas André Lara Resende e Pérsio Arida, no documento apelidado de “Larida”. Depois, aperfeiçoaram a proposta, os economistas Gustavo Franco, Pedro Malan e Edmar Bacha. Enfrentei muitas dificuldades, em razão de violentas pressões de áreas tacanhas da sociedade civil e do PT, que se opunham radicalmente a mudança. Prevalecia o individualismo e não o interesse nacional. Para Lula, então candidato a presidente, o Plano real era “maracutaia”. Todo o petismo e direita conservadora votaram contra.

“Presidi no Congresso a comissão mista que implantou o o mais bem-sucedido plano econômico brasileiro”

A história mostra que o Plano Real deu certo. Luiz Inácio Lula da Silva o manteve integralmente e ainda hoje contribui para a estabilidade econômica do País, tão alardeada pelo seu governo. Um dos pontos mais polêmicos foi a criação da Unidade Real de Valor (URV), que definiu as regras de conversão do cruzeiro, eliminou a indexação da economia à correção monetária mensal e equiparou a moeda nacional ao dólar americano. O objetivo era conter a hiperinflação.

Durante a campanha de FHC, em setembro de 1994, ocorreu polêmico episódio jornalístico, envolvendo o Plano Real, o Ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero e o jornalista Carlos Monforte da Rede Globo. Enquanto aguardava entrar no ar, o Ministro Ricúpero fez “confidencias” captadas por antenas parabólicas. Entre outras coisas afirmou que usava os indicadores favoráveis do Plano Real em favor de FHC. Disse ainda: “o que é bom a gente mostra, o ruim esconde”. A pressão da imprensa levou o Presidente Itamar a substituí-lo por Ciro Gomes.

Do ponto de vista político, o sucesso do Plano Real referendou FHC para a disputa presidencial de 1994. A popularidade do tucano foi tão grande que ele se elegeu no primeiro turno, com 55% dos votos. O gratificante para mim foi como representante de um pequeno estado do Nordeste ter ajudado na condução da proposta do Plano Real no Congresso Nacional até a sua aprovação final. Dever cumprido!